O presidente Luiz Inácio Lula da Silva criticou abertamente hoje a oposição, ao chamá-la de “irresponsável” e a acusar de promover a “campanha de mais baixo nível da história”.
“Há um adversário político que faz uma quantidade de promessas que não pode cumprir, porque não as cumpriu quando estava no poder, e que de forma irresponsável diz que vai mudar a política econômica em um momento em que o Brasil é modelo de desenvolvimento, como gerador de empregos com estabilidade econômica”, declarou Lula, referindo-se à campanha do candidato José Serra (PSDB).
Apesar de não ter citado em momento algum o nome de Serra, ele criticou a campanha de seu partido a jornalistas em Brasília e declarou que “ninguém pode ser irresponsável” em período eleitoral e também não “pode prometer o que depois não vai cumprir”.
Ele destacou que a Polícia Federal (PF) investiga a suposta existência de uma “campanha difamatória” contra Dilma Rousseff (PT), na qual se dizem “coisas” contra a candidata que ele “jamais” teve “coragem de dizer de algum adversário”.
Segundo Lula, “há um processo de investigação para saber de onde vem, mas é uma campanha difamatória que jamais poderia ser aceita por qualquer homem ou mulher” em uma democracia.
Ele também minimizou as denúncias da oposição em relação a supostas irregularidades na campanha de Dilma, dizendo que elas “não podem ser levadas a sério”, pois há uma quantidade muito grande de “notícias, denúncias e acusações”.
Nas últimas semanas, surgiram diversas suspeitas de tráfico de influência e corrupção na Casa Civil, que até março era chefiada por Dilma, e que levaram sua sucessora, a ex-ministra Erenice Guerra, a renunciar.
Além disso, a imprensa destacou hoje que pessoas vinculadas ao comitê de campanha de Dilma participaram da violação dos dados fiscais de alguns líderes do PSDB e de Verônica Serra, filha de José Serra, no fim do ano passado.
Nas últimas duas semanas, Dilma também vem enfrentando críticas por causa de rumores de que ela se proporia a mudar a legislação em relação ao aborto e ao casamento homossexual, o que lhe rendeu pesadas críticas de setores religiosos.
Diante dessa polêmica, a petista divulgou na semana passada um documento na qual se manifestava “a favor da vida” e se comprometeu a não alterar as leis vigentes, que permitem o aborto apenas em caso de risco para a mulher e contemplam a “união civil” dos homossexuais, mas não o casamento.