Menu
Política & Poder

Luiz Carlos Pitiman faz ataques à atual gestão

Arquivo Geral

07/08/2014 7h30

“Um choque imediato de gestão” foi o que prometeu ontem Luiz Carlos Pitiman (PSDB),  terceiro candidato ao GDF sabatinado pelo Jornal de Brasília. Respondendo a perguntas dos jornalistas e dos leitores/internautas, o tucano fez várias promessas para a saúde, transporte e Entorno do Distrito Federal, lembrando, em quase todas as respostas, do presidenciável tucano Aécio Neves, com quem ele pretende trabalhar em conjunto. Ele nega, no entanto, os rumores de que sua candidatura seria somente um palanque para o mineiro na capital da República. E, em meio a ataques à atual gestão, diz que está confiante: “Não tenho dúvidas  de que disputaremos com um candidato que Deus já reservou para nós o segundo turno e venceremos”. 

Na próxima quarta-feira, será a vez de José Roberto Arruda (PR). Mande suas perguntas para o e-mail: eleicoes2014@jornaldebrasilia.com.br.

Para o senhor, qual a importância de participar da sabatina do Jornal de Brasília?

É extremamente importante, porque a gente encontra aqui a conexão com o eleitor. 

O senhor foi eleito deputado com uma campanha que tinha o mote “Quem é Pitiman?”, e agora, o senhor acha que a população do DF já sabem quem é Pitiman?

Há quatro anos, eu decidi sair da poltrona e ir para o campo jogar. Nós queremos um DF melhor e eu me coloco como instrumento  para que consigam ter um governador  diferente daqueles que estão fazendo carreira política, há mais de 25 anos. A única novidade sou eu. 

O senhor disse que deixou a Secretaria de Obras por incompatibilidade com o governo Agnelo, mas o governador falou que o senhor foi demitido. Como foi isso?

 É só ir no Diário Oficial e ver: eu pedi para sair. Eu discordava do rumo que a política estava tomando, naqueles seis meses de governo. O “novo caminho” (nome dado à coligação de Agnelo, na campanha) era  uma sequência de vícios, de fatos constrangedores.  Eu fui para a planície, ocupar um cargo para o qual a população me elegeu. 

Sua candidatura carrega o estigma de que é apenas palanque para Aécio Neves. Isso é verdade?

Claro que não. Nós estamos na capital da República. É aqui que estão instaladas  as grandes organizações de comunicação do País. Para um presidente da República, ter um candidato forte, que dê palanque, é importante, mas para a população ter uma alternativa nova é fundamental. Não saí em primeiro (nas pesquisas), porque, quatro anos atrás, nem político eu era. Estou me apresentando para a cidade, para, em um momento muito curto, disputar em condições de igualdade e vencer. Não tenho dúvidas  de que disputaremos com um candidato que Deus já reservou para nós no segundo turno e venceremos. 

Quais as propostas do senhor para a área da saúde no DF?

No DF, não faltam recursos. Falta gestão pública de qualidade. Nós precisamos de saúde básica perto de casa, com o projeto Saúde em Casa, e postos de saúde equipados. Precisamos também de mais UPAs instaladas, porque ela atende casos de média complexidade. Precisamos convencer o próximo presidente da República que Brasília precisa ser uma referência  de hospital de qualidade. Precisamos de um hospital do câncer. A bancada do DF, em 2012, destinou R$ 500 milhões para serem investidos em um hospital desse tipo, mas perderam o recurso. Nós precisamos de um hospital da mulher, porque elas não querem ser tratadas em carretas. Precisamos de um hospital geriátrico, porque o idoso não pode ficar na fila. Com o apoio dos governos de Goiás e Minas Gerais,  conseguiremos ter um hospital de 300 leitos em Valparaíso (GO) e outro  em Águas Lindas (GO). 

O senhor já foi presidente da Novacap, no governo Arruda, e secretário de Obras no governo Agnelo. Como passar a imagem de que vai fazer a diferença, tendo feito parte do que passou?

Fui diretor da Novacap, com muito orgulho. Naquele momento, eu não era político e exercia ali um papel técnico.  Quando saí, a população me elegeu deputado. O governo  sentiu que eu poderia retomar as obras de Brasília e me convidou para assumir a secretaria. Eu fui. Nós retomamos as obras – praticamente 90% das obras do DF tem minha assinatura – e ajudamos a cuidar da cidade. Mas, em seis meses, eu entendi que aquela política não era a correta.  

Como  o senhor pensa em engajar o Governo de Goiás para ações na Região Metropolitana do DF?

Nós temos 22 municípios na rede – 19 são goianos e três mineiros. Para engajar os três estados, precisamos de um líder e esse líder é Aécio Neves. Nós não podemos deixar que essa grande Região Metropolitana continue comprimindo o Plano Piloto. Temos que mostrar para o Brasil que nossa capital não pode ser transformada nos morros do Rio de Janeiro. Precisamos de sintonia com os três governadores. E temos chances de ter Pimenta da Veiga (PSDB) em Minas Gerais, Marconi Perillo (PSDB) em Goiás e, aqui, temos tudo para ganhar.

O senhor aparece bem atrás nas pesquisas. Qual a estratégia do senhor para conquistar os eleitores indecisos e os que declaram que vão anular o voto?

Eu sou a novidade e estou me tornando conhecido. Para isso, eu preciso que a gente vá a todos os debates, ande pelas ruas e que a população se conecte com as informações dessa alternativa.

O DF deixa de arrecadar impostos, com a falta de postos de fiscalização. O que senhor pretende fazer com relação a isso?

O modelo adotado pelo atual governo está desestruturando toda a questão tributária. Temos que ter nas entradas da cidade um controle. Há um descuido de não deixar o pessoal trabalhar e isso me parece uma atitude criminosa. Nós queremos mudar isso. 

A deputada Eliana Pedrosa (PPS) foi pré-candidata a vice na chapa de José Roberto Arruda. Hoje, ela está no seu palanque?

Eliana  é uma mulher valorosa. Ela tem um trabalho social muito grande  e  um caminho político que ela vem traçando nesses últimos anos. Ela está no PPS, que fez a opção de indicar nosso vice, Adão Cândido. Candidata a deputada federal, Eliana tem feito a sua campanha e, nos momentos em que ela acha interessante, a gente tem se encontrado. Tenho certeza que  até o  dia 5 de outubro, nós estaremos muito unidos em defesa do DF.

O senhor acha que pode receber votos de correntes que apoiam Arruda, líder nas pesquisas?

Temos condições de receber votos de todas as correntes. Adão Cândido vem de um partido comunista, com características que ajuda a somar na nossa chapa. Muitos dos que apoiam  Arruda gostariam de estar alinhados conosco. Eles estão no caminho e no trabalho com ele, mas se acontecer qualquer coisa na candidatura dele,  serão muito bem-vindos  na nossa chapa, dentro de um projeto que é a união de todos aqueles que querem cuidar do DF. A cidade inteira está se unindo em torno de uma pergunta: como é que nós vamos tirar o PT?

Quem financia sua campanha?

Nossa campanha é financiada pelo PSDB nacional e pelos recursos que estamos arrecadando em conjunto no DF. Muitos recursos ainda é a gente que está colocando, por acreditar que é uma forma de ajudar e contribuir com a cidade. 

O senhor pretende privatizar as estatais do DF?

Três empresas são fundamentais para o DF:  CEB, Caesb e Novacap. Temos que modernizar e oxigenar as estruturas. Estão sucateando essas empresas.  O governo que aí está só tem preocupação de fazer concursos para apadrinhados. Nós teremos um sistema diferenciado de qualidade na gestão pública. 

A exemplo da redução de imposto do combustível de aviação, que aumentou os voos e até a receita do DF, o senhor pretende reduzir outros impostos?

Faremos para algumas atividades. Precisamos pegar nossas quatro portas de entrada  – Planaltina, BR-040, saída para Goiânia e para Águas Lindas – e transformar em polos de desenvolvimento e negócios, com equilíbrio tributário.

Sendo empresário , como o senhor pretende assumir o governo e separar as funções?

Eu nunca fiz um contrato com o Governo do DF. Eu sou da iniciativa privada e  trabalho exclusivamente com a iniciativa privada. Isso me permite estar no governo sem preocupações. Eu vou governar preocupado com o cidadão.

 O senhor pretende reduzir o número de secretarias no GDF?

Aqui tem um caos administrativo. O GDF tem 38 secretarias e 31 administrações regionais, fora as empresas públicas. São Paulo, que é 17 vezes maior que o DF, tem 26 secretarias. Tem Secretaria da Criança, da Mulher, do Idoso. Não pode ser a Secretaria da Família, pensando no conjunto? É uma vergonha uma região  ser administrada por uma pessoa indicada por um  distrital, que usa a administração  como um feudo. Em 1º de janeiro, teremos 70% dos cargos das administrações regionais no concurso público. Precisamos regulamentar a escolha  popular para os administradores, para que eles olhem mais para a segurança, saúde e praças da cidade e cuide menos do  distrital.

 Quais as propostas do senhor para os servidores públicos?

Os servidores estão completamente  desestimulados. Nós vamos valorizar quem trabalha. Vamos implantar aqui o mesmo sistema da meritocracia, a exemplo de Minas Gerais. Vamos criar metas e avaliar, trimestralmente, para termos o reconhecimento.

O que o senhor pretende mudar na área de transporte?

Vamos aproveitar a estrada de ferro que sai da Rodoferroviária, passa por Santa Maria e chega a Luziânia e instalar  um Veículo Leve Sobre Trilho (VLT). Vamos aumentar o metrô em dois quilômetros a mais para Ceilândia e Samambaia. Vamos levar trilhos também para a Asa Norte, e a partir de lá, Sobradinho, que atenda a região do Paranoá e Itapoã, e que chegue a Planaltina. Podemos ainda fazer um braço que saia de Samambaia e atenda o Riacho Fundo e o Recanto das Emas. 

O episódio da morte do então governador do Acre, Edmundo Pinto, quando o senhor era chefe da Casa Civil, é uma  situação  superada?

Não tenho dificuldade de tratar desse assunto. O governador era como um irmão mais velho. A mãe dele quer vir para Brasília pedir votos, o filho dele está junto conosco na campanha. Essa história foi há 23 anos. Nada no meu passado me envergonha.

Como o senhor vai  resolver o problema dos usuários de crack no DF?

O usuário de crack precisa de tratamento. O fabricante da pedra tem que ser preso. O DF não pode ser a capital do crack.

O que o senhor fará com relação às invasões no DF?

Precisamos dar dignidade para os que estão instalados e pagam IPTU, mas não podemos mais deixar a capital ser invadida por pessoas que tenham outra intenção, a de vender a terra. Estes serão punidos.

Qual será a primeira atitude do seu governo em janeiro?

Faremos um choque de gestão pública nas administrações, na saúde e na segurança pública. Em 1º de janeiro, nós faremos um pacto com  Judiciário,  Legislativo e Executivo, para a retomada do desenvolvimento e resgate do orgulho.  

Como o senhor vai tratar a Câmara Legislativa no seu governo?

Nós conseguiremos ter as avaliações necessárias de serviços realizados em cada comunidade  e valorizaremos o deputado. É um novo conceito de gestão. Teremos ainda 30% dos cargos nas administrações regionais e no Executivo, em condições de ser discutidos, com eficiência, com trabalho e com profissionalismo.

    Você também pode gostar

    Assine nossa newsletter e
    mantenha-se bem informado