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Política & Poder

Lava Jato: é razoável que Palocci tenha papel maior que Dirceu a partir de 2008

Agência Estado

26/09/2016 16h41

Atualizada

O delegado da Polícia Federal, Filipe Hille Pace, da força tarefa da Lava Jato, disse que, a partir de 2008, quando constam os primeiros pagamentos da planilha nomeada "italiano", que se refere ao ex-ministro Antonio Palocci, segundo a PF, "é razoável concluir que Palocci tenha papel maior que Dirceu" no esquema de propinas. As declarações foram dadas durante coletiva de imprensa sobre a 35ª fase da operação Lava Jato, nomeada Omertà. <p><p>A procuradora da República, Laura Tesler, complementou que a investigação é bastante dinâmica e que não dá para dizer que já se chegou ao topo do esquema de propinas na Petrobras. "A cada dia temos mais informações, certamente outros personagens vão aparecer, é muito cedo para dizer que chegamos aos maiores chefes do esquema", afirmou. <p><p>Sobre os desdobramentos da operação, o delegado comentou que Palocci já é investigado em processos específicos e que, no momento, o foco é a relação do ex-ministro com a Odebrecht. "A dimensão dos fatos criminosos entre Palocci e Odebrecht é o nosso foco no momento", disse o delegado. O delegado ainda lembrou que as interferências não se resumem à Petrobras. "Desvendou-se hoje uma atuação bem forte e duradoura do Palocci em interferências na Petrobras e em outras esferas da administração pública federal."<p><p>Pace ainda afirmou que a empresa do ex-assessor de Palocci, Juscelino Dourado, pode ter sido usada para pagamentos ilícitos. "A empresa existia apenas no papel." Segundo o delegado, o endereço da empresa era o mesmo da residência de Dourado e, analisando as transações bancárias, observou-se recebimento de valores do pecuarista José Carlos Bumlai e do ex-presidente da Odebrecht, antes de Marcelo Odebrecht, Pedro Novis. <p><p><b>R$ 60 milhões</b><p><p>O delegado da Polícia Federal disse que não se sabe qual foi o destino de uma quantia de mais de R$ 60 milhões em propinas. Pace explicou que um dos motivos que sustentam a prisão temporária do ex-ministro da Fazenda e da Casa Civil, Antonio Palocci, principal alvo da operação desta segunda, é rastrear esse dinheiro. O valor teria sido pago em espécie para Palocci e outros agentes, não identificados pelo delegados. <p><p>Ele explicou que as transferências bancárias investigadas no âmbito da operação desta segunda foram realizadas apenas na conta da empresa Shell Bill, que pertence ao casal de marqueteiros João e Mônica Santana.<p><p>Pace ainda destacou que a prisão temporária se justifica pelos crimes que Palocci cometeu a favor de si mesmo e de seu grupo político, o PT. "Mesmo fora de qualquer cargo, Palocci continuava a intermediar valores do governo federal." Ele ainda salientou que o crime de corrupção não pede comprovação de recebimento de propinas. "O fato de pedir vantagens ilícitas já configura crime", explicou. <p><p>Já o delegado Igor Romário de Paula negou que as investigações tenham qualquer relação com o período eleitoral. "A investigação é pautada nos fatos, não tem nada a ver com a eleição. A investigação tem seu próprio tempo", afirmou. <br /><br /><b>Fonte: </b>Estadao Conteudo

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