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Política & Poder

Kicis quer usar Entorno para compor base do PSL

Arquivo Geral

25/02/2019 7h00

Atualizada 24/02/2019 20h07

Foto: Reprodução/Câmara dos Deputados

Eric Zambon
eric.zambon@grupojbr.com

A ascensão meteórica do PSL no Brasil, alavancada pela candidatura de Jair Bolsonaro à presidência, contrastou com a irrelevância da sigla nas últimas eleições no DF. Para mudar o quadro, Bia Kicis, deputada federal eleita pelo PRP e recém-filiada ao partido, assumirá a presidência local a partir de março com promessa de aumentar a base e lançar candidaturas majoritárias em 2022.

“Nossas intenções são de, em 2020, trabalhar no Entorno, porque muitos moradores de lá votam no DF”, revela Kicis. Portanto, ao garantir prefeitos e vereadores ligados a ela nas eleições municipais do próximo ano, ela espera que o partido cresça sua base de filiados (e eleitores) de fora para dentro. “Só em Águas Lindas (GO) temos 40 mil eleitores que votam em Brasília”, exemplifica.

Espalhando a palavra

Outra estratégia traçada pela futura mandatária do PSL-DF é espalhar escritórios do partido pela capital e seus arredores. Atualmente, o diretório local funciona em uma salinha no Setor de Rádio e TV Norte, sem possuir extensões em outros pontos da cidade, além da sede nacional, em uma sala mais turbinada no Setor Hoteleiro Norte.

“Hoje, somos o maior partido nacional e temos que ser o maior partido local”, defende a deputada. Segundo ela, o foco agora não é no número de filiados – Kicis admitiu não saber a quantidade exata e nem ter uma projeção em números -, mas o tipo de gente para encorpar os quadros do partido. “Queremos, acima de tudo, qualidade e pessoas alinhadas com o projeto do PSL. Não temos pressa”, garante.

Quarto candidato mais votado ao governo no ano passado, o general Paulo Chagas (hoje sem partido) é um dos nomes com quem a nova gestão pensa em trabalhar, mas o militar reformado não parece muito animado. “Terminou a eleição e já tinha gente raciocinando para 2022. Eu disse: eu não sou candidato“’”, conta. Elepõe panos quentes. “Se eu começar campanha agora para competir com o Ibaneis em quatro anos, serei mais do mesmo, um político”, justifica. Admite, porém, que se decidir voltar ao meio, o PSL é a única opção.

Lealdade e birra criaram cisão interna

Ainda presidente do diretório regional do PSL, Newton Lins, que se candidatou sem sucesso a deputado federal nas eleições de outubro de 2018, não foi encontrado para comentar sua saída. Durante a campanha, porém, ele falou bastante sobre o descontentamento com o grupo que levou Bolsonaro ao partido. Principalmente com o presidente interino da época, Gustavo Bebianno.

Lins se recusou a ceder seu lugar para algum indicado político do então candidato Bolsonaro sob a alegação de ter sido eleito para o cargo. Ele também disse não reconhecer a liderança de Bebianno e declarou lealdade a outra figura polêmica da legenda, o empresário Luciano Bivar, que estava licenciado da presidência nacional do PSL para se concentrar na própria candidatura a deputado federal por Pernambuco.

Assim, ele foi boicotado pela própria Executiva Nacional e agiu por conta própria, tendo declarado apoio primeiro a Izalci Lucas (PSDB) e depois a Ibaneis Rocha (MDB), ignorando a orientação de coligar com general Paulo Chagas, então no PRP.

 


Saiba Mais

  • A distância entre o que Newton Lins pensava para o diretório regional no DF era tão grande em relação ao projeto da Executiva Nacional de Bebianno que a orientação para apoiadores de Bolsonaro no DF foi se filiar ao PRP.
  • O PSL-DF acabou coligando com Ibaneis, no fim das contas, porque a candidatura de Izalci (PSDB) para o governo não vingou – o tucano acabou como candidato ao Senado na chapa de Alberto Fraga (DEM).
  • Com as recentes filiações do distrital Daniel Donizet e da federal Bia Kicis ao PSL, o partido tem membros ocupantes de cargos eleitos pela primeira vez em sua história em Brasília.
  • O PRP que abrigou os bolsonaristas dissidentes deixará de existir – foi incorporado ao Patriotas.

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