Menu
Política & Poder

Kátia Abreu sugere que Alcolumbre traiu Lula porque é judeu e depois apaga post

Ex-senadora nega antissemitismo e afirma ter admiração pelos judeus

Redação Jornal de Brasília

30/04/2026 15h17

Foto: Moreira Mariz/Agência Senado

Gustavo Zeitel
Folhapress


Cotada para disputar o governo do Tocantins, Kátia Abreu (PT) sugeriu, na noite da quarta-feira (29), que o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), traiu o presidente Lula (PT) porque é judeu. Sem citar nomes, a ex-senadora comparou Alcolumbre a Judas Iscariotes, em postagem na rede social X.

“Até um pé na bunda te joga pra frente. Nada como um dia após o outro e uma longa noite no meio. Judas era judeu. Pagou o preço que conhecemos. Cada época tem seu Judas”, dizia a publicação original.

Em seguida, Kátia editou o conteúdo, retirando a menção aos judeus. “Até um pé na bunda te joga pra frente. Nada como um dia após o outro e uma longa noite do meio. Cada época tem seu Judas.” Na manhã desta quinta-feira (30), nem a versão editada estava na rede social da ex-senadora.

“Já retirei”, escreveu Kátia à reportagem da Folha, negando ter cometido antissemitismo. “Jamais. Tenho, ao contrário, admiração”, afirmou, lembrando não ter citado nomes.

A declaração se inseria, no entanto, no contexto em que a ex-ministra do governo Dilma comentava a rejeição do Senado ao nome de Jorge Messias, indicado por Lula a uma vaga no STF (Supremo Tribunal Federal). Personagem aludida na postagem, Judas, foi o apóstolo que, segundo o evangelho, traiu Jesus, entregando-o a seus perseguidores.

Alcolumbre é judeu sefardita. Sua família tem origem no Marrocos e se instalou na região amazônica após a Segunda Guerra Mundial. Ele segue a tradição judaica e, em sua gestão, promulgou a lei do Dia da Celebração da Amizade Brasil-Israel.

Também nas redes sociais, especialistas e militantes contra o antissemitismo se mobilizaram contra a publicação da ex-senadora. O sociólogo Matheus Alexandre, que estuda o ódio contra judeus, afirmou que Kátia “invocou uma das formas mais bárbaras de antijudaísmo” ao associar Alcolumbre a Judas.

“Isso não é crítica política comum. É a reativação de um imaginário historicamente usado para perseguir, demonizar e desumanizar judeus por séculos. Imperdoável antissemitismo”, escreveu no Instagram.

    Você também pode gostar

    Assine nossa newsletter e
    mantenha-se bem informado