JOSÉ MARQUES E LUÍSA MARTINS
FOLHAPRESS
A Polícia Federal cumpre buscas e apreensões nesta quinta-feira (17) contra o empresário José Marcos de Moura, conhecido como o “Rei do Lixo”, com o objetivo de apurar suspeitas de direcionamento de licitações na Prefeitura de Belo Horizonte entre 2024 e 2025.
A corporação pediu busca contra ACM Neto, candidato ao Governo da Bahia pelo União Brasil, mas o relator da apuração, o ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Kassio Nunes Marques, negou a solicitação.
O pedido foi feito ainda em janeiro, antes do período eleitoral, e em fevereiro a PGR (Procuradoria-Geral da República) se manifestou a favor das buscas.
A operação é a 10ª fase da Operação Overclean, e trata de suspeitas relacionadas ao fornecimento de serviços e de materiais didáticos. Em fases anteriores, ela atingiu prefeitos, deputados e servidores públicos desde que foi deflagrada, em dezembro de 2024.
Em nota, ACM Neto disse que essa é “uma nova tentativa de influenciar na eleição da Bahia” por meio de “vazamentos seletivos”.
“A Operação Overclean começou em dezembro de 2024 e, nesses quase dois anos, nunca houve o apontamento de qualquer tipo de conduta que me relacionasse à prática de ato ilícito”, afirmou o candidato. “Não houve justamente porque não tenho nenhuma relação com qualquer dos fatos que estão sendo investigados.”
“A completa e total inconsistência dessas insinuações foi confirmada pela decisão do STF, que indeferiu o pedido formulado na representação, conforme divulgado pela imprensa.”
“Seguirei rodando o estado, divulgando minhas propostas de governo e dialogando com a população, até o dia 4 de outubro, quando o povo terá oportunidade de dar uma resposta nas urnas.”
A defesa de Moura também foi procurada e não se posicionou.
Neto é vice-presidente do União Brasil e, segundo a apuração, teria indicado um secretário suspeito de cometer irregularidades em Belo Horizonte.
A investigação apurava a relação da gestão de Fuad Noman (morto em 2025), na Prefeitura de Belo Horizonte, com Moura.
Um dos alvos é Bruno Oitaven Barral, ex-secretário da Educação da capital mineira, que é suspeito de ter direcionado as licitações para o grupo do Rei do Lixo.
Antes, Barral tinha trabalhado na gestão de ACM Neto na Prefeitura de Salvador. A reportagem não localizou a defesa do ex-secretário.
A apuração da PF aponta que ACM Neto conversou por telefone mais de 200 vezes com Moura entre agosto e dezembro de 2024, inclusive em uma data na qual o grupo do empresário teria transportado malas com cerca de R$ 5 milhões em Salvador.
São cumpridos nesta quinta 24 mandados de busca e apreensão em Minas Gerais, na Bahia, em São Paulo, no Tocantins, no Paraná e no Espírito Santo.
Segundo nota da PF, “nos procedimentos analisados, ao menos três resultaram em contratos que, somados, ultrapassam R$ 80 milhões. Outros processos de contratação também são objeto da investigação”.
“Os fatos apurados podem caracterizar, em tese, crimes contra a Administração Pública, fraudes em licitações e contratos, organização criminosa e lavagem de dinheiro”, diz a corporação.
Ano passado, a Polícia Federal pediu o afastamento de Bruno Reis (União Brasil), prefeito de Salvador, na operação.
Pessoas com acesso à investigação apontam que Kassio não viu justificativas para uma medida extrema como essa à época, e também não viu indícios que conectem diretamente o caso investigado a ACM Neto.
A Overclean já atingiu prefeitos, deputados e servidores públicos desde que foi deflagrada, em dezembro de 2024.
As ações resultaram em cenas de dinheiro jogado da janela, guardado em gavetas e escondido em botas.
Já foram alvos parentes do deputado Elmar Nascimento (União Brasil-BA) e os também deputados Félix Mendonça (PDT-BA), alvo de buscas, e Dal Barreto (União Brasil-BA).
Kassio nega busca sobre ACM Neto em operação da PF que apura suspeita de fraude em licitação
Procurado por meio da assessoria às 7h40, ACM Neto ainda não se manifestou. A defesa de Moura também foi procurada e não se posicionou
Ministro Kassio Nunes, presidente do TSE. Foto: Gustavo Moreno/STF