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Política & Poder

Kassio nega busca sobre ACM Neto em operação da PF que apura suspeita de fraude em licitação

Procurado por meio da assessoria às 7h40, ACM Neto ainda não se manifestou. A defesa de Moura também foi procurada e não se posicionou

Redação Jornal de Brasília

17/09/2026 8h39

kassio nunes

Ministro Kassio Nunes, presidente do TSE. Foto: Gustavo Moreno/STF

JOSÉ MARQUES E LUÍSA MARTINS
FOLHAPRESS

A Polícia Federal cumpre buscas e apreensões nesta quinta-feira (17) contra o empresário José Marcos de Moura, conhecido como o “Rei do Lixo”, com o objetivo de apurar suspeitas de direcionamento de licitações na Prefeitura de Belo Horizonte entre 2024 e 2025.

A corporação pediu busca contra ACM Neto, candidato ao Governo da Bahia pelo União Brasil, mas o relator da apuração, o ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Kassio Nunes Marques, negou a solicitação.

O pedido foi feito ainda em janeiro, antes do período eleitoral, e em fevereiro a PGR (Procuradoria-Geral da República) se manifestou a favor das buscas.

A operação é a 10ª fase da Operação Overclean, e trata de suspeitas relacionadas ao fornecimento de serviços e de materiais didáticos. Em fases anteriores, ela atingiu prefeitos, deputados e servidores públicos desde que foi deflagrada, em dezembro de 2024.

Em nota, ACM Neto disse que essa é “uma nova tentativa de influenciar na eleição da Bahia” por meio de “vazamentos seletivos”.

“A Operação Overclean começou em dezembro de 2024 e, nesses quase dois anos, nunca houve o apontamento de qualquer tipo de conduta que me relacionasse à prática de ato ilícito”, afirmou o candidato. “Não houve justamente porque não tenho nenhuma relação com qualquer dos fatos que estão sendo investigados.”

“A completa e total inconsistência dessas insinuações foi confirmada pela decisão do STF, que indeferiu o pedido formulado na representação, conforme divulgado pela imprensa.”

“Seguirei rodando o estado, divulgando minhas propostas de governo e dialogando com a população, até o dia 4 de outubro, quando o povo terá oportunidade de dar uma resposta nas urnas.”

A defesa de Moura também foi procurada e não se posicionou.

Neto é vice-presidente do União Brasil e, segundo a apuração, teria indicado um secretário suspeito de cometer irregularidades em Belo Horizonte.

A investigação apurava a relação da gestão de Fuad Noman (morto em 2025), na Prefeitura de Belo Horizonte, com Moura.

Um dos alvos é Bruno Oitaven Barral, ex-secretário da Educação da capital mineira, que é suspeito de ter direcionado as licitações para o grupo do Rei do Lixo.

Antes, Barral tinha trabalhado na gestão de ACM Neto na Prefeitura de Salvador. A reportagem não localizou a defesa do ex-secretário.

A apuração da PF aponta que ACM Neto conversou por telefone mais de 200 vezes com Moura entre agosto e dezembro de 2024, inclusive em uma data na qual o grupo do empresário teria transportado malas com cerca de R$ 5 milhões em Salvador.

São cumpridos nesta quinta 24 mandados de busca e apreensão em Minas Gerais, na Bahia, em São Paulo, no Tocantins, no Paraná e no Espírito Santo.

Segundo nota da PF, “nos procedimentos analisados, ao menos três resultaram em contratos que, somados, ultrapassam R$ 80 milhões. Outros processos de contratação também são objeto da investigação”.

“Os fatos apurados podem caracterizar, em tese, crimes contra a Administração Pública, fraudes em licitações e contratos, organização criminosa e lavagem de dinheiro”, diz a corporação.

Ano passado, a Polícia Federal pediu o afastamento de Bruno Reis (União Brasil), prefeito de Salvador, na operação.

Pessoas com acesso à investigação apontam que Kassio não viu justificativas para uma medida extrema como essa à época, e também não viu indícios que conectem diretamente o caso investigado a ACM Neto.

A Overclean já atingiu prefeitos, deputados e servidores públicos desde que foi deflagrada, em dezembro de 2024.

As ações resultaram em cenas de dinheiro jogado da janela, guardado em gavetas e escondido em botas.
Já foram alvos parentes do deputado Elmar Nascimento (União Brasil-BA) e os também deputados Félix Mendonça (PDT-BA), alvo de buscas, e Dal Barreto (União Brasil-BA).

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