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Política & Poder

Juiz denuncia omissão de TJ e entidades pedem intervenção do CNJ

Arquivo Geral

22/04/2015 7h00

Ex-presidente do Tribunal de Justiça do Espírito Santo (TJES), o desembargador Pedro Valls Feu Rosa denuncia a morosidade no julgamento de processos  e diz, em carta, que tem sofrido  ameaças de morte por sua postura em questionar a omissão do Poder Judiciário no estado e insistir no julgamento de processos . Cinco sindicatos de trabalhadores se reuniram e pediram ao Conselho Nacional de Justiça (CNJ) que intervenha e apure as denúncias no Tribunal.

No dia 23 de março, o desembargador enviou ofício à Comissão de Segurança Institucional do Tribunal relatando os fatos  recusando a escolta policial oferecida pelo Tribunal. No texto, ele pede que os processos “relativos a corrupção,  improbidade e pistolagem” sejam postos a andar. 

Diante do cenário de ameaças, ele sugere ainda a federalização dos processos, dada a “falta de condições para o funcionamento” do Poder Judiciário no estado. 

Prescrição

E, citando casos arquivados por prescrição, o desembargador diz que o problema do TJES está na “falta de firmeza” e de “personalidade institucional”. “Os anos passam e os processos  seguem em uma espécie de ‘limbo jurídico’, aguardando o dia da prescrição”, escreve. 

Valls denuncia que processos oriundos de quatro “operações de ampla envergadura” — três da Polícia  Civil e  um da Polícia Federal —, ele, na condição de desembargador, não consegue nem sequer localizá-los. “As denúncias contidas nessas quatro operações são gravíssimas, envolvendo desde corrupção até narcotráfico”, argumenta. 

Julgamento imediato

» Recentemente, o Conselho Nacional de Justiça (CNJ) determinou  o julgamento imediato de um processo que tramita no TJES desde 2009. A determinação do colegiado partiu de representação por excesso de prazo relativa aos magistrados capixabas Ubirajara Paixão Pinheiro e Ney Batista Coutinho.

» Inicialmente, a reclamação foi negada por decisão individual da corregedora  Nancy Andrighi, que não detectou lentidão no processo sem justificativa. No voto divergente, que acabou seguido por unanimidade, a conselheira Maria Cristina Peduzzi argumentou que não se trata de punir magistrados que comprovadamente não cometeram infração, mas de determinar que o caso seja julgado.  “O único socorro que o cidadão tem quando o juiz não julga é o CNJ, por isso a minha divergência com a Corregedoria”, disse.

Sociedade quer apuração
Diante das denúncias do desembargador  Pedro Valls, cinco entidades que representam trabalhadores resolveram escrever ao CNJ, pedindo a realização de correição extraordinária no TJES, para apuração dos fatos, “visando restaurar a ordem e a justiça no solo capixaba”.
Assinam a representação, datada de 30 de março de 2015, dirigentes do  Sindicato dos Empregados em Empresas de Processamento de Dados e Trabalhadores em Informática no Estado, Sindicato dos Policiais Civis do Estado, Sindicatos dos Servidores Públicos Estaduais  Sindicato dos Enfermeiros e do Sindicatos dos Bancários.
No texto, mencionam as denúncias que “levantam incertezas” sobre a atuação  do Judiciário no estado. 
 
Tramitação “normal”
Em nota, o TJES, por meio da assessoria de imprensa, informou que todos os processos citados  no documento protocolado no CNJ “estão tramitando normalmente, conforme informações prestadas pelos próprios juízes titulares das comarcas por onde as ações tramitam”. 
Perguntado se há apuração em curso referente às denúncias em questão, o Tribunal limitou-se a informar que “não há motivos para apurações”. E também negou que houvesse algum tipo de interferência externa  para impedir o julgamento de casos de corrupção ou que os desembargadores sintam-se  ameaçados por réus em processos que tramitam no Tribunal.
 
 
 

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