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Inquérito mostra lista de números hackeados por grupo

Diversas autoridades, jornalistas e pessoas públicas tiveram os celulares invadidos. Dentre as vítimas, está o presidente Bolsonaro e parte da família, Moro, Rodrigo Maia

Por Willian Matos 20/12/2019 12h44

O grupo acusado de invadir mais de 1000 telefones celulares hackeou aparelhos de cerca de 80 pessoas públicas do país entre autoridades, jornalistas e outras personalidades. Dentre as vítimas, estão o presidente Jair Bolsonaro e os irmãos Flávio e Eduardo Bolsonaro, o presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia e o ministro da Justiça e Segurança Pública, Sergio Moro.

Janot foi quem teve o telefone acessado mais vezes — foram 76. Em seguida, vem o procurador Deltan Dallagnol, coordenador da força-tarefa da Operação Lava Jato, com 37. 

Na lista, ainda aparecem nomes como o presidente Jair Bolsonaro, que teve os celulares funcional e reservado acessados sete vezes. Os filhos, o deputado Eduardo Bolsonaro (sem partido-SP), também teve dois telefones invadidos, sendo um 10 e outro sete vezes. O senador Flávio Bolsonaro (sem partido-RJ) também foi vigiado sete vezes.  O presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia, recebeu as “visitas” 10 vezes.

O ex-procurador-geral da República Rodrigo Janot, a deputada Gleisi Hoffmann, presidente do PT, o ministro da Educação, Abraham Weintraub, o ex-prefeito do Rio de Janeiro Eduardo Paes, o ex-governador do Rio Pezão, o presidente do Senado Federal, Davi Alcolumbre e o apresentador Pedro Bial também foram vítimas dos ataques.

Veja a lista completa:

 

 

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A lista consta em inquérito da Polícia Federal apresentado à Justiça na quinta-feira (19), ao qual o Jornal de Brasília teve acesso. O documento mostra que os hackers invadiam os aparelhos através de ligações cujo número chamador era o próprio celular da vítima. Por vezes, os contatos também eram feitos por números atípicos, como “000041” e mensagens referentes a códigos de verificação do aplicativo Telegram e a protocolos da operadora TIM confirmando adesão a serviços não solicitados. 

Em 177 páginas de inquérito, a PF mostra, em detalhes, o nome das pessoas que tiveram os celulares invadidos, o DDD e os quatro primeiros dígitos dos números e a quantidade de ligações recebidas. Ao todo, eles realizaram 7699 ligações em que o número de origem era igual ao de destino, atingindo 1727 números de telefone diferentes.

Abaixo, o inquérito completo:

A PF ainda realiza diligências para identificar todas as vítimas dos hackers.

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Denúncia

Na última quarta, a Polícia Federal concluiu o inquérito da Operação Spoofing e apresentou relatório à 10ª Vara Federal em Brasília, indiciando os seis investigados pelo hackeamento de dispositivos de mais de mil pessoas. Foram indiciados Walter Delgatti Neto (o Vermelho), Danilo Marques, Luiz Molição e Tiago Elieser, que permanecem presos desde julho, quando foi realizada a primeira fase da operação. Suelen Priscila e Gustavo Santos estão soltos e aguardam o desfecho do processo em prisão domiciliar.

Quatro dos seis indiciados. Foto: Reprodução

O sexteto reponde por integrar organização criminosa, invasão de dispositivo informático alheio e interceptação de comunicação telemática ilegal. Suellen, no entanto, foi indiciada apenas por participação em organização criminosa, e Luiz Molição somente por interceptação ilegal.

A Polícia Federal decidiu ainda abrir uma nova investigação para saber se houve financiamento para que o grupo praticasse as invasões é também para apurar possível crime de obstrução de investigações. Nesta próxima etapa, os investigadores vão apurar as informações apresentadas na delação de um dos hackers, Luiz Molição.

O grupo é suspeito de ter invadido as comunicações via Telegram de Moro e Dallagnol no auge da Lava Jato. Conversas entre os dois indicariam suposta combinação na condução da operação.

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