Eric Zambon
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A indicação de Gilvan Máximo (PRB) para a Secretaria de Ciência e Tecnologia, anunciada ontem, foi a primeira de caráter declaradamente político até o momento no governo de transição de Ibaneis (MDB). Vice-presidente do PRB de Goiás, Máximo é empresário do ramo da construção civil e foi secretário do Entorno do DF durante a gestão de Marconi Perillo (PSDB) no estado vizinho.
O próprio novo secretário admitiu a necessidade de “estudar administração” antes de assumir o cargo. Em sua primeira fala, concentrou os objetivos a curto e médio prazo na evolução do monitoramento e policiamento da cidade com uso de tecnologia avançada. Nas últimas gestões da pasta, no entanto, o foco foi a realização de eventos e manutenção e reabilitação de prédios públicos, a exemplo do Planetário.
Mezzo a mezzo
Nomes como Ericka Filippelli (MDB), designada para cuidar da pasta da Mulher, e Sarney Filho (PV), indicado para a Secretaria do Meio-Ambiente, também serviram a propósitos políticos. No entanto, ambos tiveram experiência com as áreas para as quais foram nomeados e, portanto, cumpriram exigências técnicas. Ericka é a presidente do MDB Mulher enquanto Sarney já foi ministro do Meio Ambiente do governo de Michel Temer (MDB).
Da mesma forma, ao colocar o ex-procurador do Ministério Público do Trabalho (MPT) João Pedro Ferraz, na Secretaria do Trabalho, Ibaneis atendeu a um anseio do PPL ao mesmo tempo que seguiu critérios técnicos.
No caso de Jeansley Lima, futuro presidente da Companhia de Desenvolvimento (Codeplan), a indicação foi estritamente técnica. Até porque Lima é filiado ao Partido dos Trabalhadores (PT) e não circula no mesmo espectro político que o governador eleito.
Antecipado na última sexta-feira, ele só foi formalmente apresentado ao público ontem, logo após a apresentação de Gilvan Máximo, no gabinete de transição, no CICB. Em tom informal, ele afirmou que pretende reestruturar a Codeplan para adequar a empresa pública à Lei nº 13.303/16.
“Temos que ver se pode se transformar no formato de Instituto, autarquia, temos que ver”, disse Lima. “Já existe uma discussão interna, em virtude da lei. Como é dependente do governo local, é preciso adequar a natureza jurídica”, explicou.
Outra preocupação dele é readequar o quadro de funcionários. Segundo o futuro presidente da empresa, não há concurso para o local desde 1988, quando foi promulgada a Constituição Cidadã, e, desde então, servidores de outras pastas são emprestados.
Governador quer “cidade inteligente”
A secretaria de Ciência e Tecnologia deve ganhar bastante importância se o projeto de Ibaneis para criar uma cidade inteligente (smart city) for colocado em prática. Na última semana, o governador eleito já havia anunciado a intenção de copiar modelos de Nova York, nos EUA, Amsterdã, na Holanda, e Tóquio, no Japão.
Na Big Apple, por exemplo, uma parceria entre a administração pública e a gigante das comunicações Cisco transformou telefones públicos, os famosos orelhões, em pontos de wi-fi compartilhado. Ibaneis já mencionou ter desejo por promover algo parecido em Brasília, melhorando e inovando o sistema primário já existente.
Outra premissa da smart city é usar drones e equipamentos de vigilância para aumentar os olhos das autoridades pela cidade. Em sua apresentação, Gilvan Máximo comentou justamente que pretende intensificar esforços nesse sentido, se valendo de uma experiência similar que teria ajudado a implementar junto à polícia de Goiás.
Segundo o novo secretário, os agentes de segurança goianos foram os primeiros do mundo a receber denúncias de ocorrências por meio de redes sociais e aplicativos de mensagens. Nos próximos dias, outros nomes serão anunciados e é provável que, ainda esta semana, o esperado titular da pasta de Saúde seja, enfim, confirmado.
Saiba Mais
Após um mês das eleições de 2018, o governo de transição está bastante encaminhado em sua composição. Trinta e cinco nomes já foram anunciados, seguindo variados critérios.
Dentre os indicados, 21 ocuparão secretarias de estado, quatro serão comandantes de forças de segurança e 10 presidirão autarquias ou empresas estatais de direito privado.
O único anúncio do dia foi o de Gilvan Máximo (PRB). Na terça-feira, João Pedro Ferraz (PPL), foi confirmado para a pasta do Trabalho, bem como Pedro Luiz Rodrigues para a inédita Secretaria de Relações Internacionais.
Dos nomes para as empresas ou autarquias públicas, o único que sobreviverá à mudança de gestão será o de Júlio César Reis, já confirmado na Terracap.