Francisco Dutra
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O comando político do Buriti arregaçou as mangas para manter o apoio dos partidos da base. Estratégia semelhante deverá ser aplicada na Câmara Legislativa. Neste ano pré-eleitoral, o GDF não descarta a perda de alguns deputados distritais, mas o objetivo é preservar uma frente governista ampla no Legislativo.
No final do ano passado, a relação entre os deputados governistas e o GDF atingiu ponto de ebulição durante a eleição do novo presidente da Câmara. O governador Agnelo Queiroz escolheu o petista Wasny de Roure para o posto. Mas parte da base moveu-se agressivamente para viabilizar outro nome. O Buriti ganhou a queda de braço, mas o desgaste levou medalhões governistas a afirmarem que havia chegado a hora de reduzir a base ampla para formatação mais enxuta e confiável.
Passadas as festas de fim de ano, o Executivo acalmou os ânimos. Hoje, a tendência é que o Buriti busque postura mais conciliatória. “O governo trabalha para compor com todo mundo. Se as pessoas quiserem sair é outra coisa. Mas do meu ponto de vista, não acredito que a base deva sofrer uma grande redução neste ano”, disse o deputado distrital Chico Vigilante (PT), parlamentar com trânsito livre entre o Legislativo e o Buriti.
Firme na base, o deputado distrital Cláudio Abrantes, atualmente sem legenda, avalia que as movimentações para permanência ou saída da base deverão ganhar mais consistência após o feriado da Semana Santa. Em fevereiro, os distritais deverão centrar a atenção na definição dos comandos das comissões da Câmara. “Vamos ter uma noção real do que é efetivamente a base e a definição de posições políticas quando as eleições forem se aproximando”, ponderou.
O distrital lembrou que a definição de posições também dependerá de movimentos que vão além dos gabinetes dos deputados e das paredes do Buriti. “Tem a questão das chapas majoritárias. Por exemplo, qual vai ser decisão do
PDT e do PSB? Eles vão lançar candidatos? Há o PSD que ainda não se decidiu sobre ir ou não para a base. E há o grupo do ex-governador (Joaquim) Roriz. Ele pode sair como candidato? Vai indicar outra pessoa? Tudo isso pesará no afastamento ou até na aproximação dos deputados”, disse Abrantes.
Pesquisas ajudam a definir
A permanência ou debandada de distritais está estreitamente ligada aos índices de aprovação popular do governo. Valdir Pucci, cientista político do Centro Universitário UDF, considera que a instabilidade da base tem raízes nos atuais índices de popularidade do GDF.
“No Brasil a ideia de alianças políticas não é muito baseada em componentes ideológicos. Vincula-se mais a perspectivas de poder e a se estar bem avaliado em pesquisas. É bem diferente de outros países”, comenta.
Nesse sentido, Pucci considera que o GDF tem dois caminhos. O primeiro é justamente buscar uma melhor avaliação popular com projetos e ações. O segundo é compensar a falta de aprovação popular ampliando os espaços para acomodação dos parlamentares dentro do próprio Executivo. Em outras palavras, Pucci acredita que o GDF pode escolher entre a política do “toma-lá-dá-cá” ou buscar resultados concretos junto à população.
Na perspectiva do deputado Cláudio Abrantes, o governo ainda tem tempo suficiente para mostrar serviço à população. Neste ano, o GDF conta com um orçamento de R$ 5 bilhões para investimentos, dos quais R$ 3 bilhões correspondem a recursos próprios e o restante a repasses federais. “Esse projeto de governo tem tudo para deslanchar neste ano. E as definições, políticas, vão depender dos resultados em Educação, Saúde, Transporte e Segurança”, concluiu.