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Política & Poder

Governo envia projetos para criar universidades federais indígena e do esporte

As duas universidades terão como foco os povos originários e a formação ligada ao esporte de rendimento

Redação Jornal de Brasília

27/11/2025 21h26

Foto: Agência Brasil

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS)

O governo federal anunciou nesta quinta-feira (27) o envio ao Congresso dos projetos de lei que criam a Unind (Universidade Federal Indígena) e a UFEsporte (Universidade Federal do Esporte). Se aprovadas, as medidas ampliarão a rede de ensino superior para 71 universidades federais.


As duas universidades terão como foco os povos originários e a formação ligada ao esporte de rendimento. A previsão inclui oferta de cursos de graduação e pós-graduação, com sede em Brasília e estrutura multicampi.


Participaram do anúncio o presidente Lula e os ministros Camilo Santana (Educação), André Fufuca (Esporte) e Sonia Guajajara (Povos Indígenas). Com as novas unidades,
A tramitação no Congresso também definirá o cronograma de implantação e funcionamento.


Pela proposta encaminhada ao Congresso, a Unind adotará processos seletivos próprios e abrirá, na etapa inicial, dez cursos, com expansão prevista para até 48 graduações. O projeto segue a política dos TEEs (Territórios Etnoeducacionais) e a educação escolar indígena, demanda apresentada por lideranças há 15 anos.


A universidade deve atender cerca de 2.800 estudantes indígenas nos primeiros quatro anos. A formação prioriza áreas como gestão ambiental e territorial, saúde, direito, agroecologia, engenharias, formação de professores e promoção das línguas indígenas.


Embora tenha como público prioritário os povos indígenas, a ideia é que a Unind permita a matrícula de estudantes não indígenas interessados em educação e culturas originárias, conforme as diretrizes acadêmicas previstas no projeto.


Durante a cerimônia, a ministra Sonia Guajajara afirmou que a iniciativa representa o resultado dos esforços de professores indígenas que reivindicavam uma educação pública que incorpore saberes desses povos. Segundo ela, o projeto leva esperança a jovens que sonham com o acesso ao ensino superior, mas não tiveram oportunidades.


“A Universidade Federal Indígena representa mais que uma nova instituição de ensino superior. Concretiza uma reparação histórica e apresenta ao Brasil e ao mundo uma proposta de produção de conhecimento que rompe com a lógica colonial”, disse a ministra.


Já a UFEsporte nasce da parceria entre o Ministério da Educação e o Ministério do Esporte. De acordo com Camilo Santana, o projeto ainda não passou pelas mesmas etapas da Unind e terá um processo de discussão com entidades paralímpicas, olímpicas e atléticas para formatação do projeto.


Além de graduações e pós-graduações, a instituição ofertará cursos tecnólogos presenciais e a distância nas áreas de ciência do esporte, educação física, gestão esportiva, medicina e nutrição esportiva. A universidade pretende 3.000 estudantes em até quatro anos


O anúncio aponta como objetivo formar profissionais para atuação técnica, gestão de políticas públicas e desenvolvimento do esporte de alto rendimento, além de atender atletas em transição de carreira. A definição dos cursos da sede em Brasília ocorrerá ao longo de 2026.


As propostas incluem diretrizes de inclusão, com foco em equidade de gênero, combate ao racismo e ampliação do acesso de pessoas negras, indígenas e com deficiência. Grupos interministeriais ainda vão elaborar os projetos acadêmicos e administrativos.

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