Francisco Dutra
francisco.dutra@grupojbr.com
Os deputados distritais governistas e favoráveis ao governador Ibaneis Rocha (MDB) começaram a formar novos blocos dentro da Câmara Legislativa. Para conquistar a presidência da Casa e as comissões, o grupo formou o mega-bloco “Para Unir o DF”, com 17 parlamentares. Agora, estão construindo blocos menores para ter um número maior de líderes. Movimento necessário para controlar as votações e ações legislativas.
Cada bloco tem uma liderança, com poder de voto no Colégio de Líderes. Essa instância define semanalmente a agenda de votações na Câmara. Ou seja, ter maioria dos líderes facilita para o governo emplacar pautas ou barrar temas indigestos. O mesmo vale para a oposição e os deputados independentes. Ter controle do Colégio é um passo estratégico para levar ou não para votação pautas polêmicas como a revisão da Lei do Silêncio, a Escola Sem Partido, a ampliação do Instituto de Gestão Estratégica da Saúde (IGES) ou a repaginação da Agência de Fiscalização (Agefis).
Além disso, o líder tem mais tempo para poder debater os temas em discussão no plenário. A princípio, o Palácio do Buriti não pretende interferir na redistribuição de forças entre aliados de primeira e segunda hora. A única preocupação do Executivo é que o novo desenho garanta a maioria no Colégio de Líderes, com quatro ou cinco blocos. Na quinta-feira (30), cinco governistas formaram o “Bloco Justiça Social”. O grupo é formado por Eduardo Pedrosa (PTC), Robério Negreiros (PSD), Daniel Donizet (PRP), Jorge Vianna (Podemos) e Iolando Almeida (PSC).
O bloco parlamentar será liderado por Pedrosa e o vice-líder será Jorge Vianna. Por outro lado, Reginaldo Sardinha (Avante) e João Cardoso (Avante) também articulam a formação de outro bloco. “Está sendo construído. Mas deve ser um bloco com cinco parlamentares”, antecipou Sardinha, sem revelar quem são os possíveis aliados.
Oposição se distribui em duas frentes
Por enquanto, a oposição e independentes formam dois blocos na Câmara. O primeiro deles é formado por Chico Vigilante (PT), Arlete Sampaio (PT) e Fábio Félix (PSOL). O segundo é composto por Reginaldo Veras (PDT), Cláudio Abrantes (PDT) e Leandro Grass (Rede). Ressaltando que Abrantes é o líder de governo na Casa. A deputada distrital Júlia Lucy (NOVO) caminha de forma independente.
Apesar dos números diminutos, a nova oposição já mostrou força e grande capacidade de organização. No polêmico debate para a ampliação do modelo do Instituto Hospital de Base na rede pública, com a criação do IGES, o grupo conseguiu obstruir a votação e forçar o governo a dimunuir o tamanho do projeto, retirando por exemplo do Hospital Regional de Taguatinga da fase inicial.
Ao mesmo tempo, a oposição mostrou sinais de maturidade ao aprovar temas neutros e importantes para o Distrito Federal, como a aprovação da indenização para policiais civis dispostos a trabalhar nas folgas.
Saiba Mais
O Bloco “Para Unir o DF” foi composto por: Rafael Prudente (MDB), Delegado Fernando Fernandes (Pros), Delmasso (PRB), Martins Machado (PRB), Robério Negreiros (PSD), Agaciel Maia (PR), Roosevelt Vilela (PSB), José Gomes (PSB), Jorge Viana (Podemos), Iolando (PSC), Eduardo Pedrosa (PTC), Reginaldo Sardinha (Avante), João Cardoso (Avante), Hermeto (PHS), Valdelino Barcelos (PP), Daniel Donizet (PRP) e Jaqueline Silva (PTB).
Fernando Fernandes se licenciou do cargo para comandar a administração regional de Ceilândia. Seu lugar está sendo ocupado pela suplente Telma Rufino (Pros).