O ministro Gilmar Mendes, decano do Supremo Tribunal Federal (STF), acusou nesta terça-feira (15) o ministro André Mendonça de usar a relatoria do caso Master para interferir na eleição presidencial marcada para 4 de outubro.
Durante sessão plenária extraordinária convocada pelo presidente do STF, ministro Edson Fachin, Mendes afirmou ver “inequívoco viés político-eleitoral” na forma como o tema foi conduzido. “Isso não se faz, pessoas decentes não fazem isso”, disse o decano ao se dirigir a Fachin.
Em resposta, Mendonça classificou a acusação como “leviana” e afirmou: “Não aponte o dedo para mim”. Depois, ouviu calado a manifestação de Mendes, após Fachin assegurar que ele teria tempo para responder às imputações.
A sessão foi convocada para o Supremo analisar, pela primeira vez em sua história, se abre uma investigação de cunho criminal contra um de seus membros, no caso o ministro Alexandre de Moraes. O julgamento trata de um relatório da Operação Compliance Zero, da Polícia Federal, que vincula Moraes ao ex-banqueiro Daniel Bueno Vorcaro, dono do antigo Banco Master. O sigilo sobre o documento foi levantado por Mendonça em 1º de setembro.
Mendes também afirmou que Mendonça, relator do caso Master no Supremo, escolheu deliberadamente a data do julgamento para coincidir com as manifestações de 7 de setembro. “O interesse é evidente, acachapante. Evidente que se trata de um pixuleco, de um boneco eleitoral”, disse, em referência ao boneco inflável do presidente Luiz Inácio Lula da Silva que costuma aparecer em atos da oposição.
Ao final de sua fala, o decano apresentou questão de ordem para que o julgamento seja adiado para 23 de setembro, data em que Fachin marcou a análise de um pedido de Moraes para que Mendonça seja investigado por abuso de autoridade na condução do caso Master. Após a manifestação, a sessão foi suspensa para almoço e deve ser retomada às 14h.