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Política & Poder

Gestão Tarcísio pede ao STF mais prazo para entregar plano para recompor quadro de pesquisadores

PSOL pede multa após governo paulista não apresentar plano exigido pelo STF

Redação Jornal de Brasília

26/02/2026 14h00

Foto: Miguel Schincariol / AFP

Foto: Miguel Schincariol / AFP

RAMANA RECH
FOLHAPRESS

A gestão Tarcísio de Freitas (Republicanos) descumpriu o prazo fixado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) para apresentar um plano de recomposição do quadro de pesquisadores ligados ao meio ambiente, segundo o PSOL, e pediu mais tempo. Com isso, o partido solicitou na última terça (24) que o ministro Flávio Dino multe o governo paulista.

De acordo com a petição do PSOL, o prazo dado pelo ministro para apresentação do plano, de 30 dias úteis, expirou no dia 12 deste mês. O material deveria detalhar “metas verificáveis, fases de execução, critérios de reposição, prazos de realização de concursos públicos e reestruturação das carreiras técnicas”.

Em nota à Folha de S.Paulo, a Secretaria de Meio Ambiente, Infraestrutura e Logística (Semil) afirmou que terminará em março o trabalho da comissão técnica formada para preparar um concurso público para contratação de pesquisadores para o Instituto de Pesquisas Ambientais (IPA). A publicação do edital está prevista para este ano, segundo a pasta.

A ação faz parte da arguição de descumprimento de preceito fundamental (ADPF) 1.201, de autoria da deputada federal Luciene Cavalcante (PSOL). O processo avalia se o estado de São Paulo e a União realizaram atos e omissões que violam preceitos fundamentais da proteção ambiental. A ADPF também foi motivada por queimadas que ocorreram no estado de São Paulo em 2024.

Em liminar proferida no dia 17 de novembro do ano passado, Dino considerou que a redução da equipe ligada à pesquisa ambiental no estado comprometeu a proteção ao meio ambiente.

O Plenário referendou a liminar em 13 de fevereiro deste ano. Gilmar Mendes e André Mendonça foram os únicos a discordar da exigência do plano de recomposição. Em seu voto, Mendonça disse que a demanda gera o risco de que se cristalize “determinada opção de estrutura administrativa em detrimento de outra que seja constitucionalmente legítima”.

A deputada do PSOL disse ter ficado “satisfeita” com a decisão do tribunal, já que apenas dois ministros divergiram da decisão de Dino. “Conheço o trabalho dos dois, fazem voto muito importante em outras matérias, mas talvez não tenham compreendido o que de fato acontece aqui no estado de São Paulo.”

Dados do estado mostram que o número de pesquisadores ligados à área ambiental caiu de 217 para 115 ao longo de duas décadas.

O governo paulista argumenta na ADPF que modernizou e fortaleceu órgãos ambientais, com consolidação de competências, aumento de dotação orçamentária, ampliação da participação social e avanços em estratégias de prevenção a incêndios.

A gestão também disse que, mesmo com a queda de funcionários, houve aumento de 56,3% da quantidade de projetos em execução entre 2021 e 2025 no Instituto de Pesquisas Ambientais (IPA), que unificou os extintos Instituto Geológico e Botânico.

No último dia 20, o estado pediu extensão do prazo da apresentação do plano para 60 dias úteis. Em dezembro de 2025, a administração paulista havia solicitado a Dino que revisse a apresentação do plano para recomposição do quadro de pesquisadores. Nesta semana, o ministro negou o pedido.

A Procuradoria-Geral do Estado (PGE) argumentou que o tribunal estaria ultrapassando seu papel, que seria de indicar a finalidade a ser alcançada pelo governo, ao estipular quais medidas devem ser adotadas.

Segundo a Procuradoria, o governo “demonstrou a existência de um novo modelo de governança, baseado em redes de colaboração interinstitucional, parcerias com as universidades e o setor produtivo, além do uso intensivo de inovação tecnológica” e que, por isso, não tem atuado exclusivamente com pesquisadores ligados à Semil. O novo modelo tem mantido a pesquisa ambiental em “pleno funcionamento”, diz.

O documento também menciona que questões legislativas e orçamentárias limitam a atuação do Executivo e que o assunto é de “alta complexidade, cuja execução é materialmente impossível em prazo tão exíguo”.

Advogada do mandato de Cavalcante, Beatriz Branco afirmou que as políticas públicas não podem se sobressair à Constituição, que obriga entes públicos a protegerem o meio ambiente. “Quem fala se ultrapassou ou não o que está escrito na Constituição ou não é o STF.”

A presidente da Associação dos Pesquisadores Científicos do Estado de São Paulo (APqC), Helena Dutra, disse que os argumentos usados pela PGE desconsideram a sobrecarga dos pesquisadores que permanecem e “têm que trabalhar mais para dar conta”.

A presidente reconhece que houve um avanço tecnológico, o que também possibilitou a continuidade da pesquisa mesmo com um quadro menor. “Mas a pesquisa em meio ambiente não é uma pesquisa feita à distância. A gente tem que estar no campo.”

Em relação ao novo modelo citado pelo governo baseado em integração, ela diz que as parcerias sempre foram comuns nas áreas científicas ligadas à Semil.

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