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Geddel reaparece, exalta Lula e diz ‘vão ter que me engolir’

O ex-ministro Geddel (MDB) voltou à cena política da Bahia nesta sexta-feira e discursou publicamente pela primeira vez desde que foi preso

Por FolhaPress 01/07/2022 6h31
Foto: José Cruz/Agência Brasil

João Pedro Pitombo
Salvador, BA

O ex-ministro Geddel Vieira Lima (MDB) voltou à cena política da Bahia nesta sexta-feira (1º) e discursou publicamente pela primeira vez desde que foi preso em setembro de 2017, após a Polícia Federal descobrir um bunker com R$ 51 milhões em Salvador.

Ele exaltou o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), de quem disse ter orgulho de ter sido ministro, fustigou o pré-candidato a governador ACM Neto (União Brasil) e disse que ninguém irá o constranger.

“Explorem o que quiser, falem o que quiser, mas não vão cassar minha cidadania. Não nasceu ainda nem na Bahia e no Brasil ninguém para cassar minha coragem. […] Os que quiserem explorar, que o façam. Sabe por quê? Eu vou lembrar velho Zagallo: vão ter que me engolir, porra.”

As declarações foram dadas durante o lançamento das chapas proporcionais do MDB da Bahia, na sede do partido, ao lado de Geraldo Júnior (MDB), candidato a vice-governador na chapa liderada por Jerônimo Rodrigues (PT).

O emedebista está em liberdade condicional desde fevereiro deste ano na condenação por lavagem de dinheiro. Ele foi condenado pelo Supremo Tribunal Federal a 14 anos de prisão e ficou 4 anos preso em regime fechado.

Em seu discurso em Salvador, Geddel afirmou que candidaturas de Lula e do petista Jerônimo Rodrigues representam “um novo caminho de esperança”. E elogiou a retomada aliança do MDB com o PT da Bahia após 13 anos.

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“Jerônimo e Geraldo [Júnior], podem representar, junto com o ex-presidente Lula, a quem tive a honra de servir, como seu ministro, um novo caminho de esperança de olhar para os que mais precisam”, afirmou.

O emedebista ainda citou que enfrentou limitações para exercer sua militância e vocação, mas disse que ninguém vai o constranger.

Afirmou ainda que não vai responder aos que o criticam no anonimato da internet: “Não respondo porque não frequento ou bato boca com cafua ou pé de escada”.

Por fim, o emedebista conclamou aos adversários que debatam “na luz do dia, na clareza da planície”. E fez referência ao ex-prefeito de Salvador ACM Neto e ao prefeito Bruno Reis (União Brasil).

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“Vamos, por exemplo, falar do adversário nosso tido como o mais forte, o ex-prefeito e seu menino, o prefeito. Para ficar bastante claro, não reconheço na Bahia e não reconheço no Brasil ninguém com autoridade política ou moral para apontar o dedo para o calvário que eu tenho enfrentado.”

A volta à cena de Geddel acontece no mesmo dia em que Lula desembarcou em Salvador, onde participa neste sábado (2) do cortejo cívico do 2 de Julho, data que marca a Independência da Bahia.

Também está na capital baiana a presidenciável Simone Tebet (MDB), correligionária de Geddel, além de Ciro Gomes (PDT) e o presidente Jair Bolsonaro (PL).

Antes de decidir pelo apoio ao PT, em abril deste ano, Geddel vinha sendo cortejado tanto pelo governador Rui Costa (PT) quanto por ACM Neto.

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Geddel não possui cargo de comando no MDB, mas continua como figura influente nas decisões do partido. Ele estava presente no anúncio da parceria com o PT em abril, mas ficou longe dos holofotes.

Abordado por jornalistas na ocasião, Geddel afirmou que não estava participando do evento: “Eu sou curioso, vim aqui só para ver o movimento. Tenho uma reunião aqui em cima”, disse, enquanto seguia para o elevador do prédio comercial onde fica a sede do MDB baiano.

A aliança do PT com o MDB na Bahia representa uma reaproximação entre os partidos após 13 anos em campos opostos.

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O MDB foi parceiro do PT na primeira eleição de Jaques Wagner em 2006, o partido rompeu com o governo em 2009 para lançar a candidatura de Geddel Vieira Lima ao governo do estado.

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Depois da derrota em 2010, Geddel se alinhou à oposição nas duas eleições seguintes.








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