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Política & Poder

Geddel entrega carta de renúncia a Temer

Arquivo Geral

25/11/2016 11h14

Valter Campanato/Agência Brasil

O ministro da Secretaria de Governo, Geddel Vieira Lima, entregou há pouco, ao presidente Michel Temer, a carta na qual pede para deixar o cargo. A informação foi confirmada pela assessoria de imprensa de Geddel. Na íntegra da carta, Geddel afirma que o limite é o “sofrimento dos meus familiares” e acrescenta que é “hora de sair”.

Um dos nomes especulados para o cargo de ministro da Secretaria de Governo é o ex-vice-governador do Distrito Federal Tadeu Filippelli, atual assessor especial do presidente Michel Temer. Também se comenta o nome de Moreira Franco, ex-governador do Rio de Janeiro.

Pedido de favorecimento

A polêmica que determinou o afastamento de Geddel começou semana passada, com a saída de Marcelo Calero do Ministério da Cultura. Ele pediu demissão do cargo sexta-feira (18), alegando razões pessoais.

No fim de semana, em entrevista ao jornal Folha de S.Paulo, Calero afirmou que Geddel Vieira Lima o pressionou a intervir junto ao Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) para liberar a construção de um edifício de alto padrão em Salvador, onde ele adquiriu um imóvel. O empreendimento não foi autorizado pelo instituto e por outros órgãos por ferir o gabarito da região, que fica em área tombada.

Em seguida, Calero prestou depoimento à PF, na quarta-feira (23), e acusou o presidente Temer de pressioná-lo em busca de uma “saída” para desembargar a construção do condomínio onde Geddel comprou o imóvel.

Segundo o porta-voz da Presidência da República, Alexandre Parola, Temer teria procurado Calero para resolver o “impasse” com Geddel. No pronunciamento, o porta-voz afirmou que Temer “conversou duas vezes com o então titular da Cultura para solucionar impasse na sua equipe e evitar conflitos entre seus ministros”, mas sempre endossou “caminhos técnicos para solução de licenças em obras ou ações de governo”.

Parola destacou, ainda, que “o presidente buscou arbitrar conflitos entre os ministros e órgãos da Cultura sugerindo a avaliação jurídica da Advocacia Geral da União, que tem competência legal para solucionar eventuais dúvidas entre órgãos da administração pública”, já que havia “divergências entre o Iphan estadual e o Iphan federal” e que Temer trata todos seus ministros como iguais “e jamais induziu algum deles a tomar decisão que ferisse normas internas ou suas convicções”.

O porta-voz acrescentou que o presidente “tentou demover o ex-ministro de seu pedido de demissão e elogiou seu trabalho à frente da Pasta”, concluindo que, como Calero “sempre teve comportamento irreparável enquanto esteve no cargo”, era estranho ter afirmado “que o presidente o teria enquadrado ou pedido solução que não fosse técnica”.

 

Veja a íntegra da carta de Geddel Vieira Lima:

25cartageddelSalvador, 25 de novembro de 2016

Meu fraterno amigo Presidente Michel Temer,

Avolumaram-se as críticas sobre mim. Em Salvador, vejo o sofrimento dos meus familiares. Quem me conhece sabe ser esse o limite da dor que suporto. É hora de sair.
Diante da dimensão das interpretações dadas, peço desculpas aos que estão sendo por elas alcançados, mas o Brasil é maior do que tudo isso.

Fiz minha mais profunda reflexão e fruto dela apresento aqui este meu pedido de exoneração do honroso cargo que com dedicação venho exercendo.

Retornado a Bahia, sigo como ardoroso torcedor do nosso governo, capitaneado por um Presidente sério, ético e afável no trato com todos, rogando que, sob seus contínuos esforços, tenhamos a cada dia um país melhor.

Aos Congressistas, o meu sincero agradecimento pelo apoio e colaboração que deram na aprovação de importantes medidas para o Brasil.

Um forte abraço, meu querido amigo.

Geddel Vieira Lima

 

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