Menu
Política & Poder

GDF desperdiça recursos da internação domiciliar

Arquivo Geral

16/07/2013 8h50

Ainda que a saúde seja prioridade, ao menos no discurso do Governo do Distrito Federal, parece faltar uma luz no fim do túnel para o setor. Com pronto-socorros lotados, médicos que se recusam a trabalhar na rede pública sob o argumento de falta de estrutura, problemas de gestão e ambulatórios lotados, o governo continua a desperdiçar recursos, não os aplicando nas áreas previstas, como mostra um levantamento feito pelo deputado distrital Chico Leite (PT).

 

De acordo com o documento, desde 2010 os recursos destinados para a internação domiciliar, que, de forma supervisionada, reintegra o paciente ao convívio da família, não vêm sendo usados em sua integralidade. Ainda assim, ano após ano os valores destinados a esse fim têm aumentado.

 

Cada vez menos

Em 2010, o valor autorizado era de R$ 1,9 milhão, sendo que apenas R$ 1,5 milhão foi efetivamente utilizado. No ano seguinte, já no atual governo, o valor para a internação foi o mesmo, mas apenas R$ 508 mil foram usados.

 

Em 2012, a verba triplicou, passando a R$ 6 milhões. Apesar do aumento na utilização do recurso, apenas R$ 2 milhões do total foram usados. 

 

Neste ano foram destinados R$ 14 milhões à internação domiciliar, que até julho havia usado só R$ 1 milhão para o programa. “São R$ 14 milhões para serem investidos nesse programa do qual muita gente precisa, hoje em dia. Esses dados preocupam porque demonstram que o GDF não está empenhado em utilizar todo esse valor até dezembro. Vamos lutar para mudar esse quadro com urgência”, declarou Chico Leite.

 

Só 12 equipes

Atualmente, o programa conta com apenas 12 equipes, alocadas nas regionais de Sobradinho, Planaltina, Gama, Asa Norte, Guará, São Sebastião, Paranoá, Taguatinga, Ceilândia, Samambaia, Núcleo Bandeirante e Brazlândia, o que não é suficiente, segundo Leite, que cobra do governo a contratação de mais funcionários.

 

Gestão falha, diz técnico

De acordo com o professor Emerson Fachin Martins, pesquisador da Universidade de Brasília (UnB), o problema no emprego dos recursos é de gestão, já que os recursos estão sobrando.

 

“Falta aprimoramento na gestão dos recursos. O que tem que ser mudado é a gestão. Se fôssemos utilizar os recursos com a compra de unidades móveis, por exemplo, já seriam 50% desse total”, afirma o pesquisador, especializado em desospitalização, que elucida outro ponto: “Penso que devemos conhecer melhor as estratégias de internação domiciliar para poder colocá-las em prática e atender as necessidades da população. Hoje, não sabemos sequer reconhecer se um paciente é ou não candidato a essa modalidade”, conclui Fachin.

 

Em nota, o GDF informou que atualmente mil pacientes são atendidos pelo programa e que eles recebem todo o tratamento em casa.

    Você também pode gostar

    Assine nossa newsletter e
    mantenha-se bem informado