Mais uma tentativa frustrada do governo de votar o Projeto de Lei nº 2.049/2014, que autoriza a criação do Fundo Especial da Dívida Ativa (Fedat), na Câmara Legislativa do DF. Ontem, apenas 12 dos 14 distritais esperados estiveram no Plenário e, sem quórum, a sessão foi suspensa. O pleito é objeto de disputa entre os governadores eleito e o atual, que entraram em campo, ontem, para defender suas posições.
Rodrigo Rollemberg acordou cedo para telefonar aos distritais que, potencialmente, podem ser de sua base de governo. Pediu que eles não votassem o projeto que, para a equipe de transição, atrapalharia sua gestão. Em movimento contrário, o governador Agnelo Queiroz chamou os deputados de sua base atual para um almoço, na Residência Oficial de Águas Claras, onde explicou a importância de aprovar o texto e conclamou os nove distritais presentes a apoiar a proposta, que tramita desde a semana passada.
A movimentação do governo, que agora espera votar o texto na próxima terça-feira, foi tão grande, que até o deputado Patrício (PT), que não era visto no plenário havia mais de seis meses, apareceu. Na hora da chamada, no entanto, apenas 12 parlamentares confirmaram presença.
O 13º distrital presente no plenário, Joe Valle (PDT) já tinha se manifestado contrário ao texto e se retirou do plenário na hora da chamada. Celina Leão (PDT) entrou apenas para garantir que a votação não prosseguisse, alegando justamente a falta de quórum.
Base de governo se confunde
Tem distrital que arrisca dizer que a base do atual governador é formada por deputados que comporão também a base de Rollemberg. Viria daí a dificuldade de reunir apoio para votar o projeto.
O governador tem pressa em aprovar a proposta, já que o mandato acaba em pouco mais de um mês e o dinheiro que seria levantado com a venda dos títulos da dívida ativa ajudaria no ajuste das contas.
Dois furos
Dos 14 distritais que se comprometeram com o governo, Olair Francisco (PTdoB) e Benedito Domingos (PP) não teriam cumprido. Eles estavam na Câmara Legislativa, mas alegaram compromisso externo para sair do plenário, pouco antes da votação começar.
Não estavam na conta dos petistas os distritais Cláudio Abrantes (PT) e Agaciel Maia (PTC), que estão em viagem. Condenado recentemente pelo Tribunal de Justiça do DF, Rôney Nemer (PMDB), “por sua condição de saúde”, também não era esperado no plenário.