
Com o arrocho nos gastos do primeiro ano de governo, a equipe de Rodrigo Rollemberg viajou pouco em 2015. Em comparação com as despesas do último ano de Agnelo Queiroz, a redução foi de exatos 56,71%. Enquanto o petista empenhou quase R$ 14 milhões para passagens aéreas nacionais e internacionais, em 2014, o atual governador liberou pouco mais de R$ 6 milhões no ano passado. Até o mês de abril deste ano, no entanto, já foram empenhados R$ 2,5 milhões para este fim, o que indica que o segundo ano deve fechar com aumento neste tipo de despesa.
O aumento nos gastos do governo petista foi gradual. Passou de R$ 7,8 milhões, em 2011, para R$ 10,1 milhões em 2012. Em 2013, gastou-se R$ 12,4 milhões e, no último ano, o valor chegou a R$ 13,9 milhões.
A explicação está no arrocho proposto por Rollemberg, conforme o secretário adjunto de Planejamento e Orçamento, Renato Brown, para quem as “despesas de luxo” devem ser sempre controladas. “Foi estabelecido um critério mais rígido das despesas que são compressíveis.”
O discurso de Rollemberg, desde que assumiu o governo, sempre foi no sentido de cortar gastos. Alegou um rombo no caixa deixado pelo antecessor, salários atrasados e dívidas com os fornecedores. No primeiro dia de gestão, publicou um decreto suspendendo, com algumas exceções, a compra de passagens aéreas e a liberação de diárias de viagem por 120 dias. No fim do prazo, prorrogou a medida, que passou a valer até dezembro.
Em fevereiro deste ano, voltou a proibir as pastas de assumir compromissos que impliquem gastos com passagens, diárias de hotéis, participação em cursos etc.
Cortes mais emblemáticos que efetivos
Os cortes deste tipo de gastos são mais emblemáticos do que representativos no caixa, conforme o secretário adjunto. “Um governo que se diz ou que necessita ser austero não pode gastar dinheiro com viagem que não gere benefícios”, explica.
Todas as solicitações de viagens passam pelo crivo da Governança e os valores são liberados se couberem dentro da programação financeira. “Os critérios são técnicos”, explica o adjunto.
As exceções do arrocho são para as viagens obrigatórias, como os programas de assistência a atletas e o cumprimento de mandado de prisão em outras unidades da Federação, por exemplo. O trabalho, conforme Renato Brown, não tem sido prejudicado. “As despesas administrativas é que a gente está tentando segurar, com alguns mecanismos de controle que foram criados”, reforça.
Frutos
Na opinião do gestor, o governo colhe os frutos das medidas estabelecidas no ano passado. “Enquanto outros estados estão quebrando o caixa, estamos batalhando para chegar até o fim do ano com as contas relativamente, em dia”, comemora, lembrando que incremento de despesas, em um cenário de economia estagnada, significa aumento de impostos.
Saiba mais
Os valores disponibilizados no Portal da Transparência divergem das cifras informadas pela Secretaria de Planejamento e Orçamento. Conforme a pasta, no site é possível que, nos valores, estejam incluídos outros itens de locomoção, como fretes, por exemplo.
Na consulta ao portal, os valores gastos em 2013 chegam a R$ 19,6 milhões, por exemplo, enquanto que, em 2014, as despesas ultrapassam R$ 19 milhões.