Um ex-deputado forrozeiro conhecido como “Cãozinho dos teclados”; um apresentador de um canal de TV esotérico que se intitula “homem de fé”; uma feira nordestina em São Paulo; uma verba federal de R$ 2,5 milhões; o Ministério do Turismo; e uma ONG interditada judicialmente. O que une todos esses personagens é mais uma história de mau uso do dinheiro público, conforme descobriu o site Congresso em Foco.
O então deputado Frank Aguiar (PTB-SP), hoje vice-prefeito de São Bernardo do Campo, destinou emenda de R$ 1,4 milhão do orçamento para a feira Mostra Nordeste Brasil, em São Paulo. Com apoio de outros parlamentares e do Executivo, o Ministério do Turismo mandou R$ 2,5 milhões para o Instituto Promur realizar o evento. Mas foi o cantor de forró quem idealizou tudo.
A prestação de contas do evento promovido por Frank foi considerada irregular. O ministério agora cobra a devolução de todo o dinheiro repassado ao Promur, que já trocou de presidente três vezes nos últimos três anos e hoje está fechado – a atual diretoria diz dirigir o instituto às cegas e só graças a uma decisão judicial. Os R$ 2,5 milhões cobrados de volta fazem parte de uma extensa lista de convênios inadimplentes.
A Mostra Nordeste Brasil – Turismo, Negócios e Cultura foi idealizada por Frank. Em 2007, no primeiro ano de seu mandato de deputado federal – para o qual recebera quase 145 mil votos –, apresentou emenda ao Orçamento de 2008 destinando recursos para o evento. “Visa a implementar a divulgação do turismo interno no Estado de São Paulo, com a realização de eventos municipais, no que tange a inclusão social no aspecto do desenvolvimento turístico”, diz a emenda. A justificativa consta do espelho da emenda, que mostra como destino do dinheiro o Instituto Promur, de São Paulo.
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