ANDRÉ BORGES
BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS)
Proibido pelo ministro Alexandre de Moraes, do STF (Supremo Tribunal Federal), de visitar Jair Bolsonaro no Dia dos Pais, o senador e candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL-RJ) escreveu uma carta ao ex-presidente neste sábado (8), na qual reclama das restrições impostas pelo ministro e diz ter apoio de lideranças do centrão, mesmo sem apoio formal de partidos.
“Quanto à caminhada, estamos indo bem! Junto com o [Rogério] Marinho conseguimos fechar bons palanques em quase todos os estados. Mesmo de os partidos de centro não terem vindo formalmente nos apoiar, as principais lideranças de todos eles estão com a gente!”, escreve Flávio.
A declaração ocorre num momento em que Flávio enfrenta dificuldades para ampliar formalmente sua coligação. A candidatura do senador chegou às convenções isolada no PL, enquanto partidos do centrão resistiram a aderir formalmente à chapa.
A carta foi escrita no mesmo dia em que Moraes rejeitou o pedido para que ele, Carlos e Jair Renan visitassem Bolsonaro neste domingo (9), Dia dos Pais. A defesa havia solicitado ao ministro uma autorização excepcional para o encontro, alegando seu “caráter estritamente humanitário e familiar”.
Moraes afirmou que as visitas de familiares estão suspensas desde 17 de julho.
Flávio já está submetido a uma restrição mais longa. Moraes o proibiu de visitar o pai por 90 dias depois que o senador leu publicamente, em 11 de julho, uma carta escrita pelo ex-presidente e anunciou que o documento seria divulgado nas redes sociais.
Bolsonaro cumpre prisão domiciliar e está proibido de utilizar celular, internet e redes sociais, inclusive por intermédio de terceiros. Moraes considerou que a divulgação da carta por Flávio violou essas restrições. Em 17 de julho, o ministro manteve o veto de 90 dias ao senador e suspendeu por 30 dias as visitas dos demais familiares. Apenas advogados, médicos e fisioterapeutas podem visitar o ex-presidente nesse período.
Flávio, que também é advogado e havia se inscrito na defesa do pai, tinha até então acesso livre a Bolsonaro. A restrição de 90 dias termina apenas depois do primeiro turno da eleição presidencial, marcado para 4 de outubro.
Na carta deste sábado, o senador reclama de ter de acompanhar a situação do pai à distância.
“Fico sabendo pelos outros advogados como está sua saúde e seu humor, pergunto todos os dias, sem falta. Hoje me disseram que estavam sem saber ainda, porque sábado não tem visita de advogados. Então fiz minha oração pedindo a Deus que estivesse bem, como faço várias vezes ao dia”, escreveu.
Ao final do texto, Flávio faz uma crítica direta à impossibilidade do encontro neste domingo. “Proibir um filho de visitar um pai, ou o pai de dar um abraço nos filhos, no Dia dos Pais é desumano, é insano, é injusto, é triste…”, afirmou. “Tô com saudade de ouvir sua voz, sua risada, suas piadas sem graça. Mas não tem mal que dure pra sempre. Deus só está nos capacitando para algo muito maior em nossas vidas!”, prosseguiu.
O candidato a presidente gravou um vídeo, no qual chora lendo a carta, e divulgou nas redes sociais. Ele também diz ao pai que assumiu a candidatura como uma missão recebida diretamente dele.
“Quando recebi o seu manto e aceitei a missão de disputar a Presidência do Brasil em seu nome, você sabe que só fui porque tenho certeza que é projeto de Deus pro nosso Brasil, e somos apenas instrumentos usados por Ele para isso”, escreveu.
A proibição de contato entre pai e filho tornou-se também tema da campanha eleitoral. Pesquisa Datafolha realizada em 22 e 23 de julho mostrou que 59% dos eleitores consideravam que Moraes havia agido mal ao impedir Flávio de visitar Bolsonaro, enquanto 62% concordavam com a proibição de o ex-presidente utilizar redes sociais durante a prisão domiciliar.
Leia abaixo a carta:
“Pai, Acabei de fazer uma agenda em Itapetininga/SP, quando tomei ciência de que o nosso pedido (meu, do Carluxo e do Renan) havia acabado de ser negado.
Por isso lhe escrevo, pois não poderei te dar um abraço e matar a saudade como gostaria. Cada pessoa que encontro na rua, no elevador, no hotel, no restaurante, no aeroporto, em qualquer recanto do nosso Brasil, pede pra eu levar o seu abraço, mas no momento eu não posso dizer: Vou dar seu abraço sim, pode deixar´.
Fico sabendo pelos outros advogados como está sua saúde e seu humor, pergunto todos os dias, sem falta. Hoje me disseram que estavam sem saber ainda, porque sábado não tem visita de advogados. Então fiz minha oração pedindo a Deus que estivesse bem, como faço várias vezes ao dia.
Quanto à caminhada, estamos indo bem! Junto com o Marinho conseguimos fechar bons palanques em quase todos os estados. Mesmo de os partidos de centro não terem vindo formalmente nos apoiar, as principais lideranças de todos eles estão com a gente!
Quando recebi o seu manto e aceitei a missão de disputar a Presidência do Brasil em seu nome, você sabe que só fui porque tenho certeza que é projeto de Deus pro nosso Brasil, e somos apenas instrumentos usados por Ele para isso.
Nos meus discursos quando falo que você vai colocar a faixa de presidente em mim, em janeiro de 27, o povo vai ao delírio e eu fico mentalizando essa cena na minha cabeça. Vai acontecer, em nome de Jesus!
Pai, fique firme! Já, já você sai daí e o Brasil vai te receber de braços abertos, da forma que você merece: como um herói! Sigo firme aqui na missão, me movendo e tomando decisões pela fé!
Proibir um filho de visitar um pai, ou o pai de dar um abraço nos filhos, no Dia dos Pais é desumano, é insano, é injusto, é triste…
Tô com saudade de ouvir sua voz, sua risada, suas piadas sem graça. Mas não tem mal que dure pra sempre. Deus só está nos capacitando para algo muito maior em nossas vidas!
Até breve! Te amo! Fique com Deus!
Tchau,
Flavio Bolsonaro”