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Espanha reintroduz controles em voos e navios da Itália em meio a disputa migratória

No primeiro dia de reintrodução dos controles, o Ministério do Interior espanhol checou 199 viajantes em 12 voos oriundos da Itália

Redação Jornal de Brasília

09/08/2026 13h16

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Foto: HENRY NICHOLLS / AFP

A Espanha restabeleceu os controles de fronteira para passageiros em conexões aéreas e marítimas provenientes da Itália, medida válida desde ontem, 8, e prevista para durar até 7 de setembro, segundo informou o Ministério do Interior espanhol. Conforme o órgão, o ministro da pasta, Fernando Grande-Marlaska comunicou a decisão à União Europeia e disse que Madri acompanha “com atenção” a evolução da situação migratória, sobretudo a que afeta a Itália, citando “pressão migratória irregular” no país.

No primeiro dia de reintrodução dos controles, o Ministério do Interior espanhol checou 199 viajantes em 12 voos oriundos da Itália com destino a aeroportos de Madri, Barcelona, Sevilha, Bilbao, Alicante e Valência, segundo informações da Reuters. A medida ocorre em meio a uma disputa com Roma: a Itália suspendeu a livre circulação com a Espanha no âmbito do Espaço Schengen desde 1º de agosto e disse que manterá seus controles ao menos até 15 de agosto, após a chegada de cerca de 72 mil migrantes ao enclave espanhol de Ceuta em 30 de julho. O Espaço Schengen permite viagens sem passaporte por 29 países europeus, mas autoriza a reintrodução temporária de controles por razões de segurança ou ordem pública.

Em entrevista ao Corriere della Sera, o ministro das Relações Exteriores da Itália, Antonio Tajani, defendeu a suspensão temporária de Schengen com a Espanha, afirmando que a medida foi adotada porque “em Ceuta aconteceu algo extraordinário” e que o risco seria o deslocamento secundário de migrantes de países terceiros dentro da União Europeia. Tajani disse que a reação espanhola foi “incompreensível e totalmente inaceitável” e argumentou que a decisão italiana – aplicada a portos e aeroportos – se concentra em cidadãos de fora da UE.

O chanceler italiano afirmou ainda que a suspensão é uma “precaução”, citando avaliação da inteligência espanhola sobre risco de uma nova onda migratória até o feriado de Ferragosto. “Esperamos poder revogar a suspensão em breve, assim que não houver mais risco”, disse. Tajani também associou a migração irregular do Sahel a ameaças de segurança, mencionando preocupação com “ameaça jihadista”, e criticou políticas de regularização em massa, que, segundo ele, enviariam um “sinal negativo” e colocariam em risco a segurança.

Estadão Conteúdo

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