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Política & Poder

Flávio diz que usará imagem do pai na campanha ‘dentro da legislação’

O candidato do PL também atribuiu a dificuldade para conquistar o apoio de partidos do Centrão a uma suposta pressão exercida por autoridades em Brasília

Redação Jornal de Brasília

18/08/2026 21h53

ia pl convenção flavio

Foto: Reprodução/YouTube/ PL

Brasília, 18 – A candidatura do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) à Presidência da República busca manter o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) como principal referência eleitoral da campanha. Flávio afirmou ontem que pretende recorrer à imagem do pai “dentro dos limites estabelecidos pela legislação” e voltou a fazer críticas ao ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes.

O candidato do PL também atribuiu a dificuldade para conquistar o apoio de partidos do Centrão a uma suposta pressão exercida por autoridades em Brasília. Segundo o candidato, dirigentes dessas legendas teriam sido orientados a não aderir à sua candidatura. Ele, porém, não apresentou nomes nem relatou quais autoridades estariam envolvidas.

A adesão de siglas do Centrão é considerada estratégica pelas campanhas presidenciais, principalmente pelo impacto que pode ter na estrutura eleitoral e no espaço disponível no rádio e na televisão. Flávio reconheceu a importância desses apoios, mas afirmou que o cenário atual tem relação com as supostas pressões sobre os dirigentes partidários.

“Seria importante ter o tempo de TV e rádio, mas hoje todos estão vendo as razões”, disse o candidato em entrevista à Rádio Itatiaia.

Mesmo impedido de participar fisicamente da campanha, Jair Bolsonaro deve continuar sendo utilizado como uma das principais referências da candidatura do filho. Flávio afirmou que sua equipe jurídica definirá até onde será possível levar essa estratégia sem quebrar as regras eleitorais.

“O jurídico ainda vai me dar o limite. Vou usar o limite do que a legislação permitir”, afirmou o senador.

A questão ganhou destaque depois que o PL apresentou, durante a convenção que oficializou a candidatura de Flávio, uma peça gerada por inteligência artificial (IA) que reproduzia a imagem e a voz do ex-presidente para manifestar apoio ao seu filho.

O episódio colocou a utilização de recursos de IA nas campanhas eleitorais no centro do debate do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). A Corte vai discutir os limites para esse tipo de conteúdo e como deverão ser tratados eventuais casos de uso irregular da tecnologia.

RESISTÊNCIA

A utilização de IA na propaganda eleitoral enfrenta forte resistência entre os brasileiros. Um levantamento da Genial/Quaest aponta que 73% dos eleitores desaprovam o uso da tecnologia nas campanhas de candidatos nas eleições de 2026.

Apenas 21% dos entrevistados afirmam ser favoráveis à utilização de IA durante a disputa eleitoral. Para 3%, a presença da tecnologia nas campanhas não faz diferença, enquanto outros 3% não souberam ou preferiram não responder.

A rejeição é maior entre as mulheres. Nesse segmento, 78% são contrárias ao uso da IA por candidatos, ante 69% entre os homens

O levantamento também mostra diferenças de percepção de acordo com o posicionamento político dos entrevistados. O porcentual de desaprovação varia de 69% entre eleitores de direita que não se identificam com o bolsonarismo a 79% entre os eleitores de esquerda que não se identificam com o lulismo.

Entre os eleitores independentes, 75% rejeitam a utilização da tecnologia nas campanhas. O índice é de 70% entre os bolsonaristas e chega a 73% entre os apoiadores de Lula.

A pesquisa Quaest ouviu 2.004 pessoas entre 10 e 13 de agosto. A margem de erro é de 2 pontos porcentuais, para mais ou para menos, e o nível de confiança é de 95%. O levantamento foi registrado no Tribunal Superior Eleitoral sob o número BR-06773/2026.

CRÍTICA

Flávio voltou a criticar o ministro Alexandre de Moraes ontem, ao comentar as restrições impostas ao ex-presidente. O senador afirmou que seu pai estaria sendo alvo de medidas que, em sua avaliação, limitam até mesmo o contato com parentes. “Bolsonaro foi julgado pelos seus próprios inimigos”, disse o candidato. Em seguida, Flávio afirmou que o ministro do STF está impedindo o ex-presidente de se comunicar por carta e restringindo visitas de seus filhos.

O candidato do PL reforçou nas últimas semanas suas críticas a integrantes da Corte, em especial contra Moraes e os ministros Dias Toffoli e Flávio Dino. O senador acusa o Judiciário de promover censura e perseguição a nomes da direita, incluindo seu pai.

Depois, durante caminhada com o deputado Nikolas Ferreira (PL-MG) e apoiadores em Belo Horizonte (MG), Flávio disse que pretende manter uma “relação positiva e institucional” com o STF e que só vai querer “paz para governar”.

“Sempre quis construir ponte, sempre tentei fazer isso. Só quero paz para governar. Vou indicar quatro homens e mulheres que sejam contra o aborto, contra as drogas, respeitem a Constituição e que não usem a caneta para promover perseguição por risco”, disse o candidato a jornalistas. “Vai ser uma relação, não tem nenhuma dúvida, institucional, muito positiva”, continuou.

Flávio também aproveitou a entrevista para destacar a participação da ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro (PL) em sua campanha. (COLABORARAM NAOMI MATSUI E GABRIEL MÁXIMO)

Estadão Conteúdo 

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