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Política & Poder

Flávio Bolsonaro associa Lula a crise no STF e diz que grupo do petista na PF foi desmascarado

Senador critica atuação da PF e diz que corporação deve investigar criminosos, e não adversários políticos

Redação Jornal de Brasília

08/09/2026 13h47

flavio bolsonaro (2)

Foto: Sergio Lima / AFP

CAROLINA LINHARES
FOLHAPRESS

O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), candidato à Presidência, apoiou, nesta terça-feira (8), a decisão do ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) André Mendonça de afastar o diretor-geral da Polícia Federal Andrei Rodrigues, indicado por Lula (PT) ao cargo.

“[O] Grupo especial de Lula na Polícia Federal desmascarado oficialmente. Que a honrosa e gloriosa Polícia Federal volte a ter autonomia para ir atrás de bandidos, e não de adversários políticos de Lula”, publicou Flávio em uma rede social.

Ao comentar a decisão de Mendonça, Flávio menciona que o ministro teria sido monitorado de forma ilegal pela Polícia Federal e ressalta a proximidade entre Andrei e Lula, seu principal adversário na corrida eleitoral.

“Chefe da PF (companheiro, camarada, amigo, irmão, brother, cupincha, parça, aliado, preposto, indicado, pau-mandado de Lula) acusado de liderar investigações clandestinas contra um ministro do STF”, escreveu ainda.

A Segunda Turma do STF formou maioria nesta terça para referendar a ordem de Mendonça e manter o afastamento de Andrei. O julgamento, porém, foi suspenso por pedido de vista do ministro Gilmar Mendes.

Durante o governo Jair Bolsonaro (PL), o ministro Alexandre de Moraes chegou a barrar a nomeação de Alexandre Ramagem para a chefia da PF depois que o então presidente indicou que pretendia usar a corporação para produzir informações para suas tomadas de decisão. Dias antes, Sergio Moro (PL) havia deixado o governo acusando o então presidente de tentar interferir politicamente na PF.

A atual crise que abala o STF começou há uma semana, quando Mendonça, que é relator do caso Master, tornou públicas conversas entre Moraes e Daniel Vorcaro, incluindo uma mensagem na qual o banqueiro pergunta se deveria deixar o país, às vésperas de ser preso, em 2025. Não há informações sobre qual foi a resposta do ministro do Supremo.

Desde então, bolsonaristas têm associado Lula à crise da corte, criticando Moraes, visto como algoz de Bolsonaro, e elogiando Mendonça, indicado pelo ex-presidente. Ao mirar Moraes, Flávio tem ignorado que também trocou mensagens com Vorcaro, a quem chamou de irmão, para pedir R$ 134 milhões para bancar o filme “Dark Horse” sobre Bolsonaro.

Nesta segunda-feira (7), durante o ato de 7 de Setembro em São Paulo, Flávio afirmou que quer ser eleito para acabar com o consórcio entre Lula e Moraes, a quem acusou indiretamente de tentar interferir no pleito. “Quem vota em Lula está votando em Alexandre de Moraes”, disse o candidato no carro de som.
Flávio acusou ainda Lula de usar a PF, a Procuradoria-Geral da República e os ministros que indicou ao STF (Flávio Dino e Cristiano Zanin) para perseguir “Bolsonaro e seus aliados”.

Ao contrário de outros bolsonaristas presentes no comício, como Bia Kicis (PL-DF) e Gustavo Gayer (PL-GO), Flávio não mencionou Mendonça, que foi defendido nos discursos dos candidatos ao Senado.
Bia Kicis afirmou à reportagem que a decisão de Mendonça de afastar Andrei foi “justa e necessária”.

Em nota enviada à reportagem, o senador Rogério Marinho (PL-RN), líder da oposição no Senado e coordenador da campanha de Flávio, afirma que a decisão do ministro “deve ser celebrada como um passo a caminho da retomada da normalidade no funcionamento das instituições, punindo agentes que extrapolam no uso das suas atribuições”.

Marinho disse esperar uma investigação ampla diante da revelação de que pode ter havido uso da estrutura da PF para monitorar autoridades e adversários, o que ele considera ainda mais grave.

A acusação de Mendonça de que foi monitorado de forma ilegal e sistemática pela inteligência da PF também motivou manifestações de outros políticos bolsonaristas. Carlos Bolsonaro (PL-SC) publicou: “A coisa é muito mais grave do que parece. Quem deu a ordem? Com qual objetivo? E quem mais foi monitorado? O Brasil exige respostas”.

O senador Carlos Viana (PSD-MG) também repetiu as palavras de ordem “Quem mandou, quem executou e quem recebeu” ao cobrar a prisão preventiva de Andrei.

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