O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso considerou hoje que uma nova ordem mundial mais democrática e com menos poder dos Estados Unidos ajudará o mundo a superar a crise atual.
O discurso de FHC abriu hoje em Portugal um congresso sobre os desafios da globalização, order do qual participam também outros ex-governantes, como Tony Blair, do Reino Unido, José María Aznar, da Espanha, e Mary Robinson, da Irlanda.
O político brasileiro disse que fatores morais como a falta de valores e o capitalismo descontrolado provocaram a crise, assim como os erros do Governo do ex-presidente americano George Bush, a hegemonia mundial dos EUA e a má regulação financeira.
O ex-presidente criticou o “otimismo arrogante” do Governo Bush em matéria econômica e a ideia equivocada de que o crescimento nas décadas passadas seria eterno e levaria as nações “a um estado permanente de felicidade”.
Embora a pobreza tenha efetivamente diminuído em muitos países em desenvolvimento, admitiu FHC, o modelo estava fadado a falhar e os Governos não souberam enfrentar um problema que desencadeou uma “imensa socialização das perdas”.
O ex-chefe de Estado afirmou que os efeitos da crise mostraram que países como Brasil ou Espanha contavam com sistemas financeiros mais sólidos e regulados do que as principais economias anglo-saxônicas, onde o efeito da tempestade econômica foi “patético”.
Para FHC, é preciso dar papel e voz às nações emergentes e a potências como China ou Rússia, além de criar organismos para executar as novas políticas.
O ex-presidente chamou a atenção para o enorme endividamento da economia americana e a falta de apoio real do dólar, defendendo uma nova moeda mundial, baseada em uma cesta de divisas, e um banco que faça o que o Banco Mundial “não faz” e o que Federal Reserve (Fed, banco central americano) não deve fazer por questões de soberania.