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Política & Poder

Ex de Dilma chega para acalmar ânimos no PDT

Arquivo Geral

08/03/2013 12h40

Rudolfo Lago

redacao@jornaldebrasilia.com.br

 

 

Quando foi arquitetada no ano passado, a entrada do advogado Carlos Araújo, ex-marido da presidente Dilma Rousseff, no PDT tinha o propósito de fortalecer o ministro do Trabalho, Brizola Neto, e fazer com que ele conseguisse tirar do comando do partido o atual presidente, Carlos Lupi. Concretizada esta semana, porém, a filiação de Carlos Araújo ocorre muito tarde para efetivamente ser capaz de chegar a esse propósito. 

 

No próximo dia 22, em convenção nacional em Brasília, Lupi deverá ser eleito novamente presidente do PDT. Como consequência, Dilma, esperam os pedetistas, deverá admitir a força de Lupi e ceder para se recompor, tirando Brizola Neto do Ministério do Trabalho e colocando ali alguém indicado por ele. Os nomes mais cotados são o secretário-geral do partido, Manoel Dias, e o deputado André Vargas (PDT-RS).

 

Consequências

Não se trata, no entanto, de uma vitória total de  Lupi. Os movimentos de Brizola Neto, com a ajuda do ex-marido de Dilma, poderão ter algumas consequências. 

 

Quando disse ao Jornal de Brasília, em 9 de dezembro de 2012, que pretendia filiar-se ao PDT,   Araújo disse claramente que sua intenção era ajudar os netos de Leonel Brizola – Brizola Neto e  sua irmã gêmea, a deputada estadual gaúcha Juliana Brizola – a assumirem o comando do partido, tirando-o das mãos de Lupi. Agora,  Carlos Araújo fala em “conciliação”, e que sua intenção, ao entrar no PDT, é colaborar para a “oxigenação” do partido.

 

Conciliação

Uma comissão interna do PDT, comandada pelo senador Cristovam Buarque (PDT-DF), trabalha a conciliação entre Brizola Neto e Carlos Lupi, antes da convenção do próximo dia 22. Pessoalmente, Cristovam resolveu traçar, com a ajuda do senador Pedro Taques (PDT-MT) e do deputado  Reguffe (PDT-DF), algo que não se fixasse apenas na conciliação de nomes e grupos políticos, mas sim em compromissos partidários.  “Não vamos fazer uma conciliação em torno de nomes, mas em torno de ideias”, explicou Cristovam. 

 

Assim, o senador redigiu um documento  que estabelece nove pontos de compromissos para serem assumidos pelo próximo presidente.  “Se continuarmos nesse rumo, o próximo presidente pode dirigir um partido em fase de fragilização, por esvaziamento e desarticulação”, diz o texto.

 

Regras para democracia

O que propõem Cristovam, Taques e Reguffe é que Lupi assuma compromisso com nove pontos que promoveriam mecanismos melhores de democracia interna. 

 

Lupi reclamou de alguns termos do documento, mas os pedetistas acreditam que pode aceitar pelo menos alguns dos compromissos propostos, como forma de diminuir a tensão no PDT. Em contrapartida, o governo Dilma, diante da evidência de seu poder de comando, começaria a aceitá-lo, com vistas a manter o PDT na base de sustentação e na aliança para a tentativa de reeleição em 2014. Nessa hipótese, Cristovam tende a apoiar a reeleição de Lupi. Segundo informou o deputado Reguffe, isso não aconteceria, porém, com ele e Pedro Taques: a posição dos dois deverá ser de abstenção na escolha do novo presidente do PDT.

 

Ameaça de apoiar o PSB

Os pedetistas acreditam que Dilma cederá às posições de Lupi, tirando Brizola Neto do Ministério do Trabalho e colocando ali um nome indicado por ele, por falta de opção. Mas se Lupi  continuar sendo desafiado por Dilma, levará o PDT ou a ter uma candidatura própria à Presidência ou a apoiar a candidatura do governador de Pernambuco, Eduardo Campos, do PSB. 

 

No DF, por exemplo, PDT e PSB já vêm mantendo conversas com vistas a uma aliança para apoiar a candidatura do senador Rodrigo Rollemberg (PSB-DF) ao GDF.

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