Jéssica Antunes
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A dança das cadeiras na Câmara Legislativa do Distrito Federal (CLDF) começou. Com a confirmação da ida de Fernando Fernandes (Pros) para Administração Regional de Ceilândia, a suplente Telma Rufino assumirá a cadeira. A mudança afeta a composição de comissões e bancadas, dando força numérica ao grupo evangélico.
Com a entrada da agora ex-deputada, o número de integrantes na bancada evangélica chega a oito, um terço da Casa. Entre eles está Martins Machado (PRP), pastor da Igreja Universal do Reino de Deus eleito com maior número de votos do pleito passado. Valdelino Barcelos (PP), Iolando (PSC), Eduardo Pedrosa (PTC) e José Gomes (PSB) completam a lista de novatos. Rafael Prudente (MDB) e Rodrigo Delmasso (PRB) são os remanescentes.
Presidente da CLDF, Rafael Prudente diz que há muitos parlamentares com “pensamentos convergentes”, ainda que não sejam evangélicos. Isso, somado ao volume de integrantes, deve dar força para as pautas religiosas. Nada foi formalizado ainda, mas alguns assuntos polêmicos são tratados como prioritários.
“Escola sem partido, ideologia de gênero nas escolas e possível implantação de kit gay precisam ser discutidos. Não vamos permitir arbitrariamente derrubada de igrejas, vamos batalhar para atualização da lei de regularização dos templos religiosos criada há mais de dez anos”, elenca. Além disso, a previsão é que os preços dos terrenos ocupados por igrejas sejam revistos. “Vamos conseguir trabalhar bem”, prevê.
Valdelino Barcelos diz que a prioridade “sempre será a vontade da população, independente do projeto em pauta”. “A bancada evangélica, antes da volta da deputada Telma, já era a mais forte da Casa por ter sete integrantes. Sem dúvida se fortalece ainda mais. Queremos igualdade na discussão dos projetos”, diz o parlamentar.
Falta oficializar
Até a nomeação de Fernando Fernandes ser publicada no Diário Oficial do DF, em prazo indefinido, ele permanece no posto. Telma, por sua vez, continuará batendo ponto e atuando como comissionada na CLDF recebendo salário de R$ 15.148,75. Na edição de terça-feira, o Diário da CLDF a nomeou para o gabinete da liderança da própria legenda.
Depois que a suplente assumir como deputada, a verba crescerá para R$ 25,3 mil mensais brutos. Ela recebeu 11.715 votos na última eleição e chegou a ser diplomada, mas o Tribunal Regional Eleitoral do Distrito Federal (TRE-DF) cancelou a legislatura ao considerar eleita a distrital Jaqueline Silva (PTB).
Segundo deputado mais votado, com 29.420 votos, o delegado de Polícia Civil vai assumir a região com maior número de habitantes do DF. Ele terá o salário menor, de R$ 14,4 mil, mas a promessa de autonomia. De acordo com o governo, ele foi escolhido por conhecer bem a região e ter grande colégio eleitoral.
Fernandes diz que a ideia é dar “choque de gestão” à região até “arrumar a casa”. No início, com a CLDF em recesso, ele não vê problema em deixar a legislatura. A intenção é voltar em breve, mas o caminho fica em aberto. “Não vejo problema de permanecer mesmo porque não vai prejudicar nossos projetos. Continuo sendo o titular do mandato e temos nossas prioridades, especialmente nas áreas de educação e segurança”, acredita.
Estreantes ficam no comando
A saída de Fernando Fernandes também deve mudar a configuração de duas comissões permanentes definidas no primeiro dia do ano. Ele foi escolhido como vice-presidente da Comissão de Educação, Saúde e Cultura (CESC) e da Comissão de Segurança (CS).
Apesar de ele ser substituído por Telma na legislatura, é a adversária Jaqueline Silva (PTB) quem assumirá o posto em ambas as equipes. Isso porque a petebista foi escolhida para suplência do cargo na mesma votação. O problema é que Jaqueline Silva está com a agenda cheia na Casa.
Ela já é presidente da Comissão de Fiscalização, Governança, Transparência e Controle (CFGTC) e vice da Comissão de Desenvolvimento Econômico, Sustentável, Ciência, Tecnologia, Meio Ambiente e Turismo (CDESCTMAT). “Missão dada tem que ser missão cumprida”, assegurou Jaqueline ao Jornal de Brasília.
“Estamos à frente de missões sérias. Vou avaliar, de maneira tranquila, racional e centrada porque existe um peso em tudo. No final, tudo vai dar certo. Assumimos muitas responsabilidades e estamos na expectativa”, afirma.