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Política & Poder

Estratégia errada de campanha pode custar eleições à oposição

Arquivo Geral

28/09/2010 15h04

A oposição vai às urnas com chances mínimas de recuperar o poder por causa de sua estratégia errada de campanha, com a qual foi incapaz de arranhar a popularidade exacerbada do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

A principal coalizão de centro e direita, liderada pelo PSDB e o Democratas (DEM), se encaminha rumo a um duro baque eleitoral não apenas por sua previsível derrota no primeiro turno, mas porque poderia diminuir muita sua presença no Senado, onde centrou seu trabalho opositor estes anos.

A oposição concentrou seus ataques a Lula no Senado, já que carecia de um líder forte que pudesse enfrentar diretamente o carisma do ex-sindicalista, o que mais tarde foi um fator decisivo na campanha, segundo analistas.

O analista político David Fleischer, professor da Universidade de Brasília (UnB), explicou à Agência Efe que a oposição se equivocou ao assumir uma “postura radical” no Senado e não oferecer alternativas, o que gerou uma imagem “negativa” que agora Lula está explorando para “derrubar” seus candidatos.

“O PSDB tem um problema muito grave, fora de São Paulo não tem líderes fortes com peso nacional. (O ex-presidente) Fernando Henrique Cardoso tentou assumir este papel, mas tem uma imagem muito negativa e o partido não o aceita como chefe, por isso não o usou na campanha”, disse Fleischer.

O próprio José Serra evitou se erguer como porta-voz da oposição até o último momento, atrasando o anúncio oficial de sua candidatura à Presidência para o desespero de seus colegas de partido, o que também “piorou sua imagem” frente ao eleitorado.

Durante a campanha, a oposição fez mudanças bruscas em sua estratégia, primeiro sendo tímida em suas críticas ao atual Governo, apresentando uma imagem de continuidade e inclusive se servindo da imagem de Lula para pedir votos.

“Tentaram se aproximar de Lula e não funcionou, depois passaram a criticar o PT e foram pior (nas pesquisas). Agora estão levantando casos de nepotismo e corrupção, que são antigos, em um movimento de desespero. A estratégia não foi muito boa”, avaliou o professor da UnB.

Serra, que disputa pela segunda vez a Presidência, tem, segundo as pesquisas, 27% das intenções de voto, contra cerca de 50% da favorita, Dilma Rousseff, do PT.

As promessas eleitorais de Serra, que representa a ala mais à esquerda do PSDB, foram em linhas gerais um decalque das do Governo, com o qual concorda em pôr a ênfase na necessidade de investir rios de dinheiro em saúde, educação e infraestruturas.

O candidato opositor se comprometeu a ampliar os programas assistencialistas que formam o eixo do programa de Governo, prometeu aumentar o salário mínimo para R$ 600, um reajuste mais generoso que o da esquerda, e também anunciou um programa nacional de urbanização de favelas.

Também prometeu a criação de dois novos ministérios, o de Segurança e o de Pessoas Incapacitadas, o que representaria inflar a máquina de um Executivo que já conta com 32 pastas e dificultaria sua meta de cortar impostos e baixar o gasto público.

A outra principal candidata opositora, Marina Silva, do PV, também evitou de forma sistemática o confronto com Lula e seu Governo, do qual fez parte como ministra do Meio Ambiente entre 2003 e 2008.

O partido não se distanciou de suas propostas, já que subordinou qualquer plano de desenvolvimento ao cuidado do meio ambiente, uma colocação que parece que lhe garantiria 13% dos votos segundo as últimas pesquisas.

Também foi mais ambicioso ao contemplar a instauração de uma Assembleia Constituinte para realizar uma profunda reforma tributária e do sistema político, algo que a grande maioria dos políticos afirma ser necessário, mas que não aparece refletido no programa político governista ou no opositor.

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