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Política & Poder

Especialistas alertam: 75% das cegueiras são evitáveis com diagnóstico precoce

Audiência na Câmara dos Deputados discute falhas no SUS e a importância da campanha Abril Marrom para prevenção da cegueira.

Redação Jornal de Brasília

16/04/2026 19h03

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Vinicius Loures / Câmara dos Deputados Fonte: Agência Câmara de Notícias

Especialistas alertaram, durante audiência pública na Comissão de Saúde da Câmara dos Deputados, que 75% dos casos de cegueira podem ser evitados por meio de diagnóstico precoce. O debate, realizado nesta quinta-feira (16), marcou a campanha Abril Marrom, dedicada à prevenção da cegueira e à reabilitação visual.

Os participantes destacaram problemas como a falta de acesso na atenção básica e o subfinanciamento do Sistema Único de Saúde (SUS). A deputada Carla Dickson (União-RN), autora do pedido do debate, criticou os valores baixos pagos pela tabela do SUS pelas consultas, o que reduz a oferta de profissionais e aumenta as filas de espera. “A oftalmologia precisa estar na atenção básica. Não podemos aceitar que o cidadão espere anos por uma consulta que pode salvar sua visão”, afirmou.

Entre as principais causas de perda de visão evitável no Brasil, foram citadas o glaucoma e a retinopatia diabética. O presidente da Sociedade Brasileira de Glaucoma, Roberto Murad Vessani, explicou que o glaucoma é a principal causa de cegueira irreversível no mundo, afetando cerca de 3,5% das pessoas com mais de 40 anos, com 90% dos casos não diagnosticados devido à ausência de sintomas em estágios iniciais.

Lúcia Xavier, representante da Associação de Diabetes Brasil, apontou a retinopatia diabética como a principal causa de cegueira em idade produtiva. Ela destacou que 56% das pessoas com diabetes desconhecem a condição, o que complica o diagnóstico precoce.

A presidente do Conselho Brasileiro de Oftalmologia, Maria Auxiliadora Frazão, defendeu uma melhor organização da rede de atendimento para garantir acesso mais rápido e remuneração adequada aos profissionais. Segundo ela, prevenir a cegueira é mais econômico do que lidar com seus impactos sociais e econômicos.

Representantes da sociedade civil, como Ângela Souza, presidente da Retina Brasil, criticaram a demora para incorporar novas tecnologias, como medicamentos e implantes, no SUS, que podem levar anos para chegar aos pacientes.

Do lado do governo, Gabriela Hidalgo, coordenadora de projetos do Ministério da Saúde, mencionou avanços como os Orçamentos de Cuidados Integrados (OCIs), que financiam entre R$ 200 e R$ 400 por atendimento completo, agilizando diagnósticos e cirurgias de catarata. Ela também informou que o ministério pretende atualizar os protocolos clínicos para o tratamento do glaucoma em 2026.

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