São Paulo, 6 – Para 39,4% da população, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva deveria escolher um nome técnico, sem vínculos com o governo, em sua próxima indicação para o Supremo Tribunal Federal (STF). Por outro lado, 37% defendem a escolha de um novo nome com ligação com governo, como foi o caso do advogado-geral da União, Jorge Messias. Os dados são de pesquisa Meio/Ideia divulgada ontem.
Ao responder à pergunta “Quem Lula deve indicar para o STF”, outros 5% disseram querer uma mulher no cargo, independentemente do perfil, e um total de 5,4% não souberam responder.
A opinião dos entrevistados também se divide na interpretação da rejeição de Messias para a vaga na Suprema Corte: 36% a atribuem a uma articulação da oposição para enfraquecer o governo, enquanto 35% veem o episódio como uma derrota de Lula e que mostra fraqueza do governo.
Para 12%, o Senado fez seu papel ao barrar uma indicação política. Outros 8% acham que indicações para o STF não deveriam passar pelo Senado e 9% não souberam responder.
O ministro da Advocacia-Geral da União (AGU) foi escolhido por Lula para ocupar a vaga aberta no Supremo com a aposentadoria de Luís Roberto Barroso, há sete meses. O nome foi vetado pelo plenário do Senado, algo que não ocorria havia 132 anos.
DESGASTE
A rejeição ocorreu em momento de desgaste da imagem pública do tribunal, que enfrenta críticas de parte do Congresso e pressão de bolsonaristas por impeachment de ministros. Também vive os efeitos da repercussão do caso do Banco Master, que envolve menções a ministros da Corte.
Segundo declaração do vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB), nesta semana, Lula está definindo sua nova indicação e “está voltado ao diálogo com o Congresso”, enquanto avalia a decisão que tomará. Para o vice, a rejeição de Messias prejudica a Corte “É ruim, porque fica com um ministro a menos, num Supremo já sobrecarregado de processos.”
EMPATES
Como mostrou o Estadão, pelo menos 14 julgamentos no plenário virtual do Supremo estão suspensos por empate atualmente, já que a Corte conta hoje com número par de ministros, dez.
As ações paralisadas na Corte tratam de temas como improbidade administrativa, licenciamento ambiental, cadastro nacional de pedófilos e aposentadoria no serviço público.
A pesquisa Meio/Ideia ouviu 1.500 pessoas em todo o território nacional entre os dias 1.º e 5 de maio. O levantamento tem margem de erro de 2,5 pontos porcentuais com nível de confiança de 95% e, devido a arredondamentos, a soma dos porcentuais pode ultrapassar 100%. O registro no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) está sob o protocolo BR-05356/2026-Brasil.
Estadão Conteúdo