Eric Zambon
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Rodrigo Rollemberg (PSB) se orgulha do governo que fez nos últimos quatro anos por, dentre outras coisas, ter “retirado Brasília das páginas policiais”. A escassez de escândalos da magnitude da Caixa de Pandora, que assombraram antigos governadores, se tornou carro-chefe de sua campanha à reeleição, a despeito da CPI da Saúde, que investigou um suposto esquema de propina na Secretaria de Saúde, e da Operação 12:26, sobre tráfico de influência na alta cúpula do governo. Mais do que uma gestão sem grandes entreveros, o candidato do PSB quer ser reconhecido como quem recuperou a cidade, mesmo tendo de lidar com uma das piores taxas de rejeição da história recente do DF. “Nós nos esforçamos muito na arrumação da casa e isso acabou, de certa forma, nos afastando da política”, defende-se.
Qual o plano para avançar na redemocratização do uso da orla do Lago?
Depois de ter desobstruído 1,7 milhão de metros quadrados de orla e de ter entregue o espaço à população, o nosso compromisso é implantar os três primeiros trechos do projeto do Masterplan da Orla do Lago Paranoá, escolhido por meio de concurso público; terminar a implantação das ciclovias, iluminação e de vegetação da faixa de APP, especialmente nas QLs 10 e 08 e concluir as obras do Polo 03 do Projeto Orla (Concha Acústica). As obras serão feitas por meio de execução direta pela Novacap e as mais complexas por meio de financiamento já em andamento do Fonplata.
Existe a intenção de transformar outros hospitais do DF em instituto, seguindo o modelo do Base?
Sim, esse é o nosso objetivo. Começaremos por grandes hospitais como o Hmib (Materno Infantil da Asa Sul), HRT (Taguatinga), HRC (Ceilândia) e HRG (do Gama).3) As taxas de desemprego do DF dispararam e agora começaram a recuar este ano.
Quais são suas principais estratégias para combater o desemprego?
Em nosso primeiro governo, a prioridade foi a arrumação das contas. No próximo, vamos trabalhar para o desenvolvimento econômico com geração de empregos, distribuição de renda e geração de oportunidades. Já conseguimos aprovar os mesmos incentivos que são oferecidos em Goiás para os empresários do DF. Na próxima gestão, tudo o que for possível fazer, como redução de impostos, retirada de diferencial de alíquota, para poder estimular o empreendedor a gerar empregos, vamos fazer. A retomada das obras públicas também é muito importante para aquecer a economia, gerando emprego e melhorando o ambiente econômico como as 50 mil novas moradias que vamos construir, o BRT, a recuperação dos equipamentos culturais, construção de escola técnicas.
Vários dos seus aliados antigos estão agora no palanque do Ibaneis. Se fosse para fazer uma autocrítica, acha que faltou zelar melhor pelas alianças?
Eu reconheço que tivemos falhas na articulação política. Nós nos esforçamos muito na arrumação da casa e isso acabou, de certa forma, nos afastando da política. A velha política faz com que as pessoas já entrem na eleição pensando na próxima e se afastam de temas pouco populares. Nós tivemos que enfrentar uma agenda de dificuldades e tivemos que enfrentar porque colocamos os interesses de Brasília acima de qualquer interesse pessoal e particular. Eu sempre disse que não serei conhecido como o governador que quebrou Brasília. Pelo contrário, quero ser conhecido como o governador que colocou as contas em ordem e permitiu a retomada do desenvolvimento. Mas tem muitos apoios que estão com Ibaneis que jamais admitiria, por exemplo os diabos referidos pelo Frejat. Se você olhar bem vai perceber: têm escândalo, está com Ibaneis.
Chico Leite o acusa de ter privilegiado a candidatura da Leila. Isso procede?
Faz parte da política saber ganhar e saber perder. O candidato da Rede perdeu a eleição, ficou magoado e uma parte da Rede soltou uma nota. Mas eu prefiro ficar com os posicionamentos do Pedro Ivo, que foi o coordenador nacional da campanha da Marina Silva, e do deputado distrital eleito Leandro Graas, que declararam voto em mim.
Acha que o poder econômico do Ibaneis tem algo a ver com a grande adesão a ele neste segundo turno?
A legislação eleitoral é clara: não se pode usar o próprio dinheiro para comprar votos ou oferecer um benefício econômico que um candidato tem porque é rico, milionário. O candidato Ibaneis, em uma reunião com moradores do assentamento 26 de setembro, disse que reconstruiria, com o próprio dinheiro, as casas construídas em áreas irregulares e derrubadas pela Agefis. Ele reiterou essa afirmação em várias entrevistas à imprensa. Esse tipo de promessa confunde a cabeça do eleitor. É uma forma de ludibriar a população e isso tem impacto nas urnas.

Fotos: Sergio Alberto/Assessoria Rollemberg
O senhor sempre bateu na tecla de ter herdado dívidas. Que outras irregularidades ou discrepâncias herdadas dificultaram seu governo? O senhor pode afirmar que, caso não seja reeleito, não deixará nenhum abacaxi parecido para o próximo gestor?
Governamos durante uma grande crise política e econômica em Brasília e no Brasil. Trabalhamos muito nesses últimos três anos e 10 meses para pagar servidores, fornecedores e prestadores de serviços sempre em dia. Somente na saúde, tínhamos R$ 600 milhões de serviços prestados sem contrato. Eram UTIs, lavanderias de hospitais, alimentação hospitalar, serviços de limpeza, vigilância. Quando você não tem contrato, o empresário te dá uma fatura e não tem como fiscalizar nem cortar porque não tem um contrato que sirva de base. E então o Estado era obrigado a pagar. Se não pagasse, o empresário poderia suspender o serviço. Nós enfrentamos os obstáculos e vencemos, fizemos as licitações e tivemos uma economia em todas as áreas. Só na vigilância, que são contratos de cinco anos, tivemos uma economia de R$ 50 milhões por ano. Hoje, esse dinheiro vai para as prioridades, antes ia para o bolso de alguém. Vamos fechar a primeira gestão muito melhor do que recebemos e isso possibilitará fazer investimentos importantes.
Agora, com a “casa arrumada”, como o senhor diz, o Metrô chegará à Asa Norte? O VLT, o BRT e o VLP, idealizados ainda na época da Copa, serão feitos e/ou concluídos?
Não só com a casa arrumada, mas, ainda com dificuldades econômicas, conseguimos fazer investimentos na área de mobilidade e avançaremos muito mais. Nossos planos incluem a modernização do sistema metroferroviário, além da expansão do Metrô em Ceilândia e Samambaia e a chegada do Metrô na Asa Norte, com a construção da estação HRAN. Vamos investir ainda em projeto e obra do VLT W3 Sul/Norte, ligando a Estação Asa Sul do metrô ao Terminal Asa Norte, e também investiremos na construção do BRT Norte, que seguirá até Sobradinho e Planaltina. Outro projeto que está no nosso plano é o BRT Oeste que ligará o centro de Brasília ao Sol Nascente. Além disso, a renovação e modernização da frota de ônibus será uma das prioridades, dando mais atenção aos veículos com biocombustível, elétrico, piso baixo, ar condicionado e motor traseiro, com investimento também dedicado à construção e ampliação de terminais de ônibus.
Existe alguma previsão ou intenção de atender às resoluções da CPI dos Transportes e refazer a licitação das empresas de ônibus? Se não, qual o plano de renovação/manutenção do sistema de transporte urbano da capital?
A principal sugestão foi fazer a auditoria dos contratos, o que foi feito pelo Governo do Distrito Federal em parceria com a Fundação Getúlio Vargas. Os contratos estão sendo analisados pela Justiça. Mas o sistema não pode parar temos 12 mil trabalhadores e 1,2 milhões de viagens por dia. Não custa lembrar que a licitação foi realizada pela pasta comandada pelo Tadeu Filippelli, comparsa do Ibaneis. Independentemente da ação judicial, precisávamos melhorar o sistema e assim fizemos com 1700 adequações de linhas, 70 novas lojas, 100 ônibus novos e a instalação do Bilhete Único.
Ainda sobre mobilidade, muitos usuários reclamam que, apesar de interessante, o Bilhete Único os forçou a optar pelas integrações, tendo de pegar dois ou três ônibus, muitas vezes lotados, em vez de poderem chegar ao destino pegando apenas um. Essa reclamação foi recorrente entre usuários de Planaltina e Paranoá. Existe alguma solução a curto prazo para isso?
Nosso plano de governo inclui modernização do sistema e da frota o que reforçará toda a rede, além de melhorias e construção de novos terminais. A implantação do bilhete único é um passo importante para essa modernização, mas faremos mais investimentos para atender melhor a população como a implantação de novo Sistema de Bilhetagem Automática com acesso pleno ao sistema (incluindo novas formas de pagamento). E a ampliação do Bilhete Único para atingir os principais municípios da Região Integrada de Desenvolvimento do Distrito Federal também faz parte do nosso planejamento estabelecido. Em Planaltina, por exemplo, teremos o BRT Norte. A população dessa região, e a do Paranoá também, serão ainda beneficiadas com o Trevo de Triagem Norte, que é a maior obra viária da história do DF.
Acha que as taxas de rejeição ao senhor indicadas em pesquisas estão relacionadas diretamente a medidas da sua gestão ou refletem a insatisfação com o status quo político como um todo?
Tenho muita convicção que hoje a população tem uma rejeição muito grande à política e aos políticos de uma forma geral. É claro que aqueles que estão mais expostos acabam recebendo a rejeição maior. Pegamos a cidade com muitas dívidas e precisamos enfrentar todos os tipos de interesses, contrariando, muitas vezes, interesses pessoais. Isso influenciou no crescimento da rejeição.
Você chegou a admitir que errou na relação com os deputados distritais. Em um eventual segundo mandato, como pretende endereçar os parlamentares?
Vamos manter uma relação de respeito com os deputados distritais e trabalhar juntos para a aprovação de projetos que sejam importantes para a população. Nós já encaminhamos para a Câmara Legislativa o Projeto de Lei que implementa a eleição direta para os administradores regionais. No meu próximo mandato vamos priorizar a realização de concursos. Já iniciamos o projeto para a contratação de gestores para as administrações. Vamos equipar melhor as administrações, além de pessoal, com máquinas e equipamentos, para que elas cumpram o papel de prefeitura que elas são.
E quanto à instalação de radares? Segue o plano de modernizar e instalar novos radares de velocidade na cidade?
Nossa atuação é sempre favorável à vida. Aumentar o número dos radares de velocidade fez com que os números de mortes no trânsito diminuíssem de forma drástica. Em 2000, por exemplo, 432 pessoas morreram em acidentes de trânsito. Até junho deste ano, o Detran registrou 165 mortes em 2018, menos da metade de 18 anos atrás. Incentivar práticas de educação no trânsito, assim como investir em medidas para que os motoristas diminuam a velocidade, são ações necessárias para a nossa população ter longevidade no trânsito. As campanhas educativas e as ações de fiscalização se mostram eficientes. As mortes em acidente de trânsito têm caído nos últimos anos. Em 2016 foram 390, já em 2017 o número caiu para 254. Este ano, no período entre janeiro e setembro, foram registradas 229 mortes.
Como a polarização política evidenciada no país afeta um governo que se propõe a ser centrista como o seu?
Fizemos um governo progressista, retirando Brasília das páginas policiais. Provamos que é possível administrar o Distrito Federal sem corrupção e com resultados. A polarização tem dividido famílias, deixando graves rupturas. É hora de unificar o Brasil e o Distrito Federal. Nossa cidade está acima das divisões políticas.