Jorge Eduardo Antunes
Eduardo Brito
Millena Lopes
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Com um currículo extenso e muita experiência acumulada, o ex-ministro do Tribunal de Contas da União (TCU) Valmir Campelo está na disputa a um cargo majoritário pelo PPS. Ele já foi deputado federal, senador, administrador regional, secretário de Estado… e orgulha-se da história construída na capital federal para onde veio morar antes dos 18 anos. Para 2018, ele prega que o partido deve se juntar a pessoas com conduta ilibada e experientes para resgatar a capital federal. Diz que adoraria uma aliança com Jofran Frejat (PR) e reafirma a intenção de ser candidato ao Senado. Não descarta, porém, que esteja na disputa pelo Palácio do Buriti.
O senhor acredita que alguém consegue administrar um Estado como está o Distrito Federal, com o tamanho de folha de pagamento, com o endividamento etc?
É desafiante ser governador. É preciso ter experiência, ter trânsito na Câmara e no Senado para buscar recursos e manter um relacionamento excepcional com o presidente da República. Como eu fui deputado constituinte, senador da República e conheço todos aqueles que estão lá, se torna muito mais fácil conseguir os recursos.
Como o senhor classificaria os últimos governos do DF?
É difícil falar sobre isso. Estamos em fase de negociação de muita coisa e, numa fase como esta, não adianta às vezes fazer uma análise negativa sobre determinados governos.
Mas pode ser positiva…
De positiva, nós tivemos excelentes secretários de Saúde, como o Jofran Frejat. Fala-se em transformar em instituto o Hospital de Base e isso é uma loucura. Se quer dar flexibilidade à Secretaria de Saúde, talvez seja preciso recriar uma fundação hospitalar, enxuta, como tinha antigamente. Quem planeja, não pode executar, nem fiscalizar.
O que o senhor faria com o Estádio Nacional de Brasília?
É um elefante. É complicado. Teria que estimular as empresas para poder movimentar isso aí. Eu achei um exagero quando decidiu se fazer um estádio, recusando recursos federais, com juros financiados pelo BNDES, para não passar pelo crivo do Tribunal de Contas da União. Preferiram tirar dinheiro da Saúde e da Educação, através da Terracap, e aí começam os problemas. Eu acho que também é um elefante branco a obra do Centro Administrativo, um custo exagerado.
O senhor é candidato ao Governo do DF?
Eu faço parte de um grupo que é formado para devolver a capacidade administrativa de Brasília. O cenário ainda está muito nublado e eu não pulo em piscina vazia. Estamos atrás de pessoas que tenham credibilidade, que tenham experiência administrativa. Se dependesse hoje de mim, eu preferiria pleitear uma das vagas do Senado. Estou em um partido com o senador Cristovam Buarque e podemos disputar as duas vagas. Dá para se fazer os dois senadores e isso é normal.
Uma aliança com PDT e Rede, é possível, com o nome do deputado distrital Joe Valle (PDT) posto como candidato ao governo?
Estamos conversando com esse pessoal todo. Mas não basta só querer, é preciso que o candidato tenha densidade eleitoral, ele ser conhecido da população.
Joe Valle não é muito conhecido…
Não sei.
E deve ser uma campanha curta…
Sim, vai ser. E deve ser muito no campo das redes sociais. Nós temos o eleitorado mais politizado do Brasil. Querer muita gente quer, mas tem alguns comprometidos na Justiça, respondendo a inquéritos, e tem outros que não tem densidade eleitoral. Eu acredito que o partido em que estou, pelo menos em nível dos (candidatos) majoritários, não está envolvido em absolutamente nada.
O PPS tem conversado com muitos partidos, mas tem alguma aliança o senhor acha que seria improvável?
Com o PT, por exemplo. Por uma série de consequências. Aqui em Brasília, o PT tem uma margem de eleitores, mas tem um limite.
O senhor acha que o senador Cristovam Buarque terá mais dificuldade para se reeleger, em função do posicionamento favorável às reformas do governo Temer?
Eu não parei para fazer essa avaliação, mas entendo que ele poderá prestar relevantes serviços.
Isso é inegável, mas ele sempre foi identificado como político de esquerda e está perdendo esse eleitorado, sem ganhar o da direita.
Será que ainda existe esquerda e direita? O eleitor de Brasília não está visando sigla partidária, mas a pessoa. Eu convivi em cidades satélites por muito tempo e conheço muito bem as pessoas e elas votam no nome. Eu tenho percebido isso ainda mais agora que tenho percorrido anonimamente as cidades e mantendo contato com antigos amigos.
Com quem seria possível fazer alianças?
Política, a gente tem que fazer com grandeza e não com ódio. Um senador da República não pode ser inimigo do governador. Pode ser adversário. Se eu não ajudo, como senador, um governo, mesmo tendo sido meu adversário, eu estou prejudicando a sociedade.
Mas a relação dos três senadores com o governador Rodrigo Rollemberg chega a ser conflituosa.
Eu digo o que eu não faço. Na minha opinião, não pode ser feito dessa maneira.
E o que o senhor vai dizer de Rollemberg na campanha?
Eu nunca fiz campanha política falando mal das pessoas ou levantando problemas. É preciso apresentar um plano de trabalho e mostrar o que se pretende fazer por Brasília. Meu estilo é de harmonia, de agregar. Não sou
polêmico.
Na última eleição, o senhor votaria em Rodrigo Rollemberg ou Jofran Frejat?
O voto é secreto (risos). Mas, com sinceridade, eu sou amigo do Frejat, a gente se fala quase todos os dias, pelo WhatsApp. Ele é um nome que eu respeito como candidato ao governo, por exemplo. Eu ficaria muito feliz se pudesse disputar uma eleição, com o Frejat na cabeça. Ficaria muito feliz se meu partido se ajustasse com o dele (PR) ou então se trouxessem ele pra gente. Não teria problema com o tempo de televisão. Para a população de Brasília, isso pouco importa. São nomes já conhecidos, é preciso só relembrar. Eu fazia minha campanha toda distribuindo santinhos. É preciso olhar no olho da pessoa, nem que seja por dez segundos. É a sintonia do eleitor com o candidato.