A postura mais combativa adotada por Romeu Zema (Novo) em relação ao Supremo Tribunal Federal (STF) fez arrefecer a pressão de uma ala do Partido Novo para que ele seja vice na chapa do senador Flávio Bolsonaro (PL).
Segundo relatos colhidos pelo Estadão, há algumas semanas integrantes do partido, principalmente da região Sul, vinham defendendo essa solução. O receio era que o eleitorado bolsonarista nesses Estados deixassem de votar em candidatos do Novo ao Congresso porque eles apoiavam Zema em vez do filho do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).
O cenário mudou depois do bate-boca público entre Zema e o ministro Gilmar Mendes. A percepção agora é que o ex-governador ganhou força entre os bolsonaristas, porque passou a defender de forma explícita mudanças no STF, pauta cara a esse eleitorado.
Exemplo disso é que Zema pediu a prisão dos ministros Alexandre de Moraes e Dias Toffoli na esteira do caso do Banco Master, enquanto o próprio Flávio Bolsonaro tem evitado comentar o assunto.
A postura mais dura chegou a fazer com que Gilmar Mendes pedisse que Zema fosse investigado no inquérito nas fake news. O ministro reclama de um vídeo com fantoches publicado pelo ex-governador de Minas Gerais.
O vídeo publicado por Zema retratava uma conversa entre dois bonecos, que representariam Dias Toffoli e Gilmar Mendes. No vídeo, Toffoli telefona para Gilmar e pede a ele que anule as quebras de sigilo de sua empresa, aprovada na CPI do Crime Organizado do Senado. Com um diálogo marcado por ironias e caricaturas, Gilmar responde que anularia as quebras e pede em troca uma cortesia no resort Tayayá, no qual Toffoli possuía participação acionária.
Em reação ao pedido de Gilmar para que Zema seja investigado, o ex-governador de Minas republicou o vídeo no X com a seguinte mensagem: “Se um teatro de fantoches é visto como ameaça por Gilmar e Moraes é sinal de que a carapuça serviu”.
Mesmo que essa postura mais dura com integrantes do STF não se traduza em mais votos no futuro, a avaliação no Novo passou a ser que, agora, nenhum bolsonarista deixará de votar em candidatos da sigla pelo fato de não estar na coligação de Flávio. Pelo contrário: a leitura é que Zema colocou a si próprio e ao Novo em evidência e a expectativa é que isso impulsione as candidaturas ao Legislativo.
O mineiro tem rechaçado qualquer possibilidade de não levar a candidatura até o final – a mais recente pesquisa Genial/Quaest o coloca com 3% das intenções de voto, empatado na margem de erro com Ronaldo Caiado (PSD), Augusto Cury (Avante) e Renan Santos(Missão) e 30 pontos percentuais atrás de Lula e Flávio.
Ao lançar diretrizes do seu plano de governo, Zema afirmou que se diferencia de Flávio e outros candidatos de direita por já ter “consertado as bárbaries do PT” e que Jair Bolsonaro disse a ele que quanto mais candidaturas de direita no primeiro turno, melhor – a estratégia dificultaria que o governo Lula focasse a artilharia em apenas um nome.
Dois aliados de Zema disseram ao Estadão, sob reserva, que nunca houve um convite formal por parte de Flávio para o mineiro ser seu vice. Segundo eles, o núcleo duro do senador fez chegar ao Novo a informação que, dentre os nomes cotados, Bolsonaro prefere Zema como vice. A resistência viria de outras lideranças próximas ao senador, que querem a indicação de uma mulher para o posto.
Zema também já procura seu vice
Enquanto a situação não se define, Zema se movimenta em busca do próprio vice. Uma possibilidade citada é uma composição com o empresário Geraldo Rufino (Podemos), que se intitula fundador da maior recicladora da América Latina. Rufino e Zema são amigos, mas o principal empecilho é o Podemos, ao qual o empresário está filiado.
A sigla presidida pela deputada Renata Abreu ainda não decidiu o que fará na eleição, mas mesmo aliados de Zema consideram a aliança difícil porque em vários Estados o Podemos já sinalizou uma composição com o PL. No entorno do pré-candidato do Novo, há quem defenda que, em uma campanha antissistema, o melhor caminho é uma chapa pura.
“Geraldo Rufino e o governador Zema têm uma relação de amizade próxima, construída ao longo dos anos, o que pode, naturalmente, gerar algumas interpretações nesse sentido. De toda forma, neste momento, não existe qualquer tratativa, articulação ou projeto envolvendo o nome de Geraldo Rufino”, disse a assessoria de imprensa do empresário.
Estadão Conteúdo