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Política & Poder

Em áudio, Janot explica que não atirou em Gilmar Mendes porque “dedo ficou paralisado”

Ideia do ex-procurador-geral da República era matar o ministro do STF e tirar a própria vida em seguida

Willian Matos

27/09/2019 10h02

Willian Matos
redacao@grupojbr.com

Na última quinta-feira (26), veio à tona uma declaração forte do procurador-geral da República em 2017 — época do ápice da Lava Jato — Rodrigo Janot. Ele revelou que, à época, tinha a intenção de matar o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Gilmar Mendes, e depois de atentar contra a própria vida.

Em entrevista concedida à revista Veja, Janot detalha que havia chegado “no limite” com Gilmar. Eles viviam trocando alfinetadas em público, mas o que o então procurador-geral estava decidido a fazer vai além. 

“Tudo na vida tem limite, e eu cheguei no meu limite. Fui armado”, disse Janot, explicando que estava em posse de uma arma quando foi a uma sessão do STF. A finalidade: matar Gilmar Mendes.

“Eu ia dar um tiro na cara dele, depois me suicidava na sala do Supremo”

A ideia por pouco não foi executada. Janot foi, sim, segundo ele, armado à sessão. Seguiu em direção a uma sala reservada onde os ministros se reúnem antes de dar início a julgamentos no plenário, quando viu Gilmar sozinho na sala.

“Quando eu chego na sala do Supremo, quem é que tava na sala?! Ele [Gilmar Mendes]. Eu falei: ‘Tá aí,, a energia do destino me levou até aqui’. Tirei, engatilhei, fui pra cima dele”, explica Janot. Ele sacou a pistola do coldre que estava escondido na beca e engatilhou. O STF esteve a poucos minutos de uma tragédia que marcaria a história da política brasileira. No entanto, algo evitou que acontecesse.

“Eu sou destro, aí quando eu procuro o gatilho, meu dedo ficou paralisado. Mudei de mão, fui pra esquerda, meu dedo paralisou de novo. Aí, eu falei: ‘isso é um sinal’. Chamei meu secretário executivo e disse a ele:  ‘Manda o Andradinha vir, porque não tô passando bem e não vou fazer a sessão hoje no Supremo’.

Na semana que vem, Janot promete lançar um livro que vai narrar mais episódios desconhecido ao longo dos quatro anos em que esteve à frente da Lava Jato. Nada Menos que Tudo, escrito pelos jornalistas Jailton de Carvalho e Guilherme Evelin, traz histórias protagonizadas pelos mais poderosos da República durante a operação.

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