Sionei Ricardo Leão
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Cientistas políticos acreditam que, em outubro, o eleitor do Distrito Federal vai dar um golpe de misericórdia nos candidatos envolvidos em escândalos que, por enquanto, conseguiram escapar da degola jurídica dos tribunais. E não são poucos os que estão nesta condição.
David Fleischer, da Universidade de Brasília (UnB), é um dos que acreditam na memória longa do eleitorado. Ele lembra o que ocorreu com políticos cariocas impugnados, em 2006, pelo Tribunal Regional Eleitoral do Rio de Janeiro (TRE-RJ). Os concorrentes conseguiram, com recurso ao Tribunal Superior Eleitoral, resgatar o direito de participar da campanha. Mas foram surpreendidos com o veto das urnas.
Um dos candidatos que teve frustrado o desejo de conquistar o mandato foi o folclórico Eurico Miranda, ex-presidente do Vasco da Gama. Para o TRE-RJ, ele não tinha condições de disputar a eleição por “falta de condições morais”.
O diretor do Departamento Intersindical de Assessoria Parlamentar (Diap), Antônio Augusto de Queiroz, menciona os denunciados de participar da Máfia das Ambulâncias, em 2006. Dos 80 congressistas citados, apenas quatro conseguiram reconquistar a vaga. Não se tem notícia de condenações desses parlamentares, mas em grande parte foi rejeitada pelos eleitores.
Caixa de Pandora
Se tais previsões estiverem corretas, os remanescentes do inquérito da Caixa de Pandora têm muito com o que se preocupar. Depois de renúncias, expulsões partidárias e cassações, restam alguns personagens numa espécie de “corda bamba” eleitoral. É o caso dos distritais Rôney Nemer (PMDB), Aylton Gomes (PR) e Benedito Domingos (PP), que respondem na Câmara Legislativa processos por quebra de decoro parlamentar. Todos foram citados no inquérito da Polícia Federal.
O também distrital Benício Tavares (PMDB) está nesse universo. O Ministério Público Eleitoral pediu nesta semana a impugnação de sua candidatura. Completam o grupo os suplentes de distrital Pedro do Ovo (PRP) e Berinaldo Pontes (PP).
A situação do ex-distrital Junior Brunelli (PSC) é mais difícil. A legenda negou-lhe vaga para ser candidato. Protagonista de imagens de grande impacto entre os vídeos divulgados pelo ex-secretário de Relações Institucionais do DF, Durval Barbosa, ano passado, Brunelli renunciou ao mandato para não perder os direitos políticos.
O ex-corregedor do GDF, Roberto Giffoni (DEM), e o ex-secretário de Educação do DF, José Luís Valente (PMDB), também são concorrentes com a marca Caixa de Pandora. Giffoni tenta convencer os eleitores que merece um mandato de deputado federal. Valente quer ser um dos novos parlamentares da Câmara Legislativa.
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