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Política & Poder

Eleições 2014: uma delas será a primeira-dama

Arquivo Geral

03/08/2014 10h00

Tudo começou nos Estados Unidos, quando o título foi dado em homenagem à mulher do então presidente James Madison (1809-1871). A partir daí, “primeira-dama” passou a ser usado no Brasil como alcunha para mulheres de presidentes, governadores e prefeitos. Criticada por aquelas que defendem mais participação feminina e desejado por outras que querem estar ao lado dos maridos no poder, a posição de “mulher do governador do DF”, nestas eleições, é cobiçada por Flávia Arruda, Ilza Queiroz, Márcia Rollemberg, Maria José da Conceição, a  Maninha, e Sandra Pitiman. 

“Eu não serei primeira-dama”, dispara  Maninha, mulher do Toninho do PSOL, logo no início da conversa. Distrital por dois mandatos e federal por um, ela concorre novamente este ano a uma cadeira na Câmara Legislativa do DF. “Eu sempre tive a minha vida política ativa. Eu quero fazer parte do governo, enquanto figura política e pública”, justifica.

Na visão feminista de Maninha, a ideia de primeira dama é retrógrada, despolitizada.  “Eu nunca me vi em papel de primeira-dama. Não existe essa perspectiva na minha vida. Aliás, esta é uma coisa que tem que ser abolida. No Século XXI, com a mulher moderna trabalhando, participando, essa figura não existe. Eu acho isso esdrúxulo, no mínimo”.   

Maninha diz que quer o seu próprio espaço político: “Eu jamais irei ocupar algo criado para dar à primeira dama uma função. E não estarei acompanhando o governador em solenidades, como primeira-dama”.

Segundo tempo

 Flávia  é a mulher de José Roberto Arruda (PR). Ela, que é jornalista,  já deteve o título de primeira-dama de 2007 a 2010, quando o marido governou o DF. Agora, tenta pela segunda vez, atuar na área social do DF.  ”Quero retomar, por exemplo, o projeto Mãezinha Brasiliense e voltar a ajudar as creches”, planeja.

Em licença-maternidade após ter dado à luz à segunda filha, ela diz que pouco tem feito na campanha. Mas, para ela, a primeira-dama deve ser “solidária na política, atuante na área social e um porto seguro na vida pessoal”. 

Papel precisa ser revisto

“O papel da primeira-dama precisa ser revisto, em face de toda a trajetória da mulher na sociedade”, argumenta Márcia, mulher de Rodrigo Rollemberg (PSB). Por telefone, do Rio de Janeiro, onde participa da Festa Literária Internacional de Paraty (Flip), ela diz que sua agenda intensa de trabalho impede que ela participe mais ativamente da campanha do marido. “Minha participação é mais pontual”, diz ela, que é, há quase três anos, secretária de Cidadania e Diversidade Cultural do Ministério da Cultura.

As contribuições para o projeto de governo vêm da experiência de quase 20 anos de serviço público, nos quais a maioria  atuou como gestora e do fato de ser uma “candanga apaixonada por Brasília”. 

Se o marido for eleito, ela diz que pretende continuar trabalhando em prol da melhoria da gestão pública.  Argumenta que vive dias intensos, após a sanção da lei 13.018/2014, para a qual contribuiu diretamente e que estabelece a Política Nacional de Cultura Viva, programa que está sob seus cuidados no ministério.

Sempre ao lado do marido

“De qual das muitas coisas que eu faço vamos falar?”, inicia a conversa a multifacetada Sandra, mulher de Luiz Pitiman (PSDB), em sua generosa varanda, voltada para o Lago Paranoá. Psicóloga, designer de interiores e artista plástica, a mãe do Thiago, 29 anos, da Priscila, 21 anos, e da Luiza, 15 anos, é quem cuida dos negócios da família, desde que o marido se envolveu com a política. Faz questão de ressaltar que sempre acompanhou o marido, nos negócios e nas mudanças.

É ela que está ao lado do tucano na agenda de campanha, como ela faz questão.  A disposição, segundo ela, tem explicação: “Quando eu me proponho a uma coisa, eu tiro 10”.

Se o marido for eleito, ela diz que não pretende “reiventar a roda”. “Precisamos pegar a roda e colocar nos trilhos”, diz, referindo-se a programas sociais já existentes e que pretende por em prática. Sua inspiração é a mulher de JK. Seguindo o exemplo de Sarah Kubitschek, ela diz que seu projeto é o de valorizar a família. 

 Para ela, a primeira dama deve trabalhar pela valorização da mulher, mas, garante,  não pretende assumir cargos, no caso de um possível governo do marido.  “Estamos juntos há 33 anos. E eu serei, como sempre, a companheira dele”, afirma.

Opção

Atual primeira-dama do DF, Ilza é sempre vista ao lado do marido, Agnelo Queiroz (PT), em agendas ao longo dos últimos três anos e meio. Ela se aposentou do serviço público, onde trabalhava como médica ginecologista, e, desde então, dedica-se aos compromissos sociais de primeira-dama. “Optei por acompanhar o Agnelo nas atividades externas. E também dando suporte nas áreas com as quais me identifico”, explica.

Na campanha, da mesma forma, a “doutora Ilza”, como é tratada no governo, vai em todas as agendas públicas ao lado do marido. “Só não vou nas reuniões para definir estratégias de campanha”, explica. “Ela gosta muito do povo”, sopra a assessora, que acompanha a conversa. Ilza ri e assente com a cabeça. “Eu gosto da campanha”, admite.

Para o futuro, caso o marido seja reeleito, ela diz que  deve ter o mesmo tipo de atuação. Planos de voltar a trabalhar com a medicina, ela tem. Mas não sabe para quando. “Ainda não é o momento”, afirma.

Memória

Weslian Roriz foi a primeira mulher de governador eleito pelo voto no DF (Joaquim Roriz) e desempenhou o papel de primeira-dama por três mandatos (1991-1994; 1999-2002; 2003-2006).

A segunda a ocupar a função foi a mulher de Cristovam Buarque, Gladys, que governou o Distrito Federal de 1995 a 1998. 

Flávia,  de José Roberto Arruda,  foi a mulher do governador de janeiro de 2007 até março de 2010, quando o marido perdeu o mandato.

Depois de o Palácio do Buriti ter no comando dois governadores (Paulo Octávio e Wilson Lima) em mandatos-relâmpago, Rogério Rosso tomou posse, após ser eleito indiretamente pela  Câmara Legislativa. Karina Rosso, sua mulher, foi então, a primeira-dama do DF por oito meses.

E, por último, com a eleição de Agnelo Queiroz, em 2010, Ilza se tornou a atual primeira-dama do DF.

 

Ilza, mulher de Agnelo Queiroz

Sandra,  mulher de Luiz Pitiman

Márcia,  mulher de Rodrigo Rollemberg

Flávia,  mulher de José Roberto Arruda

Maninha, mulher de Toninho do PSOL

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