Ainda sem ter decidido se deixa a Secretaria de Trabalho para se descompatibilizar do cargo e disputar as eleições de outubro, o bispo Renato Andrade (PR) ainda terá que enfrentar o dilema de, provavelmente, ter de apoiar um candidato de oposição ao governo de que faz parte. Filiado ao PR há 20 anos, o secretário afirma que vai aguardar a convenção do partido, prevista para junho, mas que o caminho mais provável será a obediência à legenda.
Bispo Renato esteve boa parte do atual governo à frente da Secretaria de Trabalho, mas em outubro do ano passado foi surpreendido com a filiação do ex-governador José Roberto Arruda (PR), que anunciou no início deste ano sua candidatura ao Buriti com o apoio do também ex-governador Joaquim Roriz, hoje no PRTB.
Mesmo passando ao controle de adversários do governo Agnelo Queiroz, o PR não pediu o afastamento do secretário do governo petista. “Em momento algum o partido pediu a minha saída da Secretaria de Trabalho e mesmo com a chegada do Arruda, em nenhum momento, fui constrangido por qualquer pessoa do governo ou do PR”, garante.
Quanto ao fato de apoiar ou não a candidatura de seu companheiro de partido, Andrade é enfático: “Primeiro vou aguardar a decisão do partido, que ocorrerá na convenção, para depois decidir o que vou fazer”.
O mal-estar pode influenciar na decisão, inclusive, da saída da secretaria. De acordo com secretário, a decisão só deverá ser tomada no final da tarde de hoje, já que ele tem até amanhã para deixar a pasta. “Há a possibilidade de eu não sair da secretaria, mas sou pré-candidato a deputado distrital”, declara.
Não se afastou
Políticos próximos ao bispo Renato garantem que ele estará ao lado de Arruda, caso a candidatura do ex-governador se concretize. “Não tem lógica ele fazer parte de um partido e apoiar o candidato de outro. Ele sempre deixou claro que foi o Arruda que chegou depois e que ele já estava no PR”, afirma um parlamentar próximo.
Para o político houve incoerência do PR ao declarar oposição ao governo e não pedir que o bispo Renato deixasse o cargo. “O PR está na oposição, mas em momento algum pediu para o secretário sair ou qualquer membro do partido. Era o mínimo que eles deveriam ter feito. Onde está a coerência? Será que, caso não dê certo com o Arruda, o partido não vai apoiar o governo depois?”, indaga o político.