Francisco Dutra
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“Ele não pensou na nação”, afirmou o senador Cristovam Buarque (PPS), após o presidente da Republica, Michel Temer (PMDB), negar a possibilidade de renunciar ao cargo. Segundo o parlamentar, eleito com 833.480 votos, dificilmente o chefe do Executivo conseguirá se manter em função do peso das denúncias da delação premiada do dono da JBS, Joesley Batista.
“Temer escolheu a agonia de Geddel”, pondera Buarque, fazendo uma alusão à queda prolongada do ex-ministro de Governo Geddel Vieria Lima, no final do ano passado. Na análise do senador, a tendência é que os partidos da base abandonem o governo conforme as denúncias ganhem mais elementos. Com isso os ministérios vão se esvaziar e o Planalto perderá a capacidade de governar e de influenciar o Congresso Nacional.
“O presidente deveria apresentar os resultados positivos e declarar que ficaria os dias necessários para o Congresso definir um substituto, fazendo um apelo para o mercado não perder a confiança na economia. Ele errou”
“Será o parlamentarismo sem o primeiro-ministro”, crava o senador. O terremoto político será severo e as reformas Trabalhista e da Previdência subiram no telhado. Para Buarque, o Estado deve blindar duas áreas: Economia e Defesa.
Preocupações econômicas
Por um lado, é preciso continuar os esforços para restabelecer os pilares econômicos. Por outro, é preciso unificar os militares para que o Brasil não corra o risco de um movimento contra a Democracia por células isoladas das Forças Armadas. “O Exército também tem um papel no combate à violência. Eles salvaram o Espírito Santo, no começo deste ano”, completa.
Em um eventual cenário com o afastamento de Temer, o senador defende que a Constituição seja respeitada na integra. Cristovam identifica mais desvantagens do vantagens na proposta de eleições diretas. Seria um processo muito desgastante. Do ponto de vista do parlamentar, a melhor caminho seria a eleição indireta com um diferencial: o candidato não deveria ser deputado federal ou senador. Na visão do senador, nenhum nome no Congresso tem credibilidade política para governar o país.
Kokay defende eleições diretas
Opositora de primeira hora do governo Temer, a presidente regional do PT-DF e deputada federal Erika Kokay defende o afastamento do presidente e a convocação de eleições diretas para todos os cargos públicos. “Não é uma delação. São provas contundentes, incontestes e flagrantes. Temer nunca teve condições de ocupar o Planalto”, dispara a parlamentar.
Kokay não vê o minimo sentido do atual Congresso continuar a ditar o ritmo da país depois da explosão de tantos casos de corrupção envolvendo o Legislativo.
“Esse Congresso é cúmplice. Engendrou o golpe e estava apoiando as reformas para roubar os direitos do trabalhador”, explica. Sobre a delação contra o senador afastado Aécio Neves (PSDB), rival histórico do PT, a deputada não economizou críticas.
“Aécio Neves ser revelou um jagunço. Não só se comprovou que tomou atitudes ilícitas, mas chegou a dizer poderia matar quem fizesse denúncias contra ele. Quem rouba recurso público mata. Todo corrupto é um pistoleiro. Mas ele assumiu o papel de jagunço”, dispara Kokay.
Além da defesa do impeachment, o PT planeja engrossar os protestos contra Temer em gestação para o proximo domingo (21/05). O partido também apoiará o movimento das centrais sindical Ocupa Brasília.
Apoio pela economia
A delação da JBS abalou as pontes do Planalto com parlamentares aliados na Bancada do Distrito Federal no Congresso. Tremeu, mas não derrubou. Na avaliação dos deputados federais, a denúncia é grave. Caso o volume de informações contra Temer continue a crescer, o rompimento será inevitável. A principal justificativa para a manutenção do apoio ao Planalto é a retomada da economia.
“É óbvio que a questão é grave. É triste porque agora começam a surgir os primeiros indicadores positivos da economia, a retomada do emprego. A nossa preocupação nº 1 é manter o país funcionando, sem quebrá-lo”, resume o presidente regional do PSDB, deputado Izalci Lucas.
Quanto às denúncias contra Aécio Neves, o parlamentar declara: “Ele se afastou e terá chance de se defender, terá o contraditório. Agora, o PSDB não vai defender o indefensável. Não vamos nos precipitar. Mas quem errou, tem que pagar. Diferente do PT, com Lula, Dilma e Dirceu, o PSDB não vai patrocionar, proteger e promover algo ilegal”, argumenta.
O deputado federal Alberto Fraga (DEM) julga que antes de qualquer movimento é preciso analisar se as novas denúncias são de fato “bombas” ou são apenas “traques”. Segundo Fraga, o Brasil precisa de freio de arrumação para colocar a economia nos eixos. “O DEM não está saindo da base”, afirma.
Na avaliação do deputado Laerte Bessa (PR), o discurso de permanência de Temer foi firme. Para o parlamentar, não há elementos para o afastamento. “Se ficar comprovada alguma coisa, eu vou pedir o afastamento dele, como um amigo”, conta. Na leitura do deputado federal Rogério Rosso (PSD), o cenário é grave e incerto e sem condições para a votação das reformas.