“Não vote em bandido, vote na MC Bandida!”. O slogan é chamativo, assim como o visual adotado pela candidata a deputada distrital pelo PHS: véu e roupas que mostram o corpo. Ela chega para quebrar um paradigma no Distrito Federal que nunca teve um representante na Câmara Legislativa eleito pelo chamado voto de protesto.
Mas existem tabus a serem quebrados. As curvas podem até chamar a atenção, porém não garantem vitória nas urnas. Nas últimas eleições, Suelem Aline Mendes da Silva e Renata Frisson – Mulher Pêra e Mulher Melão, respectivamente – tentaram alcançar cargos políticos em São Paulo e no Rio, mas não conseguiram sucesso. A funkeira Tati Quebra-Barraco também não teve sucesso ao tentar se eleger deputada estadual no Rio pelo PTC, em 2010.
oportunidade
A funkeira Valéria Maria de Santana, a MC Bandida, é dançarina há mais de dez anos. Ficou conhecida nacionalmente e ganhou visibilidade após gravar um videoclipe protestando contra a corrupção com o Congresso como plano de fundo.
A exposição virou uma oportunidade e a MC foi convidada a se filiar ao PHS. Desde que decidiu ser candidata afirma ter recebido todo tipo de apoio de pessoas próximas. “Todos me apoiaram, porque seria uma oportunidade única de ter alguém conhecido na Câmara que está junto deles. Escuto isso de todo mundo, mas quando sai alguma notícia sobre mim em um site, a mulherada me critica, fala que eu tenho celulite, mas que mulher não tem?”, brincou.
Apesar de deixar as curvas à mostra, a aspirante a deputada distrital pretende fazer uma campanha mais politizada do que com conotação sexual.
Mas não só com ousadia os votos serão conquistados, ela garante. Além do combate à corrupção, estão entre as propostas de campanha a educação e cultura. A prioridade é trazer escolas de ensino médio para o Varjão, onde ela mora, e proporcionar acesso a artistas novatos aos shows e eventos patrocinados pelo governo.
Artistas não têm espaço na Câmara
Segundo o Tribunal Regional Eleitoral, são 1.004 candidatos a deputado distrital para as eleições de 2014. No entanto, um segmento possui pouquíssimos representantes, os artistas: cantores, compositores, atores e diretores totalizam seis – quatro do PHS – postulantes à cadeira de distrital.
O único representante da classe artística na Câmara Legislativa em todos os tempos foi o ator e mímico, Miqueias Paz (PT), eleito em 1994. Mesmo assim, ele não chegou a ser o titular da cadeira e foi um dos suplentes da legislatura de 1995 a 1998, que chegaram ao poder por licença de um dos parlamentares.
Colega de MC Bandida no PHS, a cantora sertaneja Tamy Rodrigues, 26 anos, tenta também alcançar o poder levantando a bandeira do apoio aos artistas locais. A candidata a distrital acredita que a presença de um artista na Câmara pode ser positiva. “O mundo da música não costuma se envolver com a política”, opinou. As propostas incluem a luta pela construção de um hospital veterinário público, a regularização da QE 40, no Guará II, onde mora, e a melhoria de serviços básicos.
Embora prefira não mostrar o corpo, ela aposta também na imagem para conseguir se eleger, mas não critica MC Bandida. “Cada um tem que lutar com o argumento que tem. As pessoas se identificam comigo na noite, quando vou cantar em algum evento. Acredito que beleza agrega bastante e simpatia, é claro”, afirmou.