A Polícia Federal prendeu nesta quinta-feira (17) o doleiro Fayed Traboulsi e o policial civil Marcelo Toledo por envolvimento em suspota fraude a fundos de previdência de servidores de prefeituras de nove estados e do Distrito Federal. As prisões – preventivas por tempo indeterminado – são resultado da Operação Miqueias, que, há quase três anos, investiga esquema de corrupção que teria desviado cerca de R$ 50 milhões em quase dez anos.
A dupla compõe a lista de 43 nomes denunciados pelo Ministério Público Federal (MPF) em julho deste ano por corrupção ativa e passiva, lavagem de dinheiro e organização criminoso. Investigações apontaram que o grupo simulava consultoria financeira a agentes públicos e usavam empresas fantasmas para ‘lavar dinheiro’. As primeiras negociações com os gestores costumava ser realizada por “mulheres bonitas” ou lobistas. O contato era acompanhado de um auditor fiscal da Receita, o que ajudava a dar credibilidade ao negócio.
A Justiça também determinou a retenção do passaporte de Traboulsi e Toledo. O doleiro é apontado como líder do esquema. Já Marcelo Toledo estaria entre os responsáveis por vazar informações sobre as investigações policiais aos envolvidos. A prática resultou em denúncia no Tribunal de Justiça do DF, pelos crimes de ameaça, desacato e violação de sigilo funcional.O Jornal de Brasília ainda não conseguiu contato com a defesa dos envolvidos.
As investigações em torno da quadrilha começaram quando uma auditoria do Ministério da Previdência Social constatou que centenas de municípios aplicavam recursos do Regime Próprio de Previdência Social (RPPS) em fundos de investimentos de crédito privado pouco atrativos – o que, consequentemente, gerou danos financeiros. A seleção dos investimentos ocorria a partir de orientações de empresas de consultoria financeira.
O trabalho de apuração fez a polícia identificar a empresa Invista Investimentos Inteligentes, de propriedade de quatro dos denunciados e que era usada como ‘ponte’ para a corromper agentes públicos.