
PT traça estratégia contra Arruda
O PT já tem uma estratégia pronta para explorar as questões jurídicas envolvendo a candidatura do ex-governador José Roberto Arruda. Um primeiro momento será de expectativa, revela o presidente regional petista, Roberto Policarpo (foto). Os advogados do PT veem possibilidade de que o Tribunal Regional Eleitoral recuse o registro e, caso contrário, de que o Ministério Público Eleitoral entre imediatamente com uma impugnação. O PSOL já fez isso. Também um processo dos promotores é dada como certo. Seria o ponto de partida para um sequência de ações que poderiam subir a instâncias superiores, criando um clima de insegurança para a campanha de Arruda. Nas hipóteses de que o Ministério Público não recorra ou de que seus recursos sejam rejeitados, diz Policarpo, o PT discutirá com os demais partidos de sua aliança se procederão juntos a nova impugnação.
Ficha suja vira tema de campanha
À parte a ofensiva no Judiciário, o PT pretende explorar a condenação como tema eleitoral. “Para nós, o ex-governador Arruda já é ficha suja, independentemente de recurso”, diz o deputado Roberto Policarpo. Registrada sua candidatura, a campanha petista apostará em clima de incerteza jurídica. Dirá, nas ruas e em especial no horário eleitoral, que ninguém sabe se Arruda irá até o fim. Levantará assim uma série de dúvidas: se sua candidatura resistirá até o dia das eleições; caso resista, se terá condições de ganhar; caso ganhe, se será diplomado; caso diplomado, se será empossado; caso empossado, se terminará o mandato. Dessa maneira, procurará criar dúvidas sobre o valor real de um voto no ex-governador.
Procuradoria adota postura de cautela
A Procuradoria Regional Eleitoral do Distrito Federal divulgou ontem uma nota cautelosa a respeito da decisão do Tribunal de Justiça. Avisa que pedirá cópia da sentença e, condiciona a uma “plausibilidade jurídica”, o pedido de impugnação ao registro das candidaturas, dentro do prazo estipulado pela legislação. Evita dizer se, mesmo em sua opinião, a sentença prejudicaria o recurso. Limita-se a dizer que, “com a decisão do tribunal, os candidatos ficam impossibilitados de assumirem os cargos, caso sejam eleitos”. Aponta, portanto, muito mais para um questionamento futuro do que para uma contestação do registro da candidatura. Afinal, diz também, referindo-se a Arruda e a Jaqueline Roriz, “a lei assegura que os dois podem continuar com a campanha, arrecadar recursos e ter o nome inscrito na urna”.