A repercussão dos supostos perfis falsos financiados pelo GDF está cada vez mais forte e parlamentares já cobram uma investigação aprofundada do assunto. A oposição se movimenta para que o assunto seja alvo de uma CPI e que a Câmara convoque os envolvidos para prestarem esclarecimentos.
Para a deputada Eliana Pedrosa (PSD), a Câmara Legislativa não pode deixar passar o momento de cobrar explicações do governo sobre o tema. Além disso, a parlamentar promete tomar providências. “Espero que os colegas não fiquem inertes sobre essa denúncia, porque isso fugiu da esfera política e partiu para ataques pessoais e as nossas famílias”, cobrou. “Se a Câmara não quiser tomar atitudes sobre o assunto, vou me dirigir à Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), assim como fiz na questão do Nota Legal. Naquela ocasião, eles conseguiram entrar com uma ação e resolveram o problema. A suspeita de que o esquema seja financiado com dinheiro público é um dos motivos que fazem necessária uma apuração”, concluiu.
Providências
Para a deputada Liliane Roriz (PSD), a denúncia deve ser levada a uma CPI. Ela conta também ter sido vítima dos ataques na internet. “Sou a favor da CPI porque é um fato que tem que ser investigado”, afirmou a distrital.
A deputada se junta à colega de partido Celina Leão, que tem se movimentado nos últimos dias. Já foram feitas, por Celina, representações nos Ministério Público do DF e no Ministério Público Federal para que Agnelo Queiroz e o ex-secretário de Publicidade Institucional, Abimael Nunes de Carvalho sejam interrogados.
“O bloco de oposição está unido para obrigar o governo a dar esclarecimentos sobre os fakes”, disse Liliane.
Quem criticava Agnelo virava alvo dos fakes
Os fakes nas redes sociais fazem ataques a opositores, elogiam e divulgam ações positivas do governo de Agnelo Queiroz. A Sarkis Comunicação, com sede no Lago Sul, teria sido subcontratada por uma das empresas com contrato de publicidade com o GDF, a Agnelo Pacheco que por meio de sua assessoria diz desconhecer quaisquer ações fora dos padrões da Painel Brasil TV.
Na rede
Um dos perfis tidos como falsos é Lúcia Pacci, que se intitula jornalista e socióloga. Além de um página no Twitter, ela também tem um blog, que é usado para escrever textos favoráveis a Agnelo e com ataques a políticos como os senadores Rodrigo Rollemberg (PSB) e Cristovam Buarque (PDT).
O deputado federal Fernando Francischini (PSDB) também foi vítima dos ataques. Foi divulgado um dossiê falso, em inglês, que apontava Francischini como um dos mandantes de uma chacina no Espírito Santo, quando ele trabalhou na Secretaria de Segurança Pública do estado. O deputado, ex-delegado da Polícia Federal, foi um dos responsáveis pelas denúncias contra o governador Agnelo Queiroz nos tempos de dirigente da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).
O GDF nega ter contrato com a Sarkis Comunicação e afirma que a exoneração de Abimael Nunes foi apenas uma troca de cargo.
O deputado Chico Leite (PT), presidente da Comissão de Constituição e Justiça, foi procurado para comentar o assunto, mas não pôde conceder entrevista.
Saiba Mais
A deputada Celina Leão se reúne hoje com a procuradora-geral de Justiça do Distrito Federal, Eunice Carvalhido, para falar sobre uma possível investigação sobre os fakes.
Na sessão de quarta-feira, na Câmara Legislativa, vários deputados falaram sobre o assunto, inclusive a deputada Arlete Sampaio (PT). A deputada revelou que sofreu ataques via internet durante o período que comandou a Secretária de Desenvolvimento Social (Sedest).