Camila Costa
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A falta de diálogo entre o Governo do DF e a Polícia Civil, que está em greve há 26 dias, revoltou os deputados distritais da bancada de segurança da Câmara Legislativa. Os parlamentares decidiram obstruir a pauta de votações e disseram que só voltarão a analisar matérias de interesse no Executivo quando o governador Agnelo Queiroz atender às reivindicações da categoria, que exige maior fatia do Fundo Constitucional do DF.
Hoje, o fundo é dividido entre saúde, educação e segurança pública. De acordo com a legislação, deve ser usado para custear as polícias Civil e Militar, integralmente, e, de forma parcial, as áreas da saúde e educação. O distrital Wellington Luiz (PPL) criticou o comportamento do governo e comparou a atenção dada à Copa do Mundo com a dada à polícia.
“Tem recursos para construir um estádio, mas não tem para a Polícia Civil. É pura falácia. A greve é o nosso único instrumento de luta contra um governo que não aceita negociar”, reclamou o deputado.
Delegado aposentado, o deputado Dr. Michel (PPL) pretende pressionar o governo com a obstrução da pauta. “Até agora, não há negociação. Diante o silêncio do governador decidimos nos solidarizar com a categoria”, explicou.
Projetos do Executivo
Cinco deputados manterão a obstrução até que as negociações andem: os representantes da categoria Cláudio Abrantes (PPS), Dr. Michel, Wellington e Aylton Gomes (PR), além de Eliana Pedrosa (PSD). A oposicionista se juntou à bancada de segurança e fará, hoje, uma reunião com o bloco para propor obstrução do partido. Caso o bloco aceite a adesão ao manifesto, serão sete parlamentares de braços cruzados.
“Já aderi. E será até que o governo abra os números do Fundo Constitucional. A queixa é que este recurso está em uma caixa preta e os policiais entendem que precisam de reajustes e melhorias. E nós, deputados, queremos entender porque o governo não está mostrando, concretamente, porque não pode dar os benefícios”, justificou a distrital.
Segundo o líder de governo, deputado Wasny de Roure (PT), dois projetos do Executivo já aguardam por apreciação dos parlamentares. Na próxima semana, mais um chegará à Casa, o que trata da liberação do Estudo de Impacto de Vizinhança. “Acho que o governo deveria dar celeridade nesta negociação, não pela obstrução, mas pelo direito da categoria”, avaliou.
Os outros dois projetos tratam sobre políticas de resíduos sólidos para e programa de desenvolvimento econômico para o DF.