
Durante a reunião de avaliação feita ontem pelo PT brasiliense houve até propostas de punições imediatas para “os companheiros que cometeram erros, tanto no plano federal quanto no Distrito Federal”. O partido convocou o encontro, na verdade uma sucessão de reuniões, para examinar as causas da derrota eleitoral do ano passado, quando o governador Agnelo Queiroz nem conseguiu chegar ao segundo turno, o deputado Geraldo Magela teve desempenho desastroso para o Senado e as bancadas federal e distrital encolheram.
Os participantes apresentaram formalmente 11 teses sobre o problema, mas houve número ainda maior de manifestações de dirigentes, parlamentares e militantes. Para o governo Rodrigo Rollemberg, houve propostas de independência, sem aceitar cargos, e também de oposição qualificada, admitindo-se colaboração “em propostas que beneficiem a população”.
As propostas serão votadas por militantes no próximo dia 14 de março, na Câmara Legislativa. “Precisamos entender o que provocou essa enorme derrota política do PT no DF”, afirmou o deputado federal Roberto Policarpo.
Erros
Viridiano Custódio, membro da diretoria executiva do PT, assume que o partido cometeu um erro ao “abrir mão de posições históricas” na gestão passada, entre elas a questão do financiamento público de campanha, a diminuição de programas sociais e a concretização de alianças com a direita. “O governo Agnelo não teve uma marca forte, como o de Cristovam Buarque com a bandeira da educação, por exemplo. Ademais, não se comunicou de forma eficiente com a sociedade”, alega.
Para Viridiano, as relações com o governo atual exigem independência. “Não devemos aceitar cargos mas também não podemos fazer oposição ao que for bom para a população. Precisamos ser autônomos, sendo aliados quando conveniente e oposição quando necessário”, conclui.
Petista cobra posição mais firme e punição
Sobre a recente decisão da 2ª Vara da Fazenda do Distrito Federal de bloquear os bens do ex-governador Agnelo Queiroz e de outras quatro pessoas acusadas de improbidade administrativa na realização de eventos esportivos na capital, Policarpo acredita que “Agnelo vai esclarecer o que aconteceu como já fez antes” (referindo-se a uma ação de improbidade administrativa movida contra Agnelo por superfaturamento no aluguel de imóveis na Vila do Panamericano, em 2007).
“Não é a primeira vez que isso acontece com um governador. Temos que tomar cuidado para não acusar ninguém injustamente”, argumenta o deputado distrital e secretário do PT-DF Ricardo Vale.
Viridiano também acredita que a posição é de cautela, mas diz que o partido precisa fazer uma avaliação crítica de casos que envolvam possibilidade de corrupção e improbidade. “Precisamos ter uma posição mais firme. Não podemos passar a mão na cabeça de ninguém. Políticos comprovadamente envolvidos com corrupção devem ser expulsos do partido. Muita gente joga a culpa na mídia, mas tem os nossos erros também”, admite.
Custódio acredita que esses fatores contribuíram para arranhar a imagem do governo Agnelo. “O povo do DF é bem informado, todas essas questões causaram um desgaste com o eleitorado”, analisa.