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Política & Poder

Direita fecha chapa majoritária em SP com Eduardo Bolsonaro como suplente

O filho do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) vai ocupar a suplência mesmo morando atualmente nos Estados Unidos, desde fevereiro de 2025

Redação Jornal de Brasília

05/05/2026 22h41

eduardo bolsonaro

Foto: AFP

Salvador, 5 – O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), confirmou ontem que o atual vice, Felício Ramuth (MDB), continuará compondo sua chapa na disputa pela reeleição. Além de Guilherme Derrite (PP), que já havia sido confirmado, a chapa majoritária da direita terá também como candidato ao Senado o presidente da Assembleia Legislativa do Estado (Alesp), André do Prado (PL), cujo primeiro suplente será o ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL), cassado pela Câmara em dezembro do ano passado.

O filho do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) vai ocupar a suplência mesmo morando atualmente nos Estados Unidos, desde fevereiro de 2025. Sua presença na chapa, contudo, carrega riscos jurídicos. Isso porque ele teve o mandato cassado por excesso de faltas na Câmara e ainda é réu em ação penal no Supremo Tribunal Federal (STF), acusado do crime de coação – por articular nos EUA sanções ao Brasil e a autoridades do País.

Conforme a denúncia acolhida no STF, Eduardo permaneceu no território americano com o objetivo de interferir no julgamento do pai, que foi condenado a 27 anos e 3 meses de prisão por tentativa de golpe de Estado e outros crimes.

André do Prado já havia confirmado a possibilidade de ter Eduardo de suplente, em entrevista ao Estadão publicada no fim de abril. No vídeo anunciando sua pré-candidatura, o presidente da Alesp se colocou como “substituto” de Eduardo e fez acenos ao bolsonarismo, chamando a prisão do ex-presidente de injusta e dizendo que assumiu um compromisso com seu primeiro suplente em várias pautas, entre elas, a anistia.

OUTROS NOMES

Mas, além de Derrite e André do Prado, a direita deve ter outros candidatos ao Senado em São Paulo. O Podemos já sinalizou que pretende lançar o deputado federal Delegado Palumbo (SP) ou o empresário Geraldo Rufino. O Novo mantém a pré-candidatura do deputado federal e ex-ministro do Meio Ambiente Ricardo Salles (SP).

Ontem, em entrevista para comemorar um ano do programa “São Paulo pra Toda Obra”, Tarcísio afirmou que pretende conversar com os partidos aliados para tentar alcançar “ao máximo a convergência até o período das convenções”.

O apoio de Eduardo a André do Prado é questionado por integrantes do bolsonarismo, que criticam o respaldo ao que consideram um deputado estadual que não faz parte da ala ideológica e é umbilicalmente ligado ao presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto.

Um dos principais críticos à escolha do presidente da Alesp para a disputa ao Senado é Ricardo Salles. Ontem, antes da confirmação da chapa, ele afirmou não acreditar que o filho de Bolsonaro se sujeitaria a ser suplente “do pupilo do Valdemar Costa Neto”. “Eduardo nunca se deu bem com essa turma corrupta do Centrão fisiológico e anti-ideológico, que é justamente a ala valdemarista do PL. Ele não vai se deixar usar por eles”, escreveu no X.

‘ALINHAMENTO’

Na publicação em que confirmou o apoio ao presidente da Alesp, Eduardo Bolsonaro listou uma série de motivos para justificar a decisão, como o fato de André do Prado estar há 32 anos na vida pública, ser presidente do Legislativo paulista e ter dado sustentação ao governo Tarcísio.

“É um nome (…) com forte potencial para disputar o governo de São Paulo futuramente. E, principalmente: tem alinhamento nas pautas prioritárias, comprometendo-se a votar de forma convergente conosco em temas sensíveis”, escreveu o ex-deputado

Em 18 de dezembro do ano passado, a Mesa Diretora da Câmara cassou o mandato de Eduardo Bolsonaro, mas a medida não o tornou inelegível.

Para Fernando Neisser, professor de Direito Eleitoral da FGV-SP, “há espaço” na Justiça Eleitoral para a discussão “sobre a cassação por faltas”. “Até onde tenho conhecimento, nunca houve análise de mérito pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE). E, mesmo que houvesse, a composição da Justiça Eleitoral muda com frequência, e não é incomum que a Corte adote entendimentos diferentes sobre precedentes”, afirmou. “Já em relação ao processo criminal em andamento, uma eventual condenação até o prazo de registro das candidaturas, em 15 de agosto, tornaria Eduardo inelegível.”

A segunda vaga de suplente na chapa encabeçada pelo presidente da Alesp ficará com Fernando Fiori de Godoy, ex-prefeito de Holambra.

Natural de Guararema, André do Prado iniciou sua trajetória política como vereador na cidade, onde também foi vice-prefeito e prefeito. Atualmente, está em seu quarto mandato consecutivo na Assembleia paulista e chegou à presidência da Casa por meio de uma articulação de Valdemar Costa Neto.

CONFIANÇA

Embora não fosse a escolha inicial de Tarcísio para o posto, ele conquistou a confiança do governador ao viabilizar a aprovação de todos os projetos de interesse do Executivo, incluindo a privatização da Sabesp, a estatal de saneamento, a PEC da Educação e o programa de escolas cívico-militares. Hoje, é visto como um dos principais aliados de Tarcísio no Legislativo estadual.

Embora filiado ao partido de Bolsonaro, André do Prado vive uma situação inusitada na Alesp: é visto com bons olhos pela oposição, em especial, pelos deputados do PT, com quem costurou um acordo para ser reconduzido à presidência da Casa no ano passado.

Estadão Conteúdo 

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