Menu
Política & Poder

Deputados sitiados por pedidos de cassação

Arquivo Geral

26/08/2016 7h00

Atualizada 25/08/2016 21h47

Josemar Gonçalves

Francisco Dutra
Millena Lopes
redacao@jornaldebrasilia.com.br

Após a deflagração da Operação Drácon, a pressão popular sobre a Câmara Legislativa sobe cada vez mais. Ontem, a Casa recebeu o pedido de abertura do processo de quebra de decoro dos cinco deputados distritais alvos das investigações conduzidas pelo Ministério Público do DF e pela Polícia Civil. Hoje, o PSOL também entrará com processos pedindo a apuração da conduta dos parlamentares envolvidos. Até os servidores do Legislativo decidiram cobram o afastamento dos assessores dos parlamentares que compõem a Mesa.

O PSOL decidiu entrar com pedidos individualizados de quebra de decoro da presidente afastada Celina Leão (PPS), Bispo Renato (PR), Cristiano Araújo (PSD) e Julio Cesar (PRB). Até a noite de ontem, o partido também estudava a abertura de um processo contra Raimundo Ribeiro (PPS). Eles são apontados como beneficiários de um suposto esquema de corrupção no direcionamento de emendas para a saúde.

Liliane também

A legenda decidiu que também entrará com um pedido de investigação da conduta da deputada Liliane Roriz (PTB). Ela não é alvo da investigação do MP e da Polícia Civil, mas, segundo a sigla, existem outras acusações sérias sobre os ombros da parlamentar.

“É um absurdo vermos gente morrendo nas UTI’s, enquanto a classe política negocia recursos para a saúde”, desabafou o secretário geral do diretório regional da legenda, Fábio Felix.

Além da entrega dos processos, inicialmente para a própria Corregedoria da Casa, o partido prepara ato de protesto com movimentos sociais. Segundo Felix, pressão popular é fundamental para garantir a investigação célere e equilibrada do caso. “Falta uma posição mais incisiva da Câmara. Existem outros parlamentares que, aparentemente, não estão envolvidos. Eles precisam se posicionar”, argumentou.

Na manhã de ontem, representantes da União dos Auditores Federais de Controle Externo (Auditar), Instituto de Fiscalização e Controle (IFC) e Observatório Social de Brasília apresentaram cinco pedidos de quebra de decoro contra os cinco deputados. “A sociedade espera que a Câmara analise estes processos com urgência. De preferência no plenário, para que toda população possa ver a conduta dos deputados. Não dá para engavetar esses pedidos”, comentou o presidente da Auditar, Paulo Martins.

Afastamento

A Mesa Diretora temporária decidiu ontem afastar o secretário executivo da Terceira Secretaria da Casa, Alexandre Braga Cerqueira. Ele é um dos personagens investigados pela operação Drácon. Por enquanto, o afastamento não implica em exoneração e ele continua no quadro de servidores da Casa.

A cúpula provisória ainda não definiu qual será a linha de ação da Casa em relação ao escândalo. Segundo o terceiro secretário suplente, Rodrigo Delmasso (PTN), o martelo será batido em uma nova reunião, prevista para segunda-feira.

A mesinha

Foi o Sindicato dos Servidores da Câmara Legislativa e do Tribunal de Contas do DF (Sindical) que protocolou no Ministério Público do DF um requerimento de afastamento dos servidores que compõem a Mesa Diretora da Câmara.

Fazem parte da Mesinha José Wilson Porto, secretário-geral, indicado por Celina Leão (PPS) – e que pediu exoneração do cargo ontem; Leila Barreto, secretária-executiva da 1ª Secretaria, indicação de Raimundo Ribeiro (PSDB); Rusembergue Barbosa de Almeida, secretário-executivo da 2ª Secretaria, ligado ao deputado Julio Cesar (PRB); e Alexandre Braga Cerqueira, da 3ª Secretaria, que é, inclusive, investigado – ele foi indicado por Bispo Renato (PR) e já afastado do cargo.

Para o Sindical, a decisão que afastou os parlamentares da Mesa não tem efeito prático, já que os assessores diretos que compõem a Mesa continuariam agindo livremente.

Busca e apreensão em Goiânia

Como consequência da Operação Drácon, a Polícia Civil de Goiás cumpriu um mandado de busca e apreensão na sede da empresa Intensicare, em Goiânia. Gestora da UTI do Hospital Regional de Santa Maria, a Intensicare recebeu R$ 5 milhões dos recursos que teriam fomentado o suposto esquema de propina para a Mesa Diretora da Câmara Legislativa.

Segundo o Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT), o mandado não constitui uma nova fase da operação.

“O MPDFT não pode, neste momento, prestar informações sobre o material recolhido nem comentar o conteúdo de decisões judiciais que permanecem sob sigilo”, diz o Ministério Público, em nota. Os próximos dias, conforme o MP, serão dedicados à análise dos materiais recolhidos e à continuidade das investigações que estão totalmente centralizadas no órgão.

Caixa de Pandora

Alvos da Operação Drácon, os deputados Bispo Renato (PR) e Cristiano Araújo (PSD) foram intimados como testemunhas para uma audiência de uma ação decorrente da Operação Caixa de Pandora, marcada para 22 de setembro. Caso faltem, deverão ser conduzidos coercitivamente. Convocado “diversas vezes”, conforme o Tribunal de Justiça do DF, os deputados sempre justificam, na véspera, a impossibilidade de comparecer.

    Você também pode gostar

    Assine nossa newsletter e
    mantenha-se bem informado