Lucas Valença
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No Legislativo, líder da minoria. Na sociedade, um dos representantes de uma maioria populacional, mas limitados a poucos direitos. No entanto, esta minoria socialmente posta tem ganhado cada vez mais voz e espaço. Além de defender a causa LGBT, no qual é um integrante assumido, o deputado distrital Fábio Felix (Psol) acredita que o conceito de direitos humanos não tem sido bem interpretado por parcela da sociedade.
Neste cenário, a defesa dos direitos das mulheres, dos negros e dos mais pobres se torna mais evidente em um país que conviveu com uma de suas militantes assassinadas. Marielle Franco integrava o Psol, mesmo partido de Felix, e é lembrada pelo representante popular como uma inspiração de luta por um país mais justo e igualitário.
Em seu primeiro mandato, o deputado fala à reportagem sobre a percepção dos primeiros três meses do governo Ibaneis, sobre a polêmica em torno do concurso da Secretaria de Desenvolvimento Social (Sedest) e sobre a formação de uma Frente Parlamentar, proposta pelo opositor, líder do governo Cláudio Abrantes (PDT), que visa debater a construção de uma universidade gerida pelo GDF.
Confira a entrevista completa.
Jornal de Brasília: Neste domingo tivemos o concurso da Sedest que foi suspenso por acusações de fraude. Como deputado distrital, o senhor tomará ou cobrará alguma providência?
Fábio Felix: Na verdade, a assistência social é uma política que me dedico há muito tempo. Acho que é uma área fundamental do Estado como política social. No entanto, é muito debilitada quanto ao quantitativo de servidores em diversas unidades espalhadas pelo DF. Então, a gente viu de forma muito ruim, lamentável, o que aconteceu ontem (domingo). O comprometimento das pessoas era enorme, em estudo e no esforço psicológico, e até material, que foi de pagar a inscrição, o cursinho.
A falta de gerenciamento e profissionalismo da banca no dia de ontem (domingo) ficou evidente, já que não foi uma reclamação nas duas escolas onde se deu o problema, mas uma reclamação generalizada na condução da banca, no conteúdo das provas. Agora, esta confusão generalizada não pode ser atribuída aos candidatos, mas sim, ao gerenciamento e à dificuldade de gestão da própria banca.
A nossa iniciativa vai ser, primeiro, tentar retomar a normalidade do concurso, já que é importante que ele aconteça. Mas para isso é preciso que a banca apresente um novo cronograma e também a forma que pretendem executar todo o processo. Eles precisam mostrar para nós, da Câmara Legislativa, como eles não vão voltar a prejudicar as 57 mil pessoas que se inscreveram no concurso.
JBr.: Como o senhor está observando o começo de gestão do governador Ibaneis Rocha (MDB)?
Fábio Felix: Nesses quase 90 dias do governo Ibaneis, acho que a primeira mensagem é que o governo não mostrou para que veio. Ele não consegue apresentar um projeto coerente, com início, meio e fim, para o Distrito Federal, o que é um problema. Os primeiros 90 dias para um governo são decisivos. Em janeiro, o governo fez uma convocação extraordinária da Câmara Legislativa para aprovar a ampliação do Instituto Hospital de Base, que ele disse na campanha que era contra e ampliou. E mesmo a ampliação me parece que não se consolida.
O argumento de que essa ‘terceirização’ serviria para agilizar o processo de atendimento em saúde, até agora não se confirmou. Outra preocupação é que o governo apresentou um projeto para diminuir com o passe livre estudantil, o que é uma preocupação para nós. Terceiro, sem discussão com a categoria dos professores, com a comunidade, com a CLDF, o governo impôs uma militarização das escolas, trazendo um modelo que conta com muitas críticas em outros lugares que foram implementados no Brasil.
Mas nós estamos aqui para colaborar com a cidade. Apesar da gente estar na liderança da oposição, a gente sabe que muitos projetos são suprapartidários e que beneficiam o povo do DF e que estamos à disposição desses projetos. Porém, precisamos discutir tecnicamente todos e, até agora, vemos muitos problemas também técnicos, na forma que o governo tem articulado com a sociedade civil e com a própria Câmara Legislativa.
JBr.: Então é possível o Psol votar em favor de pautas que dizem respeito ao governo.
Fábio Felix: Sem dúvida, aquelas pautas que forem na defesa dos direitos dos servidores públicos, dos direitos humanos, dos direitos sociais, ou que tiverem qualquer conexão com aquilo que a gente acredita, nós vamos votar a favor, como já votamos em várias matérias. O auxílio material escolar, por exemplo, nós colaboramos com a matéria. O próprio plano de ajuste fiscal que o governo mandou para a Casa, nós apresentamos uma emenda e votamos favoravelmente. Então a gente não joga contra, jogamos a favor. Mas o que parece é que o próprio governo joga contra si.
JBr.: O líder do governo na Casa, deputado Cláudio Abrantes (PDT), vem colhendo assinaturas para criar uma Frente Parlamentar, que visa debater a criação de uma universidade do Distrito Federal, e o senhor chegou a assinar o documento. Estamos em um momento de dificuldade financeira, é o momento ideal para se implantar esta instituição?
Fábio Felix: Eu fui eleito para defender essa proposta. Na campanha eleitoral, nós apresentamos essa como uma proposta e o conjunto das pessoas que nos apoiavam entende que essa é uma medida prioritária. No DF, o momento é de crise financeira, mas também de investir em políticas sociais. Quando só se pensa em retrair o Estado, muitas vezes não se percebe que o Estado também é um espaço estratégico para se enfrentar as desigualdades e os problemas.
Então, a garantia de uma Universidade Distrital seria um grande passo na nossa cidade e estamos lutando para isso. É preciso lembrar que já existem várias experiências de universidades estaduais em tantos lugares do país, mas no DF, que é a terceira maior metrópole do país, não existe esse modelo. Será mais um espaço que dará acesso à nossa juventude ao ensino.
JBr.: Não seria melhor começar com a criação de faculdades e depois de uma universidade?
Fábio Felix: Eu acho que não. Acho que é preciso dar o tiro certo no caminho que queremos seguir. É importante se investir em uma instituição de ensino sólido, plural e que não faz só ensino, já que a grande diferença de uma universidade com relação às faculdades e outros tipos de instituição de ensino, é a dedicação para pesquisa, estudo e extensão. A cidade do tamanho de Brasília precisa de algo como uma universidade. É por tudo isso que eu vi, com muito bons olhos, a iniciativa do líder do governo, deputado Cláudio Abrantes (PDT), em propor essa Frente.
Confira a fala do deputado Fábio Felix (Psol) com relação às possíveis ameaças e a defesa dos Direitos humanos: