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Depois de tirar foto com líder extremista, Bolsonaro não recebe presidente da COP-26

Ele foi designado pelo governo Boris Johnson para presidir os trabalhos da COP e tem status de ministro

Foto: Agência Brasil

Ricardo Della Coletta
FolhaPress

Duas semanas depois de ter recebido uma líder da ultradireita alemã, o presidente Jair Bolsonaro se recusou a encontrar, nesta semana, o presidente da COP-26, a reunião global da ONU sobre o clima. O britânico Alok Sharma esteve no Brasil para uma série de encontros com autoridades brasileiras. Ele foi designado pelo governo Boris Johnson para presidir os trabalhos da COP e tem status de ministro.

A reunião global do clima deve ocorrer em novembro, no Reino Unido, e é considerado o principal fórum internacional sobre mudanças climáticas desde o Acordo de Paris (2015). Auxiliares tentaram na quarta-feira (4) e nesta quinta (5) que Bolsonaro recebesse Sharma, no que seria um sinal de comprometimento do mandatário brasileiro com as metas ambientais que serão discutidas no encontro em Glasgow.

Mas a reunião não ocorreu. No final da tarde de quarta, Sharma chegou a se deslocar ao Palácio do Planalto para a reunião com Bolsonaro. O presidente, no entanto, não o recebeu. Em vez de encontrar o britânico, Bolsonaro concedeu uma longa entrevista à Jovem Pam, do Palácio do Alvorada. Ao lado do deputado Filipe Barros (PSL-PR), o mandatário reagiu à sua inclusão como investigado no inquérito das fake news e disse, em tom de ameaça, que o antídoto para a ação não está “dentro das quatro linhas da Constituição”.

As falas de Bolsonaro representaram uma nova escalada da crise institucional entre Planalto e Executivo, agravada com uma sequência de declarações golpistas do presidente. A resistência em receber Sharma -um ministro do governo do Reino Unido- também contrasta com a disponibilidade que Bolsonaro mostrou há duas semanas com uma líder da ultradireita alemã. Em 22 de julho, Bolsonaro se encontrou, fora da agenda, com a deputada Beatrix von Storch, vice-líder do partido populista AfD (Alternativa para Alemanha).

Além de um histórico de discursos xenófobos e anti-imigração, Beatriz é neta de Lutz Graf Schwerin von Krosigk, ministro das Finanças na Alemanha nazista. Embora não tenha se encontrado com Bolsonaro, Sharma teve uma intensa agenda de reuniões em Brasília.

Ele teve reunião com ministros das Relações Exteriores (Carlos França), Meio Ambiente (Joaquim Álvaro Pereira Leite), Agricultura (Tereza Cristina) e Economia (Paulo Guedes). Também participou da reunião com o britânico o vice-presidente Hamilton Mourão (PRTB), que comanda o Conselho da Amazônia. Além de autoridades do governo federal, Sharma conversou com governadores e lideranças da sociedade civil.

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Na quarta, participou de um evento com os governadores do Pará, Helder Barbalho (MDB), do Espírito Santo, Renato Casagrande (PSB), e de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo). Na ocasião, os governadores trataram com Sharma sobre compromissos de redução de emissões de carbono.

Em breve entrevista ao jornal Folha de S.Paulo na quarta, Sharma disse esperar o detalhamento de políticas por parte do Brasil para que o país atinja metas climáticas. Bolsonaro recentemente se comprometeu a acabar com o desmatamento ilegal até 2030 e atingir a neutralidade climática até 2050.

“Eu estou muito satisfeito que o presidente [Bolsonaro] estabeleceu que o país chegará a zero emissões líquidas até 2050 e estou entusiasmado que existe um compromisso de acabar com o desmatamento ilegal. O que agora eu gostaria de ver é o detalhamento das políticas. Na verdade, o mundo vai querer ver o detalhamento das políticas e as estratégias que vão levar ao cumprimento dessas metas”, afirmou.

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