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Política & Poder

Defesa de Arruda cita armação nas acusações de suborno

Arquivo Geral

23/09/2016 7h00

Atualizada 22/09/2016 22h26

Josemar Gonçalves

A defesa de José Roberto Arruda aponta “farsa” nas acusações de Edson Sombra, que disse ter sofrido tentativa de suborno pelo ex-governador em 2010, e coloca a esposa do jornalista, Wânia Luiza de Souza, como elemento central do esquema. Foram essas acusações que levaram à prisão e afastamento de Arruda do cargo.

À época, Sombra, amigo do delator Durval Barbosa, era uma das testemunhas do esquema de propina investigado pela operação Caixa de Pandora. Após a denúnciado jornalista, Arruda foi preso, perdeu o mandato e, posteriormente, teve os direitos políticos cassados.

“Ocorreu um inquérito policial contra a mulher dele em separado da Caixa de Pandora, quando deveria ter ocorrido junto”, critica o advogado Paulo Emilio Catta Preta, que defende Arruda e o ex-chefe da Casa Civil, José Geraldo Maciel, também réu no processo.
O profissional aponta que o documento, de 2012, revela movimentações financeiras suspeitas da empresa pertencente à esposa do jornalista, a O Distrital Mídia Ext Ltda, mas o fato foi ignorado e arquivado pelo Ministério Publico.

“Vamos inquirir o Sombra, vamos ouvir a esposa. O Ministério Público sempre diz que fazemos manobras, mas houve um saque. Isso é motivo pelo menos para suscitar a curiosidade”, reclama Catta Preta, acrescentando que seu cliente foi vítima de uma armação arquitetada por Sombra e por Durval Barbosa.

O Jornal de Brasília teve acesso ao inquérito. Ele cita um relatório do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), ligado ao Ministério da Fazenda, que revela um saque de R$ 300 mil feito por Wânia Luiza um dia após a suposta tentativa de suborno a Sombra. O ponto curioso é o fato de a empresa não ter tido qualquer movimentação financeira desde 2007.

Em março de 2012, porém, o promotor Germano Campos Câmara assinou o arquivamento do inquérito por não haver “indícios de […] delitos contra a ordem tributária”, e cita até uma decisão do ministro Gilmar Mendes para ignorar a denúncia. A mesma redação, contudo, aponta a existência de “vestígios relacionados ao enriquecimento sem origem.”

A defesa de Arruda reclama que vários pontos não esclarecidos poderiam servir para a contestação.

Saiba mais

O ex-governador Arruda responde a dez ações penais relativas à deflagração da Operação Caixa de Pandora, de 2009. A petição da defesa se refere à prisão de 60 dias ordenada pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ) sob o pretexto de obstrução da Justiça, em fevereiro de 2010.

Para o MPDFT, a defesa do ex-governador apenas tenta protelar as decisões da Justiça e a lembrança a um documento já arquivado seriam apenas uma manobra dos advogados para tumultuar o processo. O promotor do caso não se manifestou a respeito.

Aquisições e saque abrem suspeitas

No documento, assinado pelo agente de polícia Fernando Augusto Santana Gonçalves, é apontada “grande suspeita” tanto em relação ao saque efetuado no dia seguinte à suposta tentativa de propina quanto em virtude da compra de seis imóveis por ela e seus dois irmãos, Edwardo João de Souza e Wanilda Luiza de Souza.

Segundo o relatório, todas as transações, que somam cerca de R$ 2 milhões, aconteceram a partir de 2009, quando a Caixa de Pandora foi deflagrada pela Polícia Federal. “Acredita-se assim que a Senhora Wânia Luiza de Souza ou seu marido […] adquirem imóveis no Distrito Federal em nome de terceiros, e os colocam em nome de parentes para não ficar nada registrado em seus nomes”, descreve o texto.

O advogado de Arruda, Paulo Emilio Catta Preta, quer que as informações e investigações sejam revistas, especialmente o saque de R$ 300 mil. Para ele, isso aumenta a possibilidade de Sombra ter agido em conluio com Durval Barbosa pra prejudicar seu cliente.

“Queremos que sejam adotadas as medidas para esclarecer esse estranhíssimo fato. Quem é que depositou aquele dinheiro? Alguém deve ter pagado a Sombra para montar toda essa farsa”, acusa o advogado.

Na audiência da Caixa de Pandora da semana passada, o deputado federal Rogério Rosso (PSD) revelou ter sido procurado, em 2010, pelo próprio Sombra, que teria agido a pedido de Durval Barbosa, para fazer nomeações no governo. No período, Rosso, então no PMDB, foi eleito indiretamente pela Câmara Legislativa do DF após o afastamento de Arruda e a renúncia do vice, Paulo Octávio.

Sombra não foi encontrado para comentar a petição da defesa do ex-governador, mas já havia declarado que só se manifestaria aos órgãos responsáveis pelas apurações referentes ao processo.

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