Menu
Política & Poder

Da chefia de gabinete à Casa Civil: Lula vai mudar tudo na ‘cozinha’ do Planalto para quarto mandato

O líder do PT no Senado, Camilo Santana, é hoje visto como pule de dez para ser o “capitão do time” e assumir a Casa Civil da Presidência

Redação Jornal de Brasília

30/10/2026 6h27

ministro camilo santana, durante coletiva de imprensa (df). por ebc agência brasil oficial

Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom/ Agência Brasil

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva vai mudar a chamada “cozinha” do Palácio do Planalto para o seu quarto mandato. Embora os nomes ainda não estejam definidos, Lula disse a aliados do PT que, após o feriado de Finados, começará a chamar presidentes de vários partidos para conversar. O Centrão está na lista dos interlocutores, mas Lula avisou que, desta vez, quem integrar a equipe terá de apoiar o governo no Congresso.

O líder do PT no Senado, Camilo Santana, é hoje visto como pule de dez para ser o “capitão do time” e assumir a Casa Civil da Presidência. Ex-governador do Ceará e ex-titular da Educação, Camilo ganhou destaque no segundo turno da campanha, assim como Rafael Fonteles, governador reeleito do Piauí.

Lula afirmou em petit comité, na terça-feira, 27, quando completou 81 anos, que quer dar uma nova fisionomia ao governo e montar um time de vencedores nas urnas a seu lado. A ideia é arejar o núcleo duro da equipe.

As mudanças no Planalto vão nessa direção e, de quebra, projetam quem pode ser o sucessor de Lula, em 2030. Mesmo que a disputa interna pelo espólio do presidente pareça distante, ela já está em curso nos bastidores e será deflagrada entre o Nordeste, que lhe deu a maioria de votos, e o Sudeste, berço político do PT.

Derrotado na eleição para o Palácio dos Bandeirantes, o ex-ministro da Fazenda Fernando Haddad era até aqui o nome cogitado para a Casa Civil. Agora, no entanto, interlocutores do presidente dizem apenas que “Haddad será o que quiser”, com a ressalva de que Camilo tem mais perfil para a Casa Civil.

Rafael Fonteles, por sua vez, vem sendo citado como uma espécie de “curinga”, que pode ser alçado para o Ministério da Fazenda no lugar de Dario Durigan. O presidente, porém, ainda não bateu o martelo sobre a composição da equipe. O vice Geraldo Alckmin (PSB) se aproximou muito de Lula nos últimos tempos e também é cotado para comandar a equipe econômica.

Haverá mudanças, ainda, na articulação política do Palácio do Planalto com o Congresso. O ministro-chefe da Secretaria de Relações Institucionais, José Guimarães, é um dos nomes que devem sair para compor o governo do Ceará e Lula planeja agora entregar o cargo para um político que não seja do PT.

Com assento no segundo andar do Palácio doo Planalto – um piso abaixo do gabinete de Lula, que fica no terceiro –, o ministro da Secretaria de Comunicação Social (Secom), Sidônio Palmeira, disse que só ficará em Brasília até o fim do ano. Seus amigos observam, no entanto, que ele pode mudar de planos, se Lula pedir.

Sidônio sofreu muito desgaste na campanha e no governo. Quando o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) passou à frente de Lula do primeiro para o segundo turno, o ministro foi muito criticado. Nas fileiras do PT, Sidônio era apontado como culpado pelos principais erros ocorridos.

O ministro chegou a ter um duro bate-boca com o publicitário Otávio Antunes, chamado na última hora pelo PT – com o apoio da primeira-dama Rosângela da Silva, a Janja – para ajudar na propaganda eleitoral do segundo turno.

Antunes foi o marqueteiro da campanha de Haddad, derrotado pelo governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos). Tentou entrar no QG da campanha de Lula, mas, ao pedir para ver as peças produzidas pela equipe de Sidônio, acabou defenestrado.

A troca de xingamentos entre Sidônio e Antunes, após o primeiro turno, só foi contida por intervenção de Rafael Fonteles, que estava no comitê na hora do bate-boca e apartou a briga.

Com a vitória do presidente na segunda rodada, porém, o chefe da Secom foi “redimido”. Mesmo assim, Sidônio entrou em várias rotas de colisão com integrantes do governo e da cúpula do PT, sobretudo com Janja, e por isso anunciou sua saída em dezembro.

Criador do “Exército do Lula”, canal de WhatsApp que tem hoje mais de 10 milhões de seguidores, o deputado federal André Janones (Rede-MG) vem sendo lembrado para dirigir a Secom. A estratégia digital de mobilização bolada por ele foi considerada fundamental para a virada histórica de Lula e se transformou em um case de sucesso, tanto que está sendo copiada pela esquerda em países como França, Espanha e até Argentina.

“Mas eu acho que posso ajudar muito mais o presidente como deputado”, disse Janones nesta quinta-feira, pouco antes de um almoço com Lula, no Palácio da Alvorada. “Ele vai precisar de muita força no Congresso para aprovar os projetos”.

A meta do “general” Janones, compartilhada com o “marechal” Lula, é chegar à posse presidencial, em 5 de janeiro de 2027, com um contingente de 13 milhões de seguidores no “Exército”. Treze é o número do PT.

Hoje no quarto andar do Planalto, o ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Guilherme Boulos, também pode mudar de posição na equipe. O nome de Boulos chegou a ser lembrado para o Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome, atualmente comandado por Wellington Dias. Ex-governador do Piauí, Wellington voltará a ocupar sua cadeira no Senado.

O PT, no entanto, avalia que esse ministério deve ficar sob o comando do partido porque é responsável pelo programa Bolsa Família, vitrine do governo. Até agora, Boulos continua filiado ao PSOL, embora dirigentes do PT observem, em conversas reservadas, que ele poderá ingressar nas fileiras petistas em 2027.

Gleisi Hoffmann é também um dos nomes citados para o Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social. Ex-ministra da Secretaria de Relações Institucionais e ex-presidente do PT, Gleisi iria disputar uma reeleição praticamente garantida como deputada federal, mas Lula pediu que entrasse na briga por uma cadeira no Senado pelo Paraná, um Estado conservador.

Com a derrota, ela ficou sem mandato. O presidente gosta de Gleisi, que, na sua avaliação, tem perfil político “muito refinado”, e o seu retorno ao governo é dado como certo.

A chefia de gabinete de Lula também vai mudar. Após a saída do cientista político Marco Aurélio Santana Ribeiro, o Marcola – na esteira do escândalo provocado pela descoberta de que ele pediu dinheiro à lobista Roberta Luchsinger –, o nome mais citado para esta tarefa é o de Márcio Tavares. Hoje secretário-executivo do Ministério da Cultura, Tavares é o preferido de Janja para a função.

Estadão Conteúdo

    Você também pode gostar

    Assine nossa newsletter e
    mantenha-se bem informado